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Por Juliana Moraes
Fotos: Isabella Graça

O santista Vinicus Carpov, de 27 anos, nasceu com uma malformação congênita chamada meningomielocele com hidrocefalia, doença que o impossibilita de andar. Mas essa nunca foi uma barreira para ele. E o Jiu-Jitsu é uma prova disso. Com intuito de praticar o esporte apenas para aprender a se defender, o atleta descobriu que ele era um vencedor fora e dentro dos tatames. Atualmente, ele é o único competidor paratleta de Parajiu-Jitsu na Baixada Santista e está há quatro anos invicto na modalidade e faz parte da Seleção Brasileira de Parajiu-Jitsu.

Em um bate-papo descontraído com a equipe da Revista Mais Santos, Vinicius contou um pouco como foi se encontrar dentro do esporte, a trajetória para se tornar um dos melhores do mundo, planos para o futuro e mais!

Como você começou no parajiu-jitsu? Porque eu queria me defender. Mas como eu tenho uma deficiência que torna a minha mobilidade muito baixa, eu não sabia se era possível. Eu tinha dois amigos que lutavam jiu-jitsu, e eles me perguntaram se eu não queria fazer algumas aulas. Tudo ficou mais sério em 2015, quando eu comecei a treinar pra competir e eu acabei vencendo a primeira luta (risos). E em fevereiro vão fazer quatro anos que eu nunca perdi dentro do parajiu-jitsu. Atualmente eu sou o único cadeirante da seleção brasileira de parajiu-jitsu da baixada santista.

Você acredita que inspira outros atletas com deficiência? Sim! Eu fiquei sabendo de uma menina que está treinando jiu-jitsu e ela não tem uma perna, e ela disse que começou no esporte porque ela me viu nas redes sociais e ela foi atrás e aceitaram ela pra praticar o jiu-jitsu. Então saber que você está construindo um legado de pessoas com deficiência que são capazes, é o que me faz gostar mais de tudo isso. Hoje não se trata mais de competir, se trata de fazer uma história.

O que fazia antes de começar o jiu-jitsu?  Eu trabalhava normalmente e fazia cursos.

Qual a frequência de treinos? São cerca de 17 a 20 treinos por semana, umas quatro horas de treino por dia. Além da musculação e dieta, então sempre acaba sendo mais tempo. Pode ser pouco comparado com alguns outros esportes (risos), mas pra gente não.

Em algum momento você achou que seria impossível praticar o esporte? Sim, com certeza!  Eu assisto o MMA há muito tempo, que é uma junção de artes marciais. Então quando eu pisei pela primeira vez no tatame pra conhecer pessoalmente, eu vi uns caras muito grandes se batendo, e pensei “gente, eu vou morrer, não vou passar de um dia aqui” (risos). Então você tem que entender que você vai estar lá pra apanhar, não tem jeito. Mas não tem jeito, no início qualquer um eu acho, porque você não sabe como se portar no tatame, não sabe muito bem o que fazer, mas com o tempo você aprende. Eu já tive muito receio, hoje em dia não mais.

Sua família te apoiou? Meu avô era competidor de remo, então foi sempre a minha inspiração. Minha falecida avó sempre falou do meu avô como sendo competidor, então nas competições eu homenageio a minha avó. Minha mãe, amigos, namorada, sempre me apoiaram e se interessaram, o que é ótimo.

O que o jiu-jitsu representa pra você? Estilo de vida. Independentemente de ser competidor ou não, não tem como você não querer adotar o jiu-jitsu como um estilo de vida e não ser obcecado pelo esporte, ou seja, por aquilo que você tanto quer pra sua vida. Ele me fortalece.

O que você espera para o futuro da modalidade? Meu presidente por exemplo, ele é amputado, e criou a primeira escola de parajiu-jitsu la na cidade dele. Eu quero isso pra cá! Há um tempo atrás você não ouvia falar, hoje você ouve, mesmo que não tanto. Então eu quero reconhecimento e que as academias de jiu-jitsu saibam que existe o parajiu-jitsu se habilitem na modalidade. A minha intenção é que Santos vire um polo da modalidade.

E qual a sensação de estar entre os melhores do mundo? Hoje eu sou o 16 do mundo e é uma sensação inexplicável. Minha intenção hoje, é ser conhecido, mas não por fama, e sim por ajudar a modalidade a ser notada aqui baixada santista. Mas também, esse ano eu estava no grand slam do Rio de Janeiro, entre os melhores, então é uma sensação incrível.

Voce acha que a sua vida seria diferente se você não tivesse a doença? Sim, com certeza! Talvez eu estivesse fazendo o esporte como hobbie, e não como um esporte. Mas talvez eu não tivesse a cabeça tão aberta.

Como é você no dia a dia? Eu sou uma pessoa muito independente, faço tudo sozinho, então na minha casa sou eu que faço tudo. A única coisa que eu sou diferente das pessoas é a minha cicatriz nas costas, de resto, somos todos iguais.

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