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Fabian Beraldo, o DJ das antigas que se encontrou em Santos

Por Bruna Faro e Marcelo Bragança

Fotos: Isabella Graça

Trabalhar na indústria musical parece algo glamoroso. Porém o caminho é árduo e nem sempre existe um reconhecimento por aqueles que dão duro para fazer um bom trabalho. O DJ e empresário Fabian Beraldo, concorda que conquistar espaço não é fácil, ainda mais atualmente, com novas formas de tecnologia que ajudam os mais inexperientes.

Trabalhando nesse meio desde os anos 70, Fabian é de São Paulo mas encontrou seu público no litoral, mais especificamente, em Santos. O DJ inaugurou na cidade o lounge disco bar, Ta Matete, segundo ele “a Casa do verdadeiro flashback”. Descontraído, de personalidade forte e com o repertório eclético, Fabian conversou com a Mais Santos sobre sua experiência, o mercado de trabalho e seu grande amor, ser DJ.

Como você enxerga a profissão de DJ há pelo menos 3 décadas atrás, quando começou a discotecar e nos dias atuais?
Na minha visão, a profissão DJ mudou muito. Antigamente o DJ era responsável por trazer novidades para a pista de dança. Seja música nova ou Flash Back em versões remix, porém eram músicas de verdade. Hoje todo mundo é DJ, basta ter um pen drive, baixar as músicas do YouTube e pronto, virou DJ sem conhecimento algum musical. Naquela época ou você sabia ou não! Não existia pen drive gravado como muitos famosos tocam por aí.

Quais foram as principais mudanças que ocorreram dos anos 70 até o presente ano?
Comecei a discotecar profissionalmente com 14 anos. Em 1982 e em 1984 entrei na minha primeira casa noturna como DJ residente, sob autorização do meu pai e assim fui introduzido à noite, literalmente. Dos anos 70 até hoje são tantas as mudanças que eu iria ficar escrevendo um texto sem fim. Mas uma coisa que eu sinto falta lá do passado é que o público dançava o que a gente tocava e nos dias de hoje eles querem sempre as mesmas músicas. Quando tocamos algo diferente, eles param de dançar ou saem da pista. No meu caso que toco flashback é um pouco pior, pois tenho um leque enorme de canções, mas nem sempre posso usar. Querem escutar apenas 3 minutos de cada uma.

Acredita que, em geral, as casas noturnas, ainda tem preocupação com a contratação dos DJS nas festas?
Hoje sou proprietário e DJ da minha casa, mas já passei por muita coisa. Atualmente a maioria dos donos de clubes e eventos estão mais preocupados em pagar um cachê lamentável. Investem alto em propaganda. decoração, etc… E não se preocupam com o DJ que é a alma de tudo.


Como enxerga a questão dos famosos “DJS” de notebook nas baladas? Acredita que, com esta prática, há a desvalorização da profissão?
Como disse na primeira pergunta. Essas pessoas que não tem conhecimento musical, usam artifícios duvidosos para tocar e ainda dizem ser Dj’s banalizaram nossa profissão. Artistas, modelos, etc…. Todo mundo virou DJ. Pōe as famosas Technics MK2 (toca discos) na mão deles para ver o que acontece.

 

Quais são os cuidados que um contratante tem que ter ao chamar um DJ para o seu evento? O que tem que ser levado em consideração?
Primeiro tem que saber a história do DJ. Segundo tem que saber se o profissional toca o repertório que ele deseja. Terceiro tem que ver se o contratante quer um DJ de verdade ou um desses que citei acima. O DJ certo pode fazer sua festa ser a melhor de todas,mas o errado pode acabar com sua festa.

 

Você é de São Paulo e recentemente, abriu uma casa noturna em Santos, a Ta Matete. Como está sendo a experiência?
Sinceramente fiquei muito surpreso na diferença que é tocar em São Paulo e aqui em Santos. Não imaginava que o gosto musical seria tão diferente,mas logo percebi nas primeiras semanas, agora já estou me adaptando com o funcionamento daqui e mantendo meu projeto musical. Hoje acrescentei músicas no meu repertório que não tocava antes e o público está respondendo muito bem. A casa fica animada a noite toda.

 

Mesmo com muitos anos de trabalho, ainda dá frio na barriga antes de tocar para o público?
Não digo que dá um frio na barriga, o que me dá é a vontade de fazer o público dançar, cantar, mão para cima,etc… Fico emocionado e vibro com tudo isso. Amo ser Dj. Mesmo como empresário não consigo largar os toca-discos! Ser Dj está no meu sangue.

 

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