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Entrevista com Kaylane de Souza, surfista e criadora do canal “Surf das Minas”

Foto: Marcos Alba

Kaylane de Souza tem 25 anos e é apaixonada pelo surf e por ensinar a prática do esporte. A paixão vem de berço, afinal, seus pais amam o esporte. Além de praticante, Kaylane trabalha no Quebra-Mar há 6 anos, com cerca de 100 crianças e adolescentes da comunidade e ainda possui o canal no Youtube “Surf das Minas”, onde posta vídeos sobre conscientização e sobre lendas do esporte.

Confira abaixo a entrevista completa com a jovem, que também é atriz:

Mais Santos: Como você enxerga o surf em Santos e na região?

Kaylane de Souza: Enxergo com um grande potencial de expandir suas referencias locais. Temos uma grande influência na história da cultura do surf no nosso país. Desde o início até os dias mais atuais.

MS: Quem você vê como grande destaque da modalidade feminina no Brasil? E no mundo?

K: Acho que o brasileiro como um todo, principalmente no surf, vem demonstrando sua garra, força e determinação. Mostrando  nas competições, para o mundo inteiro, do que somos capazes. Vejo a competição como uma forma de comparativo e tirando uma média, estamos muito bem colocados.

MS: Você percebe alguma diferença no tratamento com os homens e com as mulheres no surf?

K: Se eu percebo alguma diferença no tratamento com homens e com as mulheres? SIM, percebo. Mas acho que tudo vem pelo que cultivamos desde o princípio da nossa história. Muitas das influências fazem o reflexo do que cultuamos hoje. Criação, educação, as mídias. O surf feminino não é só beleza. E parto do princípio que se elas surfam no mesmo mar do que eles, elas merecem ter o mesmo tratamento.

MS: Quais são suas considerações a respeito do investimento no surf feminino no país? E na região?

K: Considerando ainda que alguns campeonatos tem suas  premiações masculinas  maiores e melhores do que as das mulheres. E, às vezes, nem mesmo existem vagas para o feminino. Mas existe o lado bom. Toda maré que enche um dia vaza, não é mesmo? É questão de tempo. Existem muitas mulheres empreendedoras quebrando barreiras e investindo no surf, e não só como esporte, mas como estilo de vida, saúde, meio ambiente, até cultura e lazer. E na nossa região, muitas marcas apoiam e investem no surf feminino. Muitas também estão ampliando e conscientizando que elas podem manobrar seus próprios negócios sozinhas.

MS: Mesmo que as mulheres pratiquem o surf desde os anos 30, no Brasil, durante muito tempo tiveram participações “secundárias” nos torneios masculinos, se limitando a concursos de beleza na areia como “Musa do Biquíni”, “O Gata da Praia” e outros. Como você analisa isso? Porque a demora em mostrar as mulheres como surfistas e não apenas como garotas que concorrem em concursos de beleza na areia?

K: Como falo, somos o reflexo do que cultivamos.
E assim como não deveria existir racismo e homofobia, o machismo também poderia acabar. E muitas mulheres reproduzem o que foi imposto. Porque, desde o princípio das brincadeiras de criança, as meninas ganham bonecas e panelinhas, e meninos bola e carrinho. Logo as mulheres aprendem a cuidar e zelar majestosamente. Já os homens, aprendem noções de tempo, espaço e força. Então, é o resultado de suas referencias de vida e hábitos de práticas diárias. Mas tudo é questão do que gostamos de “brincar”  e do que nos colocamos a fazer bem. Acredito na sensatez.

MS: O cargo mais alto da WSL (World Surf LEague) é ocupado por uma mulher, Sophie Goldschmidt, você acredita que com ela no comando, o surf feminino tem mais chances de se desenvolver?

K: Sabemos que, em muitas áreas, a mulher tem conseguido estar no comando, regendo com maestria. É questão da importância que damos aquilo. Homens e mulheres tem suas particularidades.  Torço para que olhem para o surf feminino não só como bunda e biquíni.

MS: Quais foram as praias mais iradas que você já surfou? As que te proporcionaram as melhores ondas.

K: As mais iradas que surfei ainda foram por aqui num crowd com bons amigos. E as que me proporcionaram ondas boas e lembranças memoráveis eram em dias de ondas clássicas com ventinho terral que foi no pico secret, que não revelo o nome pra não ninguém querer crowdear lá (risos).

MS: Qual é, dentro do mundo do surf, seu grande sonho? E o grande objetivo?

K: Ser reconhecida como alguém que presa pelo surf de alma. Valorizando a cultura, prezando pela educação e principalmente, lembrando que o protagonista é o meio ambiente.  Queria mesmo ter uma “KombiHome” e conscientizar a importância que todos temos para a natureza, que traz o surf como chave para salvar vidas.


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Foto: Bruna Veloso

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