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Porque ter ou não ter medo da febre amarela

Os dias de hoje têm apresentado uma situação caótica em relação à febre amarela. Há um medo real, porém desproporcional, de se tornar infectado pelo vírus da doença. Parte desse medo é derivado da absoluta falta de credibilidade que o poder público tem de controlar as crises, de todas as ordens. Porém parte desse medo é a falta de conhecimento científico básico que a nossa sociedade tem sobre as coisas. Nesse contexto, qualquer meia verdade se torna inteira.

A febre amarela é uma doença infecciosa causada por um vírus que, obrigatoriamente, tem de ser transmitida por um mosquito. Ela não passa diretamente entre as pessoas e muito menos pelo contato com os macacos. Esses estão sendo mortos pela ignorância. Oficialmente, a informação que temos é que todos os casos de febre amarela ocorridos no Brasil, recentemente, foram transmitidos porque há uma epidemia dessa doença entre os macacos.

Mosquitos específicos picam esses macacos, transmitem o vírus entre eles e, eventualmente, para pessoas que vivem em regiões próximas aos parques e bosques habitados pelos animais. Assim, se a pessoa vive em uma área estritamente urbana, sem contato com os macacos, dificilmente irá contrair a febre amarela, ao menos nesse momento.

Mas, as pessoas que vivem em regiões onde a febre amarela já se apresentou em humanos precisam ser vacinadas, porque o vírus estará no sangue do indivíduo infectado entre dois dias antes do aparecimento dos sintomas até cinco dias após seu aparecimento. Se essa pessoa for picada pelo Aedes durante esse período poderá infectar o mosquito e esse transmitir para outras pessoas.

Um medo real, porém, não imediato é a do vírus se tornar mais compatível com o Aedes. É sabido que esse mosquito é transmissor do vírus da febre amarela, entre outros, porém não com a mesma facilidade do que para as outras doenças (dengue, Zika e chikungunya). Outro medo talvez não percebido é porque está havendo essa epidemia entre os macacos. Pode ser explicado eventualmente porque já houve uma mutação do vírus ou que desastres ambientais (talvez o desmoronamento de Mariana) tenham propiciado maior contato entre os macacos e com isso facilitado a transmissão. O Estado brasileiro precisa estudar isso e impedir que aconteçam. Assim como desmatamentos com a destruição da cadeia alimentar e desequilíbrio do ecossistema.

 

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