COLUNAS 

Nunca quis ser jogador de futebol e sou péssimo com a bola nos pés, mas costumo acompanhar bastante o esporte. Já trabalhei na cobertura diária de um clube para entender como as coisas funcionam para além da visão de um torcedor comum. Isso me faz ser sempre aquele cara com opiniões contrárias quando converso com amigos sobre o tema.

Daí, quando falamos de filmes, tenho aquele gosto que despreza um pouco os que se resumem a tiros, mortes, peitos e bundas. Não chego a ser um cinéfilo, mas curto películas diversas, sem me ater às produzidas pela indústria de Hollywood: os argentinos, por exemplo, estão entre alguns dos meus preferidos.

Quando comento que leio compulsivamente livros de todos os tipos, sou chamado de nerd entre as pessoas do meu convívio. Ao ouvir as palavras das pessoas as quais tenho como referência política ou de formação na área me sinto o cara mais burro do planeta.

Chega o fim de semana e marcam diversos rolês. Me enquadro entre os que não são fãs de balada e preferem barzinhos. Sou o único que nunca teve um relacionamento sério em todos os círculos de amigos que frequento.

Aos 26 anos já sou mais careca do que meu pai. Uns dizem que tenho um pensamento mais maduro que a idade e respondo contando uma piada infame para parecer um pouco mais infantil.

Nasci e fui criado na periferia, mas nunca fui muito de ficar na rua. Acho aquele orgulho infantil de ser de favela ou comunidade admirável até o ponto em que a cegueira pelos problemas do local virem uma doença crônica. Ao mesmo tempo, condeno toda elitização e gourmetização do mundo, dessas que buscam um camarote até na hora de andar de ônibus.

Respeito os idosos, mas seu saudosismo extremado que acusa os jovens de não terem História é irritante, tanto quanto a futilidade dos eternos adolescentes.

Meus amigos de esquerda dizem que não saio do muro. Os de direita me chamam de comunista, petista e soltam piadas políticas quando resolvo sair com uma camisa vermelha e inocente.

Larguei uma carreira promissora em uma estatal para ser chamado de louco e corajoso. Tenho coluna em dois espaços que me rendem elogios e a perspectiva de que tenho mais a oferecer a mim e ao mundo sem sentido em que vivemos.

Não sei a que ou quem pertenço. Só me encontro quando escrevo, o resto do tempo me sinto perdido como uma criança chorando na praia à procura dos pais. Sou tão quebrado em tantas partes que me definir é uma missão quase impossível.

Ainda não encontrei meu lugar no mundo, mas sigo procurando.

saiba antes via instagram @revistamaissantos