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O cara do momento

Não tem para Neymar, Gabriel Jesus e companhia. O cara do momento no futebol brasileiro é Adenor Leonardo Bacchi ou, simplesmente, Tite. O gaúcho, de 55 anos, goza de prestígio com a torcida, jogadores e até demais técnicos e foi conduzido ao comando da seleção praticamente de forma unânime. O cala boca aos poucos críticos não demorou. Seis vitórias seguidas nas Eliminatórias Sulamericanas, algo inédito na história do futebol nacional para um treinador que estreava a frente da amarelinha. A vaga para Copa da Rússia em 2018, que antes estava ameaçada, pode ser confirmada com antecedência já nas próximas rodadas. Ele é ou não o bola da vez?

Tite assumiu a seleção de forma oficial em 20 de junho deste ano. Naquela época, o Brasil ocupava apenas a sexta colocação nas Eliminatórias, com 9 pontos ganhos, fora até da repescagem. Apenas seis duelos depois e a seleção ocupa a liderança da disputa com 27 pontos. Triunfos contra Equador (3 a 0), fora de casa e na altitude, Colômbia (2 a 1), Bolívia (5 a 0), Venezuela (2 a 0), a Argentina de e com Messi (3 a 0) e Peru (2 a 0) devolveram o prestígio ao futebol brasileiro. Concordo que é pouco tempo de trabalho e não podemos tirar conclusões precipitadas. Mesmo assim, esse início de trajetória merece ser exaltado, principalmente, porque o futebol apresentado esteve sempre no mesmo nível das atuações dos principais rivais mundiais da atualidade. 

Tite cumpriu todas etapas que um grande técnico necessita. Surgiu no Veranópolis, passou pelo Caxias e chegou ao Grêmio. Neste período já chamava atenção pelo excelente esquema defensivo de suas equipes. Seu primeiro grande título foi a Copa do Brasil de 2001. Na decisão, bateu o Corinthians de Wanderlei Luxemburgo, então campeão Paulista daquele ano, em pleno Morumbi. Estava no estádio e a organização tática dos gremistas se transformou em referência daquela conquista. Foi um banho tático no badalado Luxa, anulando com facilidade os pontos fortes do rival.

O amadurecimento profissional era evidente. Salvou o Corinthians do rebaixamento em 2004 e conduziu o time a uma posição de destaque no Brasileiro. Não deu certo no Palmeiras, ao contrário do que ocorreu no Internacional.  Voltou ao Timão na parte final do nacional de 2010. A vexatória eliminação na Pré-Libertadores de 2011 deu início a um dos períodos mais vitoriosos da história do Alvinegro de Parque São Jorge. Levantou a taça do Brasileirão daquele ano e, em 2012, a tão sonhada Libertadores e o Mundial. Em 2013 ainda garantiu o Paulistão e a Recopa Sulamericana.

Uma das melhores decisões de sua carreira foi transformar o ano de 2014 como um período sabático. Estudou, se capacitou e aperfeiçoou o que já dominava. Encontros e estágios com os principais treinadores do planeta, como o italiano Carlo Ancelotti, só comprovaram a humildade já que o caracterizava.

O ano de 2015 foi o divisor de águas. Implantou em sua volta ao Corinthians o sistema tático 4-1-4-1, comum já na Europa. Compacto na defesa e com triangulações, rápida troca de passes e mudanças de posição constantes no ataque, o Timão encantou e não encontrou dificuldades para chegar ao seu sexto título nacional. Armação ofensiva de sua equipe cresceu em eficiência. Tite se consagrou definitivamente. Ídolo dos corintianos e respeitado e aclamado pelos torcedores rivais. Algo difícil de conseguir no meio futebolístico.

Quando decidiu aceitar a proposta de treinar o Brasil, sabia eu era o momento certo e que estava preparado para o grande desafio. No melhor estilo ‘olho no olho’, em pouquíssimo tempo domou um grupo de jogadores de muita qualidade e mimados na mesma proporção. O intenso trabalho nos poucos treinos foi determinantes para as vitórias. No futebol, tudo pode acontecer. Mas com a competência, seriedade, liderança, humildade e vontade de vencer de Tite, o Brasil está mais perto do que nunca do Hexa. Independentemente do que venha pela frente, Adenor, você é o cara!

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