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Pessoas pessimistas têm maior risco para problemas cardiovasculares

Por Paulo Angelo Lorandi

A despeito das concepções filosóficas ou psicológicas do pessimismo, os pessimistas têm mais um motivo para se chatear: essa forma de ver o mundo se traduz em mais doença e em vidas mais curtas. Recente estudo mostrou haver maior risco para problemas cardiovasculares entre aqueles que tem uma visão negativa da vida. Outro estudo mostrou que atletas otimistas apresentam melhores resultados dos que os demais.

Apesar de haver pesquisas apontando o componente genético do pessimismo, algumas investigações não conseguiram correlacionar o otimismo/ pessimismo dos pais com o mesmo sentimento dos filhos. Se geneticamente os pais passariam essa condição de percepção do mundo pela biologia, parece não haver a mesma influência social.

Por outro lado, a relação da visão pessimista da vida com depressão parece estar bem relacionada. Obviamente que a depressão não se limita ao pessimismo ou vice-versa, mas pode ser um sintoma de alerta para os que convivem com aquele emite esse sinal. Analisando-se dados científicos pode se chegar à conclusão que muitas pessoas que estão tomando medicamento antidepressivos, na realidade estão sendo medicadas contra o sofrimento e não no controle do estado depressivo. Nossa sociedade está sofrendo.

E nela, os idosos sofrem mais. Pesquisas revelam que metade dos idosos estão tristes e/ou têm uma visão pessimista da vida. Muitas explicações sociológicas poderiam ser aventadas e a mais recorrente é a de que vivemos em um mundo não colaborativo, individualista, focado na propriedade e não nas relações. Além disso, há um senso estético excludente, com o qual o envelhecer parece não combinar. Infelizmente, os medicamentos não são capazes de curar essa condição humana, pelo contrário, podem trazer mais prejuízos.

Há de se considerar, também, que o envelhecimento pode associar-se a ansiedade pela gradativa perda da autonomia e independência, por eventuais doenças associadas à idade ou pela ansiedade da chegada da morte. Ser pessimista parece agravar essas percepções tornando mais difícil o próprio envelhecimento. O passar dos anos precisa ser encarado com realidade, mas não com pessimismo. A certeza da morte não pode trazer tristeza.

Quando o pessimismo se apresenta mais pronunciado em determinadas horas do dia, há fortes correlações de que essa condição possa estar correlacionada com possíveis transtornos psíquicos que poderiam se agravar. Sabendo-se desse ritmo no humor é possível promover mudanças no estilo de vida introduzindo suporte ou atividades mais prazerosas de tal modo a não permitir a progressão do transtorno psíquico.

Centro de Informações sobre Medicamentos (CIM), do curso de Farmácia da Unisantos, está disponível para solucionar suas dúvidas. O contato pode ser pelo e-mail cim@unisantos.br

Prof. Dr Paulo Angelo Lorandi, farmacêutico pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas-USP (1981), especialista em Homeopatia pelo IHFL (1983) e em Saúde Coletiva pela Unisantos (1997), mestre (1997) e doutor (2002) em Educação (Currículo) pela PUCSP. Professor titular da UniSantos. Sócio proprietário da Farmácia Homeopática Dracena.


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Foto: Pixabay

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