COLUNASMAIS SAÚDE

Vida na genética

Por Paulo Angelo Lorandi

O código genético determina as condições da vida, desde questões óbvias como um peixe sempre será um peixe até elementos bem mais complexos do ser humano. Ao se discutir as possibilidades do estudo do genoma, um tema está sempre presente: a clonagem humana. Segundo a Unesco, essa não deve ser permitida, conforme está estabelecido na Declaração Universal do Genoma Humano e dos Direitos Humanos de 1997. Mas cada país é livre e independente para formular suas próprias leis, então a discussão está posta.

As possibilidades para o uso das informações contidas no genoma são infinitas. Como na pecuária, que há muito se faz, o melhoramento genético traz a espécie animal com melhor rendimento, em menor prazo e com menos custos. O cinema já tem trazido muitas “aplicações” para o desenvolvimento genético e muitos deles são viáveis na prática laboratorial. Mas quais as implicações éticas e morais dessas realizações.

Muitas coisas boas podem ser feitas para melhorar o quadro da saúde da população. É sabido que muitas doenças têm componentes genéticos para o seu aparecimento. Determinadas doenças crônicas, como câncer, hipertensão, diabetes ou doença de Alzheimer têm marcadores genéticos. Pesquisá-los nos seres humanos permite tratar as doenças correspondentes antes do aparecimento dos sintomas. Tal procedimento ficou famoso em 2013, com a atriz Angelina Jolie, realizando mastectomia preventiva.

Por outro lado, como nem todas as pessoas têm poder aquisitivo para esse e outros procedimentos preventivos tão radicais e custosos, é preciso cuidado para que esses dados não limitem, por exemplo, o acesso a um emprego ou ao sistema de saúde complementar. Falta informação e discussão para a sociedade sobre o assunto.

Em 2007, o Ministério da Saúde promoveu uma série de encontros para saber se haveria alguma justificativa para que pessoas portadoras de uma determinada doença genética, a anemia falciforme, poderia ser discriminada para práticas esportivas e militares. Essa discussão surgiu porque a Confederação Brasileira de Vôlei impediu a convocação de uma atleta portadora da doença para a Seleção Brasileira em 2004. Do mesmo modo, que em 2002, uma atleta juvenil também foi impedida de prosseguir jogando. Essa doença é bastante comum na população brasileira. A conclusão do Ministério da Saúde foi de não há justificativa para tal discriminação.

Um filme mais antigo, Gattaca de 1997, já discute o aconselhamento de casais antes do casamento, mas de uma maneira bem mais radical, impedindo concepções naturais. Nos dias de hoje, é possível saber o risco de determinadas doenças graves afetarem os filhos de um casal. E quais as consequências que esse conhecimento poderá trazer à sociedade?

Centro de Informações sobre Medicamentos (CIM), do curso de Farmácia da Unisantos, está disponível para solucionar suas dúvidas. O contato pode ser pelo e-mail cim@unisantos.br

Prof. Dr Paulo Angelo Lorandi, farmacêutico pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas-USP (1981), especialista em Homeopatia pelo IHFL (1983) e em Saúde Coletiva pela Unisantos (1997), mestre (1997) e doutor (2002) em Educação (Currículo) pela PUCSP. Professor titular da UniSantos. Sócio proprietário da Farmácia Homeopática Dracena.


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Foto: Pixabay

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