Porto 

Fotos: Isabella Graça

Por: Alexandre Piqui

Já são cem dias de uma gestão completamente renovada no Porto de Santos. Neste curto período a equipe da Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo) comandada pelo presidente Casemiro Tércio Carvalho enfrenta vários desafios. Entre eles mudar a imagem manchada por denúncias de corrupção dos antigos gestores.

José Alex Oliva, ex-presidente da Codesp preso na Operação Tritão

Operação Tritão

Em outubro do ano passado a Companhia foi alvo de uma operação deflagrada pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria Geral da União, o Tribunal de Contas da União, a Receita Federal e o Ministério Público Federal. Sete pessoas, entre elas empresários, agentes públicos e o ex-presidente José Alex Botelho Oliva (foto) foram presas. Na época 21 mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas cidades de São Paulo, Santos, Guarujá, São Caetano do Sul, Barueri, Rio de Janeiro, Fortaleza e Brasília.

A Operação Tritão teve como objetivo investigar uma organização criminosa. Era um verdadeiro cartel que fraudava licitações em contratos de serviços de informática, consultoria e dragagem para a empresa. Os desvios, de acordo com a PF, totalizaram R$ 37 milhões de reais.

O esquema foi desmontado depois de que um vídeo gravado em 2016 por um assessor da presidência chegou as mãos dos procuradores do Ministério Público Federal. O inquérito foi aberto novembro de 2017. Era o início de uma mudança no alto comando da Codesp. E muito mais que isso: a transformação no modo de administrar a estatal.

Novo presidente da Codesp

Casemiro Tércio Carvalho é engenheiro naval formado pela Escola Politécnica da USP. Fora do país fez pós-graduação em business na Espanha. Na bagagem portuária tem no currículo a presidência do Porto de São Sebastião e a diretoria geral do departamento hidroviário. Teve também uma passagem pelo órgão ambiental, onde acredita ser fundamental para qualquer gestor. Depois de sair de São Sebastião montou um fundo de investimentos com outros 14 sócios voltada a área de infraestrutura.

No dia 25 de fevereiro de 2019 o Conselho de Administração (Consad) da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) aprovou a nomeação do engenheiro para ocupar o cargo de diretor-presidente da companhia.

Cem dias de gestão

No auditório da empresa, Carvalho apresentou os resultados até o momento. Durante uma hora ele falou sobre os desafios e principalmente o combate a corrupção. “Não existe compromisso com o errado”, diz o presidente. Pra isso foi definido uma cláusula anti-corrupção em todos os contratos. O gestor portuário acredita que o sucesso de uma nova dinâmica de trabalho vem através da mudança cultural de todos os envolvidos.

Nessa reorganização administrativa a diretoria pretende projetar a imagem do Porto de Santos a âmbito internacional. Isso, segundo ele, pode alavancar o crescimento financeiro. Claro, tudo vai depender do cenário econômico nacional nos próximos anos.

Ameaças

Com uma administração mais moderna a nova diretoria ainda precisa enfrentar muitos obstáculos herdados do passado. As judicializações de contratos, os clientes inadimplentes e o Portus (Sistema Previdenciário complementar dos trabalhadores portuários). São quatro mil famílias beneficiadas em Santos. Só que existe um rombo no país que gira em torno de R$ 3 bilhões. A Baixada Santista é responsável por 50% desses assegurados. A Codesp busca negociações junto a vários órgão pra resolver este problema.

Futuro

Com as renegociações de contratos foi possível economizar cerca de R$ 5 milhões. O primeiro quadrimestre resultou em lucro de R$ 68 milhões. O melhor índice dos últimos dezoito anos. E se há recursos entrando em caixa dá pra projetar o futuro. A ideia é melhorar os acessos ferroviários internos, diminuir filas de navios usando tecnologia, cuidar do patrimônio cultural e histórico do porto. Enfim, fazer com que o Porto de Santos seja ainda mais competitivo; gerando lucro e empregos.

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