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Entrevista com a Dra. Iraty Nunes Lima

Por Alexandre Volpe e Priscilla Freitas

O Ministério da Saúde prorrogou mais uma vez, até o dia 22 de Junho, a campanha de vacinação contra a gripe, segundo a pasta, a meta de 90% de cobertura do grupo de risco, ainda não foi alcançada. Entrevistamos a infectologista e Diretora Técnica do Grupo de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde na região da Baixada Santista, Dra. Iraty Nunes Lima, que faz um alerta para a imunização contra Influenza, principalmente agora no inverno, período em que o número de casos aumenta significativamente devido maior circulação do vírus.

Entrevista com a Dra. Iraty Nunes Lima                      

Com o aumento do número de casos da gripe no inverno, grande parte da população ainda tem dúvida se realmente é uma gripe ou um resfriado. Como diferenciar nos sinais e sintomas as duas doenças?

R.: Essa dúvida sempre existe e é comum, mas são doenças bem diferentes. A gripe é causada pelo vírus influenza e o resfriado por dezenas de vírus diferentes, entre eles o Rinovírus, Adenovírus e Parainfluenza, por isso a forma de manifestação da doença através dos sinais e sintomas modificam. Na gripe, o quadro clínico é muito intenso e de início súbito, a chamada síndrome gripal, onde o paciente apresenta febre alta (de 38° C a 40° C), tosse, dor de garganta, dor no corpo, fadiga e pode evoluir para uma forma mais grave (Síndrome Respiratória Aguda Grave), apresentando dificuldade respiratória, onde necessita de internação, inclusive em UTI. Já no resfriado temos febre baixa (não ultrapassando 38 graus), coriza, tosse, mas o paciente consegue realizar suas atividades de rotina, diferente da gripe.

Como é a forma de transmissão do vírus da gripe e quais os tratamentos para a doença?

R.: O vírus influenza pode ser transmitido pelo trato respiratório, ou seja, pela tosse, gotículas, espirros ou pelo contato de mão, pois existem estudos que mostram que o vírus sobrevive até 48 horas em superfícies, por isso tanto se alerta para se espirrar ou tossir usando lenços descartáveis ou protegendo com os braços e não as mãos, além da importância em sempre higienizá-las (lavando com água e sabão ou usar álcool gel). O tratamento da Síndrome Gripal é realizado com medicamentos sintomáticos, hidratação e o uso do antiviral Oseltamivir, conhecido pelo nome comercial Tamiflu®, que inibe a replicação do vírus e consequentemente reduz o tempo dos sinais e sintomas e evita a evolução para casos mais graves, que necessitam de internação. Na Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) também é indicado o uso do Oseltamivir.

Existem algumas formas de prevenção da gripe, entre elas evitar aglomeração em locais fechados, lavar sempre as mãos e a vacina. O Ministério da Saúde está com a 20ª campanha de vacinação contra a gripe, quais os grupos indicados a receber a vacina?

R.: A forma mais correta de prevenção é a vacina, pois ela protege de todos os tipos do vírus Influenza. A vacina contra Influenza disponibilizada pelo Ministério da Saúde é a trivalente, composta pelas cepas A-H1N1, A-H3N2 e B. Os grupos prioritários, por serem de  maior risco de contrair a gripe, são os  profissionais de saúde, professores, indígenas, crianças (entre 6 meses e 5 anos), gestantes e mulheres com parto recente (puérperas até 45 dias), idosos a partir de 60 anos, povos indígenas, portadores de doenças crônicas, funcionários de presídios, adolescentes sob medidas socioeducativas e presidiários. A vacina para este grupo é fornecida de forma gratuita pelo SUS e a dose é única, porém não tem uma cobertura permanente, pois o vírus sofre mutações, por isso a necessidade de ser imunizado anualmente, e alerto que a vacina não causa gripe, isso é um mito, pois ela é fragmentada e inativada e extremamente segura.

Na Baixada Santista, como estão o número de casos da doença e a cobertura vacinal?

R.: somente os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave, aqueles que necessitam de internação, são de notificação compulsória imediata para que sejam tomadas medidas sanitárias pertinentes. Aqui na Baixada Santista estamos com 91 suspeitos (casos de SRAG), sendo 17 casos confirmados para Influenza sendo 12 Influenza A (H1N1)pdm09; 1 Influenza A (H3N2);  3 Influenza A não subtipado e 1 Influenza B. ocorreram 5 óbitos, 4 por  Influenza A(H1N1)pdm09  e  1 por Influenza A não subtipado. (Fonte: Sinan influenza web – 06/06/2018)

No que se refere à cobertura vacinal, a meta do Ministério da Saúde é imunizar 90% da população-alvo, segundo os dados atualizados em 31 de maio de 2018 pelo Programa Nacional de Imunização, o percentual de cobertura vacinal aqui na Baixada Santista é de 61,03% do total da população-alvo, sendo: (36,9%) das crianças, (55,2%) dos profissionais de saúde, (40,03%) das gestantes, (87,39%) das puérperas, (132,8%) indígenas, (76,16%) dos idosos e (42,6%) dos professores, ou seja, ainda não atingimos a meta, o que nos traz uma preocupação pela chegada do inverno e por isso a prorrogação da campanha pelo Ministério da Saúde.

Alexandre Volpe e Priscilla Freitas são estudantes de medicina e fundadores da Liga de Medicina Legal da Unimes

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