Porto 

Quase um ano após firmar parceria com o Porto de Roterdã, o Porto do Pecém já começa a colher bons frutos do acordo com os holandeses. Segundo Duna Uribe, diretora executiva Comercial do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp S.A), pelo menos três pontos principais marcaram o período: a integração do Porto com a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) e o Complexo Industrial, os novos negócios e mudanças em processos.

“A gente tem focado em organizar a casa e, hoje, a Cipp está passando por um momento de integração, ou seja, de expansão do escopo da antiga Cearáportos, olhando para o Complexo Industrial e agregando a ZPE, que é 100% subsidiária da Cipp S.A. Foi um ano de muitas mudanças. Nós estamos fazendo mapeamento de processos, nos profissionalizando, colocando indicadores de performance dentro da empresa e tendo uma abertura entre Roterdã e Pecém para a gente alavancar o know how deles aqui”, afirma ela, que participa até hoje do XIV Seminário Internacional de Logística (Expolog), no Centro de Eventos.

A diretora executiva ainda diz que o ano também foi um período de melhorias internas, como no Departamento Comercial, onde lidera. “Nós fizemos uma segmentação onde cada tipo de carga tem uma pessoa responsável por aquele segmento, se tornando um especialista. Temos uma pessoa para o segmento eólico e renováveis, de contêineres, granéis sólidos, entre outros”.

A Zona de Processamento de Exportação ganhou neste ano uma atenção especial dos novos acionistas. Uribe destaca a criação de uma gerência de novos negócios industriais e ZPE. “Nós vamos lançar a expansão da ZPE 2, então isso quer dizer que teremos mais infraestrutura para as empresas exportadoras que podem aproveitar os benefícios”.

Uribe afirma também que a Cipp S.A está se preparando para grandes investimentos em infraestrutura. Ela cita o parque de tancagem e a conclusão da Transnordestina. “A gente está numa fase de muita transição para novos mercados que vão totalmente mudar o perfil do Porto e do Complexo. Nós estamos nos preparando para grandes investimentos, como o parque de tancagem e o projeto da Transnordestina com o terminal de granéis, térmicas, entre outros”, reforça.

Segundo ela, a chegada da Transnordestina vai proporcionar aumento da inter-lândia – zona de influência terrestre que cada porto possui. “A infraestrutura gera desenvolvimento e a ferrovia viabiliza novos mercados, que até então não foram pensados, como a interiorização de combustíveis por ferrovia, importação de fertilizantes por modal ferroviário”.

A Cipp S.A tem concentrado esforços em fazer o projeto da Transnordestina se tornar realidade. “A nossa atuação é muito mais voltada ao terminal marítimo da Transnordestina. Porém, uma coisa está conectada a outra. A concessão da ferrovia é uma condicionante para nós termos um terminal dela lá. Temos toda uma interlocução com o Governo Federal para acompanhar a concessão”, ressalta.

Resultados

Na opinião de Uribe, ainda é cedo para dizer se a parceria com Roterdã já está surtindo efeitos na movimentação de cargas do porto. A executiva reforça que muitas mudanças foram implementadas, mas o sucesso dos resultados ainda é efeito das medidas implementadas pela Cearáportos.

“Em termos de movimentação, a gente espera finalizar o ano com aumento de 5% a 8% de carga, em termos de toneladas movimentadas. Acho que ainda é fruto da gestão passada “, pondera.

Um dos resultados da parceria é a nova linha do Pecém aos portos do Mediterrâneo da MSC. “Ela começou a operar neste ano e nós estamos trabalhando para atrair uma nova linha com uma conexão direta para a Ásia. Esse é o nosso foco comercial na parte de conectividade marítima”.

Para Daniel Soares, gerente da MSC, os resultados das duas rotas que a operadora tem no Pecém são positivos. Ele diz que as oportunidades para abrir uma nova rota para a Ásia estão sendo observadas. “Hoje, abriu-se o mercado de frutas para a China e isso é importante. Claro que estamos antenados e observando esses espaços para quem sabe trabalhar essa linha”.

 

 

Fonte: Portos e Navios

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