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Por Stephanie Lia

Fotos: Rodolfo Magalhães

Lia Clark é cantora de funk, tem 26 anos e começou sua trajetória nas noites santistas. Hoje, com mais de 400 mil seguidores no Instagram, Lia faz sucesso no país inteiro. Tudo começou em 2016, quando Lia lançou sua primeira música “Trava Trava”, que chegou a segunda posição como uma das canções mais virais do mundo no Spotify. Esse sucesso mostra a artista cheia de referências nacionais e internacionais, com músicas ‘polêmicas’ e divertidas que vem revolucionando o cenário musical brasileiro.

Você saiu do ramo de importação e exportação e partiu para o mundo da música. Como foi essa mudança? Foi muito difícil! Como eu comecei a fazer shows com apenas uma música, morria de medo de ser algo passageiro. Continuei trabalhando e fazendo show por muito tempo, porém, chegou um momento que eu tive que escolher e eu me joguei na musica. Fico muito feliz que tudo está dando certo!

Quando você descobriu que gostava de se montar? Quando eu me vi montada pela primeira vez! Eu fiquei muito realizado e já contando os dias pra me montar novamente. Virou um vício!

Como surgiu a inspiração para dar vida a Lia Clark? Foi algo natural. Sempre gostei muito de divas pop e funk e essa essência que a Lia Clark leva sempre esteve dentro de mim.

Você sofreu alguma situação de preconceito quando começou a se montar? Se sim, como lidou com isso? Demais, tanto com homofóbicos quanto com pessoas que não curtem meu estilo de drag. Sofro até hoje, mas não me abala. Lido de um jeito muito fácil: ignorando.

 Quem foi seu maior apoio? Eu e meus amigos!

Quais foram os principais desafios enfrentados no início? E nos dias atuais? Conciliar a vida do trabalho “comum” com a vida de artista foi um grande desafio! A parte financeira, pra mim que sou uma artista 100% independente, é um desafio desde o começo até hoje. É muito difícil ser uma drag queen que faz funk e ir atrás de parceiros nessa jornada.

Qual a melhor parte de ser uma drag? A liberdade! Ser drag é uma arte livre, é uma sensação incrível.

Como é a sensação de ter seu primeiro álbum lançado? É a realização de um sonho de infância!!!! Desde criancinha eu sempre sonhei em ter um CD e nunca achei que fosse possível. Fico emocionada até de responder.

O que o Rhael e a Lia têm em comum? É possível separar a rotina dos dois? Tudo! Única diferença é que a Lia é mais confiante e abusada, o Rhael é bem tímido (risos). Ninguém acredita, mas é a verdade! A rotina da Lia é inclusa na do Rhael, então é impossível separar! Os dois estão sempre lado a lado.

O que gosta de fazer nas horas vagas? Absolutamente nada!!! Sou muito preguiçosa (risos).

Como enxerga as políticas públicas para a população LGBT no Brasil? E em Santos, especialmente? É uma política muito fraca, com pouca proteção e principalmente nada inclusiva. Nós ainda somos o país que mais mata LGBTQ+ e, só isso já diz muito! Santos é um reflexo do resto do país. São políticas que precisam ser discutidas abertamente e precisamos de alguém que esteja no poder nos apoie! Essa mudança precisa ser o mais rápido possível!

O que mais admira na cidade de Santos? E o que menos gosta? Eu amo o fato de ser uma cidade pequena, mas que parece uma cidade grande. É o melhor dos dois mundos! As pessoas em Santos ainda são BEM preconceituosas, por exemplo, se dois meninos passeiam de mãos dadas ia ser O ACONTECIMENTO do local.

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