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Delgado Pios e a luta pelo incentivo às bandas e fanfarras

Por Stephanie Lia

Foto de capa: Liliane Souza

A edição online da Mais Santos traz na capa o vice-presidente da Associação de Bandas e Fanfarras do Litoral Paulista (AFABAN), Delgado Nunes Pios. Na entrevista, ele fala sobre a importância dos movimentos de bandas e fanfarras e conta quais são as principais dificuldades em resgatar esse tipo de cultura – que muitas vezes é associada apenas aos desfiles de 7 de setembro. Confira:


A AFABAN foi fundada na década de 90. Qual o principal objetivo da associação?

O principal objetivo é resgatar as culturas de bandas e fanfarras no estado, começar de novo o trabalho de bandas que estavam paradas há muitos anos. A principal dificuldade é fazer um amparo público porque não tem mais público para acompanhar as bandas, incentivar as crianças e o apoio de governos e diretores de escolas.

Quando se fala sobre bandas e fanfarras, é comum que as pessoas façam associação aos desfiles de 7 de setembro?

Isso veio porque elas foram criadas para isso, mas as bandas acontecem e desenvolvem trabalho o ano todo, aí chega o dia 7 de setembro, a diretora fala que quer a banda, mas a banda não é só para esse dia. Elas não precisam ficar estagnadas no 7 de setembro.

Na década de 1970 era muito mais forte isso, principalmente aqui na Baixada. Santos era considerada a capital das bandas do país. Hoje isso se extinguiu. São só 10 bandas; até recentemente eram 32. Elas foram se acabando e agora, nós com a frente parlamentar, estamos retornando um pouco com as bandas.

Quais as cidades do litoral que contam com as bandas e fanfarras mais estruturadas?

As mais estruturadas são as de Cubatão, São Vicente, Santos, Itanhaém, Peruíbe, Bertioga e Guarujá.

Quais os pré-requisitos para participar?

Força de vontade. Basta participar de uma banda e inscrever o grupo. A gente divulga nos editais, eles chegam e participam do concurso.

Vocês permitirem que as escolas levem coreografias serve para atrair mais público?

Sim. Há muitas crianças que querem participar, mas não querem tocar. Então elas veem as outras crianças dançando, fazendo acrobacias, e falam que também querem.

A associação conta com o apoio de algum órgão do poder público?

A AFABAN vem de um trabalho da Lei de Incentivo à Cultura. Nós conseguimos, desde o ano passado, esse apoio do governo do estado, por isso está acontecendo em todo o estado esse retorno das bandas.

Como o senhor analisa a visibilidade de bandas e fanfaras no litoral?

Não só no litoral, mas o que a gente tem visto desse retorno na baixada, muitas escolas têm vindo para saber o que é preciso para montar uma banda, quais instrumentos precisa, onde consegue, e isso vem fomentando aquilo que era o nosso objetivo.

Qual a importância de valorizar e resgatar a cultura das bandas e fanfarras?

É uma formação muito prática de resgatar o estudo musical. O camarada chega, muitas vezes sem saber nada de instrumento, e se desenvolve. Hoje eles tocam em orquestras, em bandas militares, e têm uma formação básica de graça porque não precisa pagar nada para tocar na banda.

Quais os projetos para o futuro da associação?

Estamos com a ideia de desenvolver mais projetos, já que agora temos o apoio de 20 deputados. Essa frente foi criada pelo doutor Godinho e queremos que isso se espalhe pelo Brasil. Nós temos contatos com outras federações e isso tem fomentado outras instituições. Nós estamos querendo chegar junto com o Ministério da Cultura e a Funarte para mudar esse conceito que hoje se tem de bandas e fanfarras. Temos visto que esse ano as coisas têm melhorado muito, mas não queremos que isso pare; queremos que continue crescendo e que mais crianças e mais jovens procurem a música. Brasileiro tem muita mania de imitar americano e isso é forte lá, então por que não procuramos imitar o que é bom lá, desde as escolas até as universidades federais?! Isso é muito forte lá e aqui no Brasil está muito fraco. A gente luta para conseguir mudar isso.

Fotos: Silvia Barreto



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