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Descubra o quanto a poluição coletiva interfere na saúde individual

Por Paulo Angelo Lorandi

Foto: Pixabay

Os estudos sobre a poluição estão cada vez mais elaborados e complexos. Se no início, a poluição era genericamente identificada como “fumaça”, atualmente os estudos não apenas medem e avaliam as consequências de substâncias específicas, mas também avaliam como ela se apresenta ao longo da atmosfera. As diferentes fontes poluidoras interferem no microclima do núcleo urbano que emite a poluição, mas, dependendo de sua grandeza, afeta o cenário nacional ou mundial, no caso das megalópoles, como São Paulo.

Estudos mostram que o movimento dos veículos é uma grande fonte de poluição, sendo responsável por cerca de 50% dos contaminantes. A poeira gerada do chão dos grandes centros urbanos ainda é responsável por algo em torno de 20% dos poluentes. A concentração industrial, como a de Cubatão, também é responsável pela poluição em quase 15%. E os contaminantes emanados migram pela atmosfera, como os contaminantes de Cubatão que chegam no município de São Paulo. Ou mesmo das grandes queimadas.

Retomando a importância dos veículos como fontes, é preciso que as sociedades urbanas deem atenção ao transporte público ou a outras formas de locomoção, como a bicicleta, por exemplo. O uso da bicicleta tem várias vantagens. É o meio de transporte que menos consome energia por passageiro/Km. O automóvel privado está na outra ponta. E se a comparação levar em conta a geração de poluição atmosférica, sonora e urbana (congestionamento), a bicicleta ganha em todas. Prejudica menos e ainda melhora a saúde.

Quando se pensa em bem-estar, em estilo de vida saudável, não se deve restringir o foco apenas na condição individual. O comportamento coletivo também interfere na condição individual de vida e de saúde. Em outros países, onde o transporte coletivo está melhor equacionado, a preocupação com bem-estar urbano é significativa. Por exemplo, os usuários fazem parte de seu percurso de bicicletas e outra de ônibus ou metro. Há a preocupação com o espaço e a disponibilidade para essa estratégia.

Investir na mobilidade urbana, reduzindo a poluição, melhorando a condição de saúde, criando um ambiente mais agradável, tem de ser uma preocupação coletiva. Talvez, no Brasil, o argumento contrário possa ser o da segurança. Sim, pode ser, mas a sociedade precisa colaborar para a redução da poluição, para o seu próprio benefício. Nem que tenha de abrir mão de “confortos” adquiridos desde de o tempo em que a poluição não era uma preocupação global, mas apenas visto para os grandes centros. Mas está aí, em sua rua.

Centro de Informações sobre Medicamentos (CIM), do curso de Farmácia da Unisantos, está disponível para solucionar suas dúvidas. O contato pode ser pelo e-mail cim@unisantos.br
Prof. Dr Paulo Angelo Lorandi, farmacêutico pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas-USP (1981), especialista em Homeopatia pelo IHFL (1983) e em Saúde Coletiva pela Unisantos (1997), mestre (1997) e doutor (2002) em Educação (Currículo) pela PUCSP. Professor titular da UniSantos. Sócio proprietário da Farmácia Homeopática Dracena.


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