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*Por Jhessica Paixão

Fotos: Sérgio Ricardo


Parede de pau-a-pique, jardim vertical e móveis impermeáveis? Sim! Todos esses itens harmonizam e fazem parte do espaço da dupla Erik Wisniewski, engenheiro agrônomo e paisagista e Marcos Santiago, arquiteto e urbanista, na 20ª mostra Santos Arquidecor. O evento acontece até o próximo dia 15 de julho e os idealizadores do incrível ‘Jardim da Escultura’ deram todos os detalhes do espaço para a edição desta semana da Mais Santos Online.

Conte um pouco a respeito do espaço. Como ele foi pensado?

Erik: É um ambiente externo e queríamos fazer um grande jardim. Mas muitas pessoas não teriam um espaço como este em casa, não iriam enxergar isso. Então, fizemos esse enorme gazebo que teoricamente, seria uma varanda gourmet. Faz com que você veja que pode levar o verde para dentro da sua casa! Temos vários cantinhos que foram muito bem pensados, como o jardim vertical e aquela estante com os vasos, que traz brasilidade e toques rústicos para o ambiente. Temos bastante plantas da mata, como palmeiras e bromélias, e a forração desse jardim é inteira de serapilheira, que é um triturado de árvores. E isso tudo é para reproduzir uma mata. É realmente uma floresta urbana! E o porque disso: estamos em um bairro perto do Orquidário, que é uma floresta urbana também, queríamos trazer isso para cá.

Marcos: A ideia central do espaço é exatamente o que estamos fazendo agora: um bate-papo! Tem que ser despretensioso, mas muito confortável. Você pode reunir as pessoas e durante o inverno, acender a lareira, e usar a sala de jantar. Nós queremos tirar as pessoas do conceito de sala de estar e de jantar tradicionais e levá-las para o quintal. No caso de Santos, como a cidade verticalizou bastante, para as varandas gourmets.

Como foi feita a escolha dos materiais?

Marcos: Precisávamos dar conforto térmico para o ambiente. Durante o dia, o sol bate e é quente demais, então utilizamos a palha para trazer conforto e sombra para dentro do espaço. Por ser muito alto, a ventilação bate aqui tranquilamente, não precisaríamos fechar e colocar um ar condicionado. Então, fechamos apenas algumas partes para que ficasse acolhedor, sem interferir na luminosidade. Utilizamos também itens que a casa já fornecia, como a grade que fica no jardim vertical. Ela ficava nas janelas da casa, e recebeu um banho de sal para enferrujar, lixamento e agora está ali. Ia para o lixo, e nós transformamos em arte!

A brasilidade foi uma das principais referências utilizadas, certo?

Marcos: Lá fora, as esculturas são do Paulo Von Poser, e todas se chamam ‘Rosas’, temos também Nossa Senhora Aparecida, buscando novamente a brasilidade. Fizemos a parede de pau-a-pique porque viajamos muito para o Nordeste. Adoramos a cultura nordestina e queríamos representar parte dela aqui. E combinou muito com todo o restante! Você vê opostos: aqui nós temos um sofá e itens impermeabilizados, ali temos bambu e barro. No jardim vertical, temos uma reprodução de uma floresta e no contraste disso tudo, é possível brincar com o esmaltado dos vasos. Todos os nossos vasos da parte externa são brancos. Criamos o contraste entre o branco, o verde e os tons terrosos da madeira, barro e tijolos. Além disso, os cocás da decoração são de tribos de Porto Seguro que nós compramos! Criamos esse ambiente parte santista, parte nordestino e brasileiro.

Como foi o processo de criação do ambiente?

Erik: Há dois meses, você não reconheceria esse espaço. O grande desafio foi resolver a questão da acessibilidade. Precisávamos pensar em idosos, cadeirantes e como esse espaço conversaria com o restante do percurso da casa. Então, criamos a escadaria e a gente queria que ela fosse uma grande escultura. Por exemplo, em um dia quente, que as pessoas pudessem se sentar ali e ter um bate papo, como em uma grande arquibancada. Depois de resolver isso, nos conectamos com as nossas referências caiçaras e nordestinas.  



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