Gastronomia 

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Tudo aquilo que se apresenta de modo especial, singular tem sua diferenciação no mercado, desta forma traz também a noção de um custo e preço diferenciado. Isto pode gerar a falsa ideia de que por ser caro é luxo.

Não é com o preço que associamos luxo, pode ser um carro, uma prestação de serviço ou uma estadia num hotel, enfim, o importante é que quem tem acesso a este Luxo perceba que está tendo uma experiência diferente e que não é apenas uma questão de preço.

Toda a ideia de luxo se acaba na hora que o único diferencial encontrado é um preço mais elevado.
Por isso, as marcas que desejam trabalhar neste mercado de luxo devem trazer algo a mais, e esse a mais hoje está em entregar um “conteúdo”, uma história bem convincente, pois o público é exigente.

Nossa sociedade convive com inúmeros materiais e tecnologias diferentes, nunca antes visto na história da humanidade. Isto torna para o consumidor, na maioria das vezes, impossível reconhecer os materiais utilizados e a forma como foram empregados.

(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

O simples fato do produto apresentar isto de modo estimulante, atrairá consumidores, principalmente permitirá que a marca se destaque no mercado por este diferencial.

Por exemplo, os arcos que se utilizam para tocar violinos são executados com madeira, e praticamente só existe um tipo de madeira que dá o melhor resultado, o nosso Pau Brasil. Já se tentou diversos outros materiais, inclusive alta tecnologia como a fibra de carbono. Mas, só o Pau Brasil dá o melhor resultado. O problema é que esta árvore que dá origem ao nome de nosso país, Brasil, está em extinção.

A árvore tem um corante muito raro avermelhado, muito utilizado pela nobreza desde sua extradição em 1.500.

Ouvir uma sinfonia com violinos é um luxo, mas se você souber que a fabricação de arcos contribui para a extinção do Pau Brasil, continuará sendo um luxo?

Lógico que não, e não se preocupem com os violinistas, eles são os mais preocupados com a preservação da espécie.

Luciana Ferraz, fotógrafa escreveu um livro junto com Otávio Juliano, O som do Pau Brasil: A árvore da Música, que contou com o apoio do Banco Fator. Neste livro eles contam este empenho para salvar a espécie, Haroldo Cavalcante de Lima pesquisador Chefe do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e diversos violinistas e violoncelistas do mundo todo apresentam o esforço e interesse em plantar árvores para salvar a espécie e preservar a música de qualidade.

Qualquer fabricante de arcos, seja da França ou Áustria ou qualquer outro lugar, saberá contar esta história.

Ao adquirir um arco de violino a pessoa está adquirindo uma história que explica sobre a extinção da árvore e que esse arco, fabricado artesanalmente, é especial e vem de fazendas de reflorescimento no Sul da Bahia, onde estão tentando retomar a mata atlântica, etc.

E o consumidor adquire além do arco o compromisso de levar esse conteúdo adiante, contar para outro, e assim associar a marca a algo único e singular.

Hoje, mesmo que você não compre um arco, saiba quando ouvir a orquestra sinfônica, você está ouvindo o som do nosso Pau Brasil.

saiba antes via instagram @revistamaissantos