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Diego Brigido

Diego Brigido: Impactos do coronavírus no turismo podem chegar a 2021

Por Diego Brígido | @dibrigido

O turismo √© uma atividade extremamente sens√≠vel a fatores externos, e sofre os impactos de crises econ√īmicas, sociais e de sa√ļde, quase que imediatamente. Como ind√ļstria, a atividade ajuda a distribuir renda, promovendo um fluxo constante de pessoas pelo globo, gerando neg√≥cios e oportunidades, tanto para grandes corpora√ß√Ķes quanto para pequenos empreendimentos.

Estamos falando de um segmento que, de acordo com pesquisa do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC, na sigla em ingl√™s) e da Oxford Economics, respondeu, em 2018, por 10,4% de toda a atividade econ√īmica do planeta; empregou uma em cada cinco pessoas, desde 2014, e movimenta US$ 8,8 trilh√Ķes ao ano.

Pasmem! Se fosse um pa√≠s, o turismo s√≥ ficaria atr√°s dos EUA, que movimenta US$ 20,6 trilh√Ķes e da China, com US$ 11,5 trilh√Ķes ao ano.

Tudo isso depende, no entanto, do interesse do visitante em viajar ‚Äď se n√£o h√° viagem, n√£o h√° receita. E, claro, o interesse na viagem est√° diretamente ligado a qu√£o seguro o viajante se sente para adentrar um outro territ√≥rio. E √© a√≠ que voltamos √† sensibilidade da atividade tur√≠stica. √Č a√≠ que precisamos falar sobre o surto do novo coronav√≠rus – j√° considerado como pandemia, pela Organiza√ß√£o Mundial de Sa√ļde (OMS).

Os n√ļmeros n√£o param de crescer

[Provavelmente at√© o final dessa mat√©ria, os n√ļmeros j√° tenham mudado] O surto crescente causado pelo Covid-19, com origem na China, vem causando estragos na economia mundial e, sobretudo, no turismo. Na lacuna de tempo existente entre a expans√£o do cont√°gio pelo v√≠rus e a profilaxia do mesmo, o desastre pode ser enorme, ainda mais quando falamos de uma atividade extremamente sens√≠vel.

J√° s√£o mais de 127 mil casos do novo v√≠rus em cerca de 115 pa√≠ses e territ√≥rios, de acordo com a ag√™ncia Reuters; a China lidera com mais de 80% dos contagiados (embora, no √ļltimo dia 12 tenha declarado o fim do surto no pa√≠s). A It√°lia, que concentra o maior n√ļmero de casos na Europa, tem mais de 9 mil infectados, quase 500 mortos (mais de 3500 pessoas morreram em todo o mundo) e, na √ļltima segunda, 9 de mar√ßo, o governo decretou quarentena em todo o pa√≠s, restringindo a entrada e sa√≠da de pessoas.

No Brasil, de acordo com o Minist√©rio da Sa√ļde, s√£o 930 casos suspeitos (at√© 12 de mar√ßo) e 60 confirmados. O que mais assusta com rela√ß√£o ao novo coronav√≠rus √© a velocidade de cont√°gio, que deixou ‚Äėno chinelo‚Äô as epidemias recentes, como SARS e H1N1.

E o turismo?

O turismo, obviamente, tem sido o setor mais afetado com a epidemia do coronavírus. Além dos destinos de férias, festas populares e viagens de negócios também são fortemente prejudicadas.

Os cancelamentos de viagens a√©reas e cruzeiros mar√≠timos crescem diariamente, em um ritmo assustador. Ningu√©m quer estar perto do surto ou correr o risco de viajar saud√°vel e voltar doente. Algumas companhias a√©reas, redes hoteleiras e armadoras mar√≠timas est√£o remarcando viagens, alterando destinos ou cancelando, sem preju√≠zo para os clientes ‚Äď talvez assumindo poss√≠veis danos, outras cobram multa e n√£o ressarcem os viajantes. No Brasil, de acordo com a Associa√ß√£o Brasileira das Ag√™ncias de Viagem (ABAV), cada ag√™ncia est√° tratando individualmente os casos. Mas, ainda segundo a associa√ß√£o, as pol√≠ticas de remarca√ß√£o n√£o s√£o das ag√™ncias de viagens e, sim, das companhias a√©reas, hot√©is, locadoras de autom√≥veis etc, e que tem pedido aos fornecedores que n√£o estabele√ßam multas para os casos de remarca√ß√£o de viagem.

O turismo corporativo também tem sofrido as consequências. Na Europa, eventos que atraem milhares de pessoas todos os anos foram cancelados ou adiados. O Salão do Automóvel de Genebra, por exemplo, que celebraria sua 90a edição, foi cancelado às pressas, já com a feira praticamente montada. A ProWein, maior feira de vinhos do mundo, na Alemanha, que aconteceria entre 15 e 17 de março e esperava receber mais de 60 mil visitantes, foi adiada, sem previsão de acontecer.

Congressos, feiras e conven√ß√Ķes representam os maiores or√ßamentos do turismo de neg√≥cios, j√° que re√ļnem milhares de participantes. Portanto, os impactos com os cancelamentos s√£o ainda maiores que aqueles causados pelo turismo de lazer.

A realidade, no entanto, √© que os dois tipos de turistas est√£o desistindo de viajar (lazer e neg√≥cios). A Associa√ß√£o Internacional de Transportes A√©reos (IATA), que representa as 290 maiores companhias do setor, estima, com isso, um preju√≠zo de cerca de U$ 29,3 bilh√Ķes em 2020. De acordo com a IATA, quase 50% dos clientes deixaram de voar e a maioria exige o ressarcimento pelo cancelamento.

Desde o início do ano, a rede de hotéis Marriott fechou 90 unidades na China e, em fevereiro, a receita por quarto, da rede, caiu 90% em relação ao mesmo mês de 2019.

A estimativa de especialistas √© que a crise provocada pelo surto traga efeitos a longo prazo e se prorrogue at√© 2021. S√≥ na It√°lia, os preju√≠zos no turismo devem chegar em 5 bilh√Ķes de euros no primeiro semestre deste ano.

No Brasil…

O governador de S√£o Paulo, Jo√£o D√≥ria, em entrevista na √ļltima segunda-feira, 9 de mar√ßo, afirmou que o Brasil ainda n√£o foi afetado pela epidemia e que, por isso, n√£o h√° motivo para p√Ęnico. Segundo ele, as autoridades sanit√°rias t√™m feito um forte trabalho de controle nos portos.

No entanto, ainda que o coronav√≠rus n√£o tenha se alastrado pelo pa√≠s, como no resto no mundo, sobretudo na China e na It√°lia, o impacto na ind√ļstria do turismo nacional j√° pode ser sentido, sem previs√£o de que um novo horizonte se descortine.

(Fotos: reprodução)