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Inspirações e planos futuros da surfista Gabrielle Muntaner

Por Lucas Leite
Fotos: Divulgação

Nada melhor do que fazer o que se gosta, e a Gabrielle Muntaner, de 12 anos, já ama o surf. Dedicada e talentosa, a menina sonha em ser campeã da modalidade.

Natural de Santos, ela se mudou com a família para Peruíbe e, lá, Gabrielle teve dificuldades para manter seu mais alto nível no surf. Foi então que a garota insistiu para que se mudassem para o Guarujá. A mãe, Simone R. Simões, embarcou na ideia da filha e se mudou com a menina para o Guarujá.

Hoje, com pouco investimento de patrocinadores, Gabrielle desenha seus próprios biquínis e ainda desenha outros, que são revendidos para ajudar com os custos das competições.

Entrevista com Gabrielle Muntaner:


Quando começou sua paixão pelo surf?

Eu via meu irmão surfando e competindo. Na época eu fazia ballet, tinha 9 anos, mas comecei a achar muito mais legal ver que quando ele competia ganhava presentes e passava o dia na praia com os amigos correndo e brincando. Percebia que era isso que queria para mim. Praticar esportes, ficar com meus amigos, me divertir e ganhar muitas coisas legais.

Quem mais te incentiva?

Meus pais e meus irmãos.

Quais surfistas são suas maiores inspirações?

Coco Ho, Tati Weston Webb e Mineirinho

Você desenha os próprios biquínis. Como surgiu essa ideia?

Quando comecei a surfar minha mãe comprava biquínis, mas todos eles eram encomendados. Aí desenhei alguns modelos e falei para ela que era assim que eu queria; bem grande no bumbum e bem firme na parte de cima. Nunca encontramos nada parecido, aí resolvemos mandar fazer os modelos e fez tanto sucesso entre minhas amigas que resolvemos revender para ajudar nos custos dos meus campeonatos. Assim nasceu a Gabi&Fifi.

Como é sua rotina? Treina quantas vezes por semana?

Acordo às 6 horas, tomo um café reforçado, vou para a escola, volto às 12h30, almoço e descanso até as 14 horas. Surfo até às 16 ou 17 horas e depois vou para o funcional duas vezes por semana. À noite eu estudo ou assisto séries. Durmo entre 20 e 21 horas.

Como faz para conciliar os estudos com a vida de atleta?

É bem dificil, mas por enquanto está tudo indo bem. Quando tiro notas baixas me dedico um pouco mais ou pego um professor particular. Minha escola é muito boa e represento ela nos campeonatos de surf.

Você já participou de quais campeonatos? E de quais saiu campeã?

Participei de vários municipais da baixada e ja fui campeã em |São Vicente, Itanhaém, Peruíbe. Já participei do Brasileiro, fui a quinta melhor do Brasil. Fui vice-campeã no Mineirinho em Floripa no inicio do ano.

Quais suas praias preferidas para surfar?

Minhas praias preferidas são Arpoador, em Peruibe; Tombo, no Guarujá; Maresias e Joaquina em Florianópolis.

Qual seu maior sonho?

Ser campeã mundial e participar das olimpíadas.


Confira a entrevista com a mãe de Gabrielle, Simone R. Simões:

Você deixou sua família para tentar tornar realidade o sonho da Gabrielle. Em algum momento pensou em dizer para sua filha seguir outra área?

A Gabrielle foi muito decidida e convincente em me falar que o seu desejo era melhorar a sua performance no surf e que para isso precisaria buscar uma qualidade melhor de ondas. Levei alguns meses para decidir, até que uma escola muito conceituada do Guarujá a convidou para representá-los. Achei que aquilo era um sinal de que realmente as coisas estavam caminhando a favor da decisão dela. Deixei meu marido e minha filha mais velha e vim morar no Guarujá com ela. Eu trabalho no computador, então isso facilitou, mas aos finais de semana tentamos sempre estar juntos. Pensei muitas vezes em desmotivá-la, mas a experiência que tenho com o esporte na vida dos meus filhos mais velhos é excelente; poder de decisão, coragem, trabalho em equipe, contato com a natureza, conhecer seus limites e saber respeitá-los, disciplina e rapidez de raciocínio são apenas alguns dos benefícios que o surf de  competição pode trazer para seus filhos. Minha filha mais velha é uma excelente veterinária e meu filho do meio faz medicina fora do pais, todos com muita garra e amor.

Quais os principais desafios da carreira de sua filha?

O principal desafio é ter um patrocínio que possa dar estrutura financeira e suporte para participar de todos campeonatos e viagens internacionais para experiência em todos os tipos de mar.

A Gabrielle conta com algum tipo de patrocínio?

No momento temos apenas alguns apoios de equipamentos e escola, e a Ong Lugar ao Sol, que dá o treinamento dela no Guarujá.

Como lida com a exposição da filha nas redes sociais?

As redes sociais da Gabi são administradas por mim. Ela responde e comenta apenas o que a deixo ver; primeiro eu filtro, todas ficam no meu celular, ela só tem acesso e só posta depois da minha autorização e do pai.

O que pensa sobre o surf na região da Baixada Santista?

A maioria das cidades da baixada não têm estrutura e estão sem incentivo no esporte, com exceção de Santos, que mesmo não tendo o melhor mar para treino está investindo em seus atletas. Temos muitos atletas, principalmente no Guarujá, que se tivessem mais estrutura estariam representando lindamente nossa baixada. Temos o Mineiro, que saiu do Guarujá e é campeão Mundial. O surf hoje é o esporte onde o Brasil está mais bem representado. Temos o maior número de representantes no circuito mundial e de oito etapas do mundial, esse ano, fomos campeões sete vezes. Esse é um orgulho que todos deveriam ter.



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