COLUNASMAIS SAÚDE

Os malefícios da dependência química

Por Paulo Angelo Lorandi

Nos dias de hoje, vivemos uma grande crise na sociedade, que é o uso de drogas psicoativas. A despeito do reconhecimento da existência de causas sociais, pessoais e familiares para o uso dessas substâncias, não se pode deixar de levar em conta que determinadas substâncias são capazes de modificar o funcionamento cerebral e provocar a condição de dependência. Essa modificação é muito superior à vontade pessoal e ao poder de controlar a abstinência, daí a dependência poder retornar a qualquer momento.

O poder de desencadear dependência depende da mente da pessoa, mas também do tipo de droga que está sendo usada. Cocaína, e seus derivados (crack, por exemplo), e heroína são duas substâncias com alto poder de causar dependência, depois de poucas vezes de consumo. Mas qualquer substância psicoativa, mesmo quando usada com baixa frequência, traz algum tipo de impacto (biológico, social, familiar, etc.) na qualidade de vida.

O mecanismo biológico da dependência ocorre porque no cérebro existem mecanismos químicos e celulares de reforço positivo e negativo. O reforço positivo se dá em função da droga causar uma sensação de prazer, que não é apenas uma questão de gostar ou não. Esse reforço é devido a modificações orgânicas que fazem com que o corpo como um todo sinta-se confortável com aquele estado conseguido com o uso da droga. Esse mecanismo de prazer vale para outras situações, como comida, e não apenas drogas psicoativas.

Além disso, o organismo considera a substância psicoativa como estranha e se modifica para tentar diminuir seu efeito. É a chamada tolerância, quando o indivíduo necessita usar maior quantidade de droga para obter o mesmo efeito. Quando a concentração da droga diminui no organismo, vem a síndrome de abstinência, que é sofrida e pode ser pode ser muito intensa. Esse sentimento serve de reforço negativo para deixar de usar a substância.

Do ponto de vista do efeito no cérebro, as substâncias variam muito. Algumas drogas dão ao seu usuário a sensação de serem “normais”. Uma vez experimentada a droga e usada em longo prazo, o cérebro se modifica e nunca mais volta a condição original. Parte das estruturas orgânicas foram “destruídas” e só funcionam na presença da droga. Essas modificações fazem com que não suportem os fatores estressores e busquem as drogas.

Nesse contexto, a dependência às drogas é um transtorno crônico. Cada substância psicoativa apresenta diferentes mecanismos de dependência mas que também dependem da interação com fatores de vulnerabilidade individuais, como genéticos ou ambientais.

Centro de Informações sobre Medicamentos (CIM), do curso de Farmácia da Unisantos, está disponível para solucionar suas dúvidas. O contato pode ser pelo e-mail cim@unisantos.br
Prof. Dr Paulo Angelo Lorandi, farmacêutico pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas-USP (1981), especialista em Homeopatia pelo IHFL (1983) e em Saúde Coletiva pela Unisantos (1997), mestre (1997) e doutor (2002) em Educação (Currículo) pela PUCSP. Professor titular da UniSantos. Sócio proprietário da Farmácia Homeopática Dracena.


Para conferir mais posts da Coluna Mais Saúde, clique aqui.

Foto: Pixabay

saiba antes via instagram @revistamaissantos