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Dicas de Português

Ninfa 

Ser√° que a voz da sociedade ECOA nos ouvidos dos principais respons√°veis pela administra√ß√£o p√ļblica deste pa√≠s? “Ecoar” quer dizer produzir “eco”. Entretanto, na antiguidade, “Eco” surge como uma das mais admiradas ninfas da mitologia grega. Sua voz era encantadora e, por ter o dom da palavra, era t√£o bem articulada que prendia a aten√ß√£o de todos que a ouviam. Sabendo disso, certo dia Zeus revolve descer do Olimpo √† Terra para trair sua esposa Hera, deixando com ela a not√°vel oradora para que dele n√£o soubesse ou sentisse falta. Hera p√Ķe-se a ouvir, encantada, at√© que passa a m√£o entre as nuvens e avista o marido fazendo o que pode e o que n√£o pode com as mais belas mortais na Terra. 
 
Supondo que Eco sabia dos planos de infidelidade, a poderosa Hera resolve puni-la, tirando sua voz, e declara: – daqui por diante, tu jamais conseguir√°s articular palavra novamente. No m√°ximo, poder√°s repetir as √ļltimas falas do que lhe disserem. E habitar√°s na Terra. 
 
Sem falar e na Terra? Sinceramente, n√£o sei dizer que puni√ß√£o foi pior √† inocente ninfa; fato √© que ainda hoje o som refletido com intervalo de tempo suficiente para se distinguir da emiss√£o original chama-se “eco”, substantivo abstrato que, seguido do final “ar” d√° origem ao verbo “ecoar”. 
 
E por falar em “refletido”… Quando Eco chega aqui embaixo, perdida entre √°rvores, avista o mais belo rapaz a que a mitologia grega j√° se referiu: Narciso. Ele, perdido, sem nunca ter visto o pr√≥prio reflexo, prestes a encontrar as √°guas do rio. Ela, assustada, t√≠mida e j√° apaixonada pelo que via, escondendo-se de vergonha por sua condi√ß√£o.
 
Ao ver-se na √°gua, Narciso encanta-se pela imagem.  – Ol√°… Diz o jovem, j√° atordoado. – Ol√°. Repete a Ninfa apaixonada, por√©m escondida. Trava-se o di√°logo em que a bela imagem e a bela voz se unem para atrair um jovem que nada sabia do amor e pouco conhecia da vida. Levado pelo sentimento, Narciso toca as √°guas e desafia o destino: – Vem comigo? Prontamente, a voz retribui-lhe o convite: vem comigo? Narciso atira-se na √°gua para sempre. 
 
Hoje, em “narcisismo”, a companhia do sufixo “ismo” cria uma refer√™ncia a indiv√≠duos que se admiram exageradamente, que sobrevalorizam sua pr√≥pria imagem e mant√™m uma paix√£o excessiva por si mesmo. N√£o sei se era bem o caso da narrativa. Eco, ao presenciar a perda de seu amado, em algumas vers√Ķes do mito, esconde-se em cavernas e em vales; em outras, morre de amor √† beira do rio e transforma-se em um l√≠rio (do latim lilium), hoje a flor que representa pureza, inoc√™ncia e gosta de ficar perto de √°gua. 
 
Hera ainda hoje √© considerada a deusa do parto e da fidelidade conjugal. N√£o podemos confundir seu nome com “heres” (indiv√≠duo apto a receber bens do parente falecido), forma que originou palavras como herdeiro e heran√ßa. Ah… o t√≠tulo dessa cr√īnica era “Aula de morfologia”. Mudei para “Ninfa”. N√£o quis assustar o leitor. O novo t√≠tulo ecoa melhor. 
 
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