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- INVIS√ćVEL -

O Rio e seu recorrente suicídio urbano

Chega de associar caos com alegria. Chega de achar que extrovers√£o √© desorganiza√ß√£o. Chega de mega blocos corporativos. Chega de destruir a reputa√ß√£o do Rio, lucrar com espa√ßo p√ļblico e deixar a sujeira para os outros limparem. Chega.

Produtores de festas, promoters de mega-blocos e de eventos privados mandam na cidade do Rio de Janeiro sempre com a defesa de que trazem recursos para a cidade. Mentira. Festas/blocos fechados, cercadinhos no r√©veillon, mega-blocos no espa√ßo p√ļblico s√£o opera√ß√Ķes de MARCAS.
Estas marcas, brands, neg√≥cios, produtos, e suas celebridades, agentes, executivos, etc. ganham muito dinheiro e n√£o trazem tantos benef√≠cios p√ļblicos. Ou s√£o eventos de consuma√ß√£o fechada ou funcionam com operadores exclusivos. S√£o eventos para convidados. S√£o eventos de massa para veicular produtos e consumo. Nem criam tantas oportunidades, nem tantas divisas trazem. Isso virou uma praga no Rio. Recursos p√ļblicos s√£o disponibilizados para organizar e montar tais ‚Äúfestividades‚ÄĚ.

√Č uma ideia de desenvolvimento tur√≠stico totalmente equivocada pois √© baseada no CONSUMO da cidade e n√£o na imers√£o na urbanidade do Rio. √Č a l√≥gica da cidade √† venda ao inv√©s da promo√ß√£o da cidade que acolhe, estimula e fornece cultura.
Marcas e promoters lucram muito. E se o evento d√° errado, como aconteceu hoje no Bloco da Favorita, o √īnus √© todo p√ļblico.
Desordem, quebra-quebra, destrui√ß√£o de patrim√īnio e o caos no espa√ßo p√ļblico s√£o DANOS √Ä REPUTA√á√ÉO DO RIO que geram desinvestimentos, afastam visitantes e consolidam a fama de cidade decadente e sempre em DESORDEM.

Lembremos o caos do carnaval de 2018 e suas imagens de inferno urbano que motivaram a interven√ß√£o federal na seguran√ßa p√ļblica da cidade.

Cariocas precisam abandonar o discurso f√°cil de farra e algazarra e exigir mais ordem na alegria pois √© poss√≠vel. Minist√©rio p√ļblico precisa investigar a rela√ß√£o entre promoters poderosos, marcas e autoridades p√ļblicas.

A imagem do Rio √© muito preciosa e cada segundo de caos urbano vai circular pela imprensa do pa√≠s e do mundo. Melhorar uma reputa√ß√£o urbana √© muito dif√≠cil e leva tempo. Estas marcas privadas lucram e a marca p√ļblica ‚ÄúRio‚ÄĚ √© destru√≠da.

O carioca precisa refletir. Basta de nos vangloriarmos de vivermos num lugar ‚Äúda beleza e do caos‚ÄĚ. √Č um comportamento urbano suicida.

Copacabana é o bairro da cidade com a maior concentração de população idosa, então por que todo mundo quer fazer foto aérea dos seus eventos na paisagem do bairro, mas ninguém quer cuidar ou conservá-lo?
A festa deles acabou e a bagunça agora é nossa.
Chega de confus√£o no Rio. Chega de achar que extrovers√£o √© sin√īnimo de desorganiza√ß√£o.

Não somos uma cidade de final de semana; somos uma metrópole com história de séculos e que precisa funcionar bem todos os 365 dias do ano.

Por Washington Fajardo