COLUNASMAIS SAÚDE

Os efeitos negativos do consumismo

Por Paulo Angelo Lorandi

O desenvolvimento econômico, sem sombra de dúvidas, trouxe melhorias na condição de saúde da sociedade. Mas esse desenvolvimento tecnológico tem um duplo caráter na qualidade de vida das pessoas. Se por um lado, existem muito mais recursos para o tratamento das doenças, por outro o desenvolvimento tecnológico é iatrogênico, ou seja, ele causa doenças. O consumo excessivo de anti-inflamatório tem provocado aumento nos casos de hemorragias gástricas e o uso indiscriminado de antibióticos gerou as “superbactérias” que não suscetíveis a nenhum medicamento conhecido.

Ao se pensar em melhorias na condição da saúde das pessoas, imagina-se que as pessoas terão maior capacidade de realizar aquilo que acreditam, em seu processo de autorrealização, do mesmo modo que terão mais força para enfrentar suas dificuldades. Porém, o consumo exagerado de toda essa tecnologia está alterando as condições do planeta. Alterações climáticas, a convivência da fome com a obesidade, violência explícita realizada de várias formas e contra todos, principalmente os mais vulneráveis, podem ser “sintomas” de um mundo doente causada pelo consumo sem nexo.

O ponto positivo é que a “cura” depende do comportamento da sociedade. O consumo tem de ser racional na escolha produtos comprados. Comprar adequadamente é uma contribuição voluntária, a ser realizada no dia-a-dia, que coletivamente traduzem resultados solidários de alta grandeza. Por insignificante que seja, comprar é um ato que envolve uma cadeia de ações com consequências definitivas ao meio ambiente e à saúde do coletivo.

Comprar bem é um estilo de vida que impede o trabalho escravo, por exemplo. Quantos marcas famosas que se utilizam de mão de obra infantil ou em condições insalubres. Isso acontece no Brasil e no mundo e pode ser evitado ao optar-se por marcas melhores. Pense antes de comprar, talvez nem seja necessário.

Quantos escândalos temos ouvidos de fabricantes de automóveis que têm burlado a legislação ambiental. Mas não são apenas as grandes marcas, mantenha o seu carro de modo a não ser um agente poluente. Ou reduze o barulho de sua moto, porque isso também é um fator insalubre, que causa danos objetivos (surdez) e subjetivos (sono interrompido).

Um terceiro fator que o consumo consciente, como estilo de vida, pode trazer em benefício para a saúde do coletivo é a condição do descarte. Preferencialmente, não descarte, reutilize. Se descartar, recicle. Comprar menos significa descartar menos, poluir menos, agredir menos a natureza e trazer mais qualidade de vida para você. Separe o lixo reciclável em sua casa e o dispense de forma razoável. A soma de muitas ações positivas gera resultados grandiosos e o inverso é verdadeiro. Por exemplo, o canudinho de plástico é um “nada” que tem trazido grandes danos à natureza. Deixe de usá-lo.

O Centro de Informações sobre Medicamentos (CIM), do curso de Farmácia da UniSantos, está disponível para solucionar suas dúvidas. O contato pode ser pelo e-mail cim@unisantos.br


Prof. Dr Paulo Angelo Lorandi, farmacêutico pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas-USP (1981), especialista em Homeopatia pelo IHFL (1983) e em Saúde Coletiva pela UniSantos (1997), mestre (1997) e doutor (2002) em Educação (Currículo) pela PUCSP. Professor titular da UniSantos. Sócio proprietário da Farmácia Homeopática Dracena.

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