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3.0 - BRASIL

Enchentes ir√£o se repetir se n√£o houver ‘renaturaliza√ß√£o’

Os especialistas em urbaniza√ß√£o s√£o categ√≥ricos em afirmar que o cen√°rio de enchentes, como as que atingiram cidades como S√£o Paulo e Belo Horizonte, ir√° se repetir nos pr√≥ximos anos, caso o poder p√ļblico continue a utilizar como resposta √† opini√£o p√ļblica as canaliza√ß√Ķes de c√≥rregos e rios.

A principal solução levantada pelos especialistas é a renaturalização de rios e córregos, que nada mais é do que a volta às características naturais do rio, procurando estabelecer um equilíbrio entre os limites e peculiaridades de um ambiente urbanizado e um ambiente mais natural.

Pa√≠ses como Holanda, Jap√£o, Coreia do Sul e Alemanha j√° entenderam o recado e est√£o correndo para mudar o modelo urbano dos seus grandes centros, diz o arquiteto e professor da EAD Unicesumar, Fernando Santana. Em T√≥quio, por exemplo, o governo criou grandes reservat√≥rios capazes de armazenar bilh√Ķes de metros c√ļbicos de √°gua e a sua utiliza√ß√£o em fins n√£o pot√°veis.

‚ÄúSe a Holanda n√£o tivesse desenvolvido solu√ß√Ķes vi√°veis, as cidades j√° teriam sido tomadas pela √°gua. O que o governo holand√™s prop√īs foi um reordenamento territorial, com o recuo nos diques de conten√ß√£o, ampliando as √°reas de alagamento. O governo aplicou cerca de 50% dos seus investimentos nas medidas de enfrentamento das varia√ß√Ķes clim√°ticas, preocupados com essa realidade‚ÄĚ, afirma Santana.

O modelo meteorol√≥gico mudou muito na √ļltima d√©cada e, segundo o professor, na pressa de se dar uma resposta √°gil √† popula√ß√£o contra as enchentes, o poder p√ļblico optou pela via mais r√°pida e n√£o necessariamente mais barata: as canaliza√ß√Ķes e retifica√ß√Ķes.

‚ÄúCom a canaliza√ß√£o desses cursos de √°gua, h√° uma diminui√ß√£o da vegeta√ß√£o que planejamos ao redor do curso em sua prote√ß√£o. Consequentemente existe um aumento da impermeabiliza√ß√£o do solo gerado pelas constru√ß√Ķes que surgiram em loteamentos devido ao adensamento urbano‚ÄĚ, diz.

O projeto Rios & Ruas, criado pelo ge√≥grafo Luiz de Campos J√ļnior e pelo arquiteto e urbanista Jos√© Bueno, estima entre 300 e 500 os rios soterrados pela urbaniza√ß√£o.

J√° de acordo com a Superintend√™ncia de Desenvolvimento de Belo Horizonte, dos 654 km da malha fluvial do munic√≠pio, 208 km est√£o escondidos sob ruas, avenidas e constru√ß√Ķes.

Com a renaturalização, atrelada ao plano diretor das cidades, é possível promover a integração das margens dos rios e lagos, com parques lineares, áreas de agricultura. Segundo Santana, é importante que os rios sejam recuperados antes e que a mudança envolva a colaboração de engenheiros, arquitetos, gestores ambientais e a população no entorno dos córregos e rios.

‚ÄúPrecisamos chamar a popula√ß√£o a assumir responsabilidade pelo meio em que vive. A preserva√ß√£o desses cursos deve ser abarcada pelos planos municipais e suas pol√≠ticas, de modo que a popula√ß√£o compreenda a import√Ęncia enquanto estrutura urbana. Caso contr√°rio, vamos precisar de bombas cada vez mais potentes para tirar a √°gua das garagens de edif√≠cios e casas‚ÄĚ, alerta o professor da EAD Unicesumar.

Foto: REUTERS / Rahel Patrasso/Direitos Reservados