COLUNASMAIS SAÚDE

As preocupações com o cigarro eletrônico

Por Paulo Lorandi

Os cigarros eletrônicos estão chegando com força, mas falta muita informação a respeito. Nos EUA, os “e-cigarettes” têm causado apreensão. Além dos “cigarros”, há outros equipamentos para inalar a nicotina. Esses equipamentos podem parecer cigarros, charutos ou cachimbos convencionais, mas também podem se assemelhar a canetas ou outros itens do cotidiano. Esses equipamentos usam um líquido, que quando aquecido, tornam-se um aerossol a ser inalado pelo usuário.

O líquido usado pode conter nicotina, bem como composições variadas de aromatizantes, propilenoglicol, glicerina vegetal e outros ingredientes. O vapor inalado pode ter sabores inusitados como os de churros ou melancia. Recentemente, a FDA emitiu alerta proibindo motivos infantis para a embalagem do líquido, para não estimular seu uso precoce. Estima-se que mais de dois milhões de jovens de todas as idades estejam usando “e-cigarettes”.
Estudo publicado por universidade britânica demonstra que usuários desses equipamentos estão menos sujeitos à riscos. Os líquidos contidos nos cigarros eletrônicos contêm nicotina. No segundo semestre de 2018, os produtos americanos deverão alertar os consumidores que há nicotina no produto. Lembrando que a nicotina é uma das substâncias ativas do tabaco responsáveis por problemas cardiovasculares.

Na Europa, há legislação que controla o teor de nicotina nos líquidos. Eles não poderem resultar em uma inalação da substância superior ao mesmo padrão inalatório do cigarro a combustão. Assim, uma pessoa que fume, por exemplo, dez cigarros a combustão inalará a mesma quantidade de nicotina em dez cargas do líquido no equipamento.

No Brasil, o consumo de cigarro convencional está em queda. Estima-se que pouco mais de 10% da população seja fumante. Em função disso, com o objetivo de manter esse número reduzido, a Anvisa mantém a proibição da comercialização desse produto no Brasil, apesar de, nos dias de hoje, ser facilmente acessível. A Anvisa apoia-se no estudo que não mostra que não há uma conclusão positiva para o seu uso.

Ao ser lançado no mercado mundial, o cigarro eletrônico foi anunciado como uma medida de redução de danos àqueles que já eram fumantes de produtos convencionais do tabaco (cigarro, cachimbo, charuto, etc.). Mas isso não significa que são isentos de risco, apenas que provocam menos problemas que a fumaça produzida pela combustão, que libera uma quantidade maior de substâncias nocivas.

Centro de Informações sobre Medicamentos (CIM), do curso de Farmácia da Unisantos, está disponível para solucionar suas dúvidas. O contato pode ser pelo e-mail cim@unisantos.br
Prof. Dr Paulo Angelo Lorandi, farmacêutico pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas-USP (1981), especialista em Homeopatia pelo IHFL (1983) e em Saúde Coletiva pela Unisantos (1997), mestre (1997) e doutor (2002) em Educação (Currículo) pela PUCSP. Professor titular da UniSantos. Sócio proprietário da Farmácia Homeopática Dracena.

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