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Por Isabel Franson

Seja na pauta da rua ou no mais badalado evento social, Vera Leon é da escola dos que prezam pela informação. Repórter de um tempo em que as redações só tinham um telefone fixo, se muito, a jornalista acredita que os valores legítimos da profissão são das poucas coisas que não mudaram (e não podem mudar) na atual realidade de celular e internet.

“A gente saía com aquele gravador enorme, pesado, trambolho. Tinha de ir até o lugar, até a fonte. Apurar, observar… Hoje em dia é muito difícil de ver isso. Com qualquer aparelhinho pequeno você entrevista, fotografa, edita, publica… Não tem mais de ver com seus próprios olhos. E esse é um grande empecilho, creio eu, de produzir um material diferenciado, espetacular”.

Formada em 1974, a jornalista teve inúmeras idas e vindas nos mais tradicionais veículos da região. Mudanças, segundo ela, extremamente relacionadas ao momento da vida em que se encontrava e que, inevitavelmente, refletiam em seu jeito muito particular de colocar as palavras no papel. “Fui estagiária, repórter, editora… Com o tempo, a gente amadurece, nosso texto evolui. É normal. Uma coisa é começar com 20 anos. Outra, é ter 40; ter casado, descasado, tido filhos. Sua visão de mundo é transformada. E isso, obviamente, influencia no modo de escrever”.

Com experiência mais recente no nicho de eventos, Vera Leon é a nova colaboradora da Mais Santos nas páginas de coluna social. “Assim como todas as outras áreas do Jornalismo, é um setor onde também existe muita informação. A ideia não é só publicar as fotos de determinada festa e quem esteve presente. Vamos encontrar personagens… Falar de quem faz acontecer, de quem faz a roda da sociedade girar”.

De público exigente tanto quanto a própria jornalista, Vera ratifica a importância de incluir na coluna social da Revista Mais Santos histórias exclusivas e especiais, encontradas por um olhar apurado, fruto de 45 anos de profissão. “O rapaz que viaja para o Pantanal atrás da foto da índia de uma determinada tribo… Ele não merece estar na coluna? Sendo famoso, ou não, não fosse por ele a gente nem veria aquela imagem. E isso é muito relevante. É esse tipo de coisa que eu acredito chamar a atenção de quem já tinha o hábito de ler a coluna e quem vai passar a se interessar a partir de agora”.

Jornalismo e carreira

Graduada na Faculdade de Comunicação Social de Santos (Facos), a Vera Leon dos anos 1970 era uma jovem que buscava desafios. “A gente vinha de um período difícil na política brasileira e internacional. Um momento forte de correspondentes, no qual eu tinha como ídolo a pessoa e o trabalho de Oriana Fallaci, por exemplo, repórter incrível de conflitos e guerras. Jornalismo era um ofício idealizado, romantizado… Nós chegávamos na redação sempre querendo pegar uma grande pauta, fazer uma grande matéria, meter-se em aventuras… Era isso que nos movia”.

Mesmo sem ter feito coberturas de guerra, Vera viveu suas grandes aventuras aqui mesmo, no jornalismo praticado com empenho e veracidade nos jornais A Tribuna e Cidade de Santos. Para uma pauta sobre a Laje de Santos, passou semanas em um curso de mergulho. Em outra oportunidade, viajou à França para cobrir a inauguração dos parques da Disney na Europa. “Lauro Tudino, consagrado editor de Turismo, me chamou e perguntou ‘passaporte tá em dia?’ (risos). ‘Você vai numa fantour de jornalistas ao lançamento da Eurodisney, em Paris’. É claro que eu só tive três dias para dar jeito em tudo”.

Dentre as pautas de maior orgulho de sua carreira, está uma que foi uma conduzida de forma independente, sem apoio de qualquer editoria. O assunto, meninos e meninas de rua em Santos. “Ofereci para um caderno, não botaram fé. Tentei em outro, ficaria para depois… Mas como era uma coisa que eu queria muito, segui mesmo assim”.

 Por conta própria, sem saber se o material seria aproveitado, Vera saía depois do trabalho, levando na bolsa gravador, bloquinho e caneta, no estilo mais exato do jornalismo raiz.  “Ia atrás deles ali no pé do Monte Serrat, conversava… Achei que iam relutar a se abrir, mas consegui. Conquistei sua confiança. Nesse caso, crianças tão ariscas, muitas que haviam saído de casa por não querer seguir regras, ou cuidar de mais cinco irmãos… A relação com eles funcionava como um ‘namoro’. Tive de ir ‘paquerando’, jogando um charme. E quando eles finalmente se abriram, contaram tudo”.

Escrita e apurada, a pauta cresceu. A jornalista conheceu profissionais envolvidos com a educação dessas crianças e despertou um foco sobre a vida nas ruas. Mundo, muitas vezes, até hoje, ignorado e esquecido. “Depois de pronta, todos queriam publicar”, ri. “Mas saiu no caderno que eu editava mesmo, Variedades. Três páginas de texto. Sendo a capa, lembro até hoje, uma foto com uma menino dormindo ao relento bem na frente do Mercado Municipal e o título ‘Dorme anjo, a rua vai te ninar’”.

Evolução constante

Em 2015, Vera revolucionou o colunismo social com informação e elegância. Know-how que agora passa a agregar ao conteúdo semanal da Revista Mais Santos. “Busco estar sempre me atualizando, aprendendo… Fiz curso de constelação familiar e psicologia analítica jungiana. Comecei um grupo de mentoria na Pinacoteca, que está crescendo demais. Há pouco mais de dois anos, criei um canal sobre sonhos no YouTube, rede que eu mesma administro e já passa de 2 milhões de visualizações”.

Com a chegada de Vera, a Mais Santos também vai mudar. A partir da próxima semana, a Santos Online – edição semanal de domingo – ganhará cara nova, mais moderna, e terá formato de revista digital em tamanho standard. Além da reportagem de capa e colunas, a publicação trará páginas de turismo e um conteúdo ainda mais caprichado. Tudo isso especialmente para você, leitor, que nos acompanha diariamente no portal de notícias e nas redes sociais.

A nova Santos Online mais completa e atualizada você confere aqui, a partir do próximo domingo.

Até lá!

saiba antes via instagram @revistamaissantos