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Brasil / Cotidiano

Presidente ou presidenta?

Por Romulo Bolivar
romulo.bolivar@uva.br

Gente, para de graça, ao dizer que Dilma inventou a palavra Presidenta. Achar estranho, eu também acho; é direito de qualquer um. Mas querer que a Língua seja imóvel como uma grande pedra e ainda colocar a batata quente na conta da poderosa (ou ex-poderosa) já é demais.

Voc√°bulos terminados em ‚Äú-ente‚ÄĚ ou ‚Äú-ante‚ÄĚ, em Portugu√™s, geralmente n√£o se flexionam. Essas termina√ß√Ķes, que vem do partic√≠pio ativo latino, costumam formar palavras comuns de dois g√™neros (o/a gerente, o /a estudante etc.). Contudo, se os falantes criarem e mantiverem outros usos, as coisas mudam. Simples assim. O par governante e governanta n√£o costuma ferir os ouvidos de ningu√©m, n√£o √© mesmo?

A verdade √© que a forma ‚Äúpresidenta‚ÄĚ j√° era registrada pelo Dicion√°rio Houaiss e pela Academia Brasileira de Letras bem antes de a Dilma criar o decreto que institucionalizou seu emprego. O dicion√°rio C√Ęndido de Figueiredo, com data de 1899, j√° definia ‚Äúpresidenta‚ÄĚ como feminino de presidente ou mulher de presidente. Mesmo em Portugal usa-se esta designa√ß√£o com a termina√ß√£o em ‚ÄďA de maneira bem comum. 

Resumo, n√£o h√° nada de errado com a forma feminina da palavra presidenta. Mas e com ‚ÄúPo√ßos de Caldas‚ÄĚ? Qual a curiosidade? Vamos falar disso na pr√≥xima. At√© l√°!