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Qual escolher: açúcar ou adoçante?

Por Paulo Lorandi

Foto: Pixabay

No dia 26 de novembro de 2018, o Ministério da Saúde anunciou um acordo com a indústria alimentícia que assume o compromisso de reduzir a quantidade de açúcar dos alimentos processados. Essa medida visa reduzir o nível de obesidade no país e suas consequências como a hipertensão, dislipidemia e o diabetes. Essas doenças, chamadas em seu conjunto de síndrome metabólica, são as principais responsáveis por mortes e internações na sociedade moderna, causando três em cada quatro óbitos de brasileiros.

A associação do sedentarismo e da alimentação desequilibrada são as grandes causas da síndrome metabólica. E o açúcar simples, usado no processamento dos alimentos industriais é, isoladamente, um grande fator para o aumento de peso. Os alimentos processados, ricos em açúcar, reduzem a fome devido seu valor energético, mas não suprem o organismo dos nutrientes necessários que se perdem no processo industrial.

A percepção paladar é uma função nervosa que se modifica com a experiência. Quanto mais estimulada ela for, menos sensível ela se tornará com o tempo. Isso significa que quanto mais açúcar a pessoa usar em seu alimento, em função do tempo, menor será sua sensibilidade a esse estímulo, necessitando de mais açúcar para se sentir satisfeito. De certo modo, é possível crer em uma perversão dos sentidos, exigindo cada vez mais.

Os adoçantes artificiais são substâncias que produzem a sensação do adocicado sem ter a mesma carga calórica do açúcar em suas mais variadas formas e origens (pó ou melaço da cana, ou glicose do milho). De um modo geral, eles são seguros, mas não devem ser usadas por mulheres grávidas. Evidências mostram o risco de parto prematuro no consumo diário de alimentos adoçados artificialmente. Também aumentam a incidência de asma em seus filhos até os 7 anos de idade. Os adoçantes estão presentes em vários alimentos, mas é preciso atenção aos refrigerantes porque são consumidos em grande quantidade.

Apesar do uso de adoçantes apresentar baixo risco, cada vez mais evidências científicas apontam para possíveis danos em longo prazo. Uma linha de pesquisa tem mostrado que o uso regular de adoçantes pode alterar a microbiota intestinal, que se caracteriza pelo pool de microrganismos que convivem no intestino humano, que realizam uma série de benefícios ao corpo. A alteração da biota induzida pelos adoçantes pode aumentar o risco da obesidade, ainda que seja uma substância de baixa caloria.

Assim, o ideal parece ser educar nosso paladar para os sabores simples, sem o excesso de açucares, apreciando a variedade dos sabores naturais.

Centro de Informações sobre Medicamentos (CIM), do curso de Farmácia da Unisantos, está disponível para solucionar suas dúvidas. O contato pode ser pelo e-mail cim@unisantos.br
Prof. Dr Paulo Angelo Lorandi, farmacêutico pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas-USP (1981), especialista em Homeopatia pelo IHFL (1983) e em Saúde Coletiva pela Unisantos (1997), mestre (1997) e doutor (2002) em Educação (Currículo) pela PUCSP. Professor titular da UniSantos. Sócio proprietário da Farmácia Homeopática Dracena.


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