SANTOS 

Neste sábado (19), o O bispo diocesano de Santos, dom Tarcísio Scaramussa, enviou, neste sábado (19), um esclarecimento aos fiéis sobre o caso de Lucas Grudzien, de 22 anos, morador de Guarujá, que acusa o padre Edson Felipe Monteiro Gonzalez de abusá-lo sexualmente, aos 14 anos, em 2013. Na época, Edson tinha 28 anos.

Dentre os destaques da carta, dom Tarcísio ressalta que toda a documentação relativa à investigação prévia foi encaminhada à Congregação para a Doutrina da Fé, em Roma. Diz que a igreja cumpriu todos os procedimentos e que o inquérito policial instaurado pelo Ministério Público foi arquivado. Desta forma, não há oferecimento de denúncia. “Toda pessoa acusada tem direito de defesa e não pode ser execrada, linchada publicamente e condenada sem poder defender-se legitimamente”, diz um dos destaques. A carta completa pode ser lida no final desta matéria. 

Na última quarta-feira (16), o Portal Mais Santos publicou uma entrevista feita com Lucas Grudzien sobre o caso. Se você ainda não conferiu, clique no link abaixo:

Jovem fala em entrevista sobre os abusos praticados por um padre

Popular entre os fiéis 

Nesta segunda-feira (21), às 19h30, os membros da Paróquia Senhor Bom Jesus, do bairro Morrinhos vão realizar um ato em favor do padre, que atualmente encontra-se afastado.

Veja o vídeo que foi publicado por alguns jovens que fazem parte da comunidade. Crédito: Guarujá – News

 

CARTA AO POVO DE DEUS DA DIOCESE DE SANTOS
Santos, 19 de outubro de 2019

“Cristo amou a Igreja e se entregou por ela,
a fim de purificá-la como o banho da água
e santificá-la pela Palavra” (Ef 5,26)

Compartilho fraternalmente com os irmãs e irmãs da Igreja, com espírito de fé e
confiança no Senhor, os sentimentos e sofrimentos desta semana, na qual nossa Igreja
esteve exposta por notícias de denúncias de abuso sexual por parte de um sacerdote.
Certamente vocês esperam uma palavra do Bispo, que os ajude a discernir, à luz da fé,
todas estas coisas. Em qualquer situação, com relação a todos, sejamos movidos por
sentimentos de misericórdia e caridade.

No início deste ano foi realizado um importante encontro em Roma, convocado
pelo Papa Francisco, para a “proteção e tutela dos Menores na Igreja”, do qual brotaram
novas luzes e orientações a respeito. Após este encontro o Papa escreveu um
documento intitulado “Vós sois a luz do mundo”, com novas normativas sobre como a
Igreja deve proceder, reiterando o compromisso e empenho na prevenção e combate
destes males.
Passando a considerar agora as notícias veiculadas esta semana na mídia, é
importante pontuar:

1 – Sempre que a Igreja toma conhecimento de possível crime contra o sexto
mandamento por parte de um membro da Igreja, é feita imediatamente uma investigação
prévia, de acordo com as normas canônicas (cânon 1717 § 1 e 2), da qual resultarão os
passos seguintes, o arquivamento ou a continuidade através de processos
correspondentes. No caso noticiado nestes dias, todo a documentação relativa à
investigação prévia foi enviada à Congregação para a Doutrina da Fé, em Roma. A
Congregação para a Doutrina da Fé decidiu dar sequência, com um processo penal
administrativo, conforme as normas do Direito canônico (cânon 1720). Foi nomeado um
instrutor para conduzir todo o processo, junto com dois assessores e um notário, todos
formados em direito canônico. A conclusão do Processo Administrativo corresponde
aos fatos efetivamente comprovados nos autos do processo, apresentados pela acusação
e pela defesa, diferentemente muitas vezes de notícias que apresentam apenas uma
versão dos fatos.

2 – A Igreja realizou o processo canônico, tendo cumprido todos os procedimentos
previstos nestes casos, ouvindo todas as partes, colhendo os documentos probatórios e
ouvindo as testemunhas correspondentes. Este processo ocorre independentemente de
algum processo civil. A Igreja realizou a sua parte, e não pretende, de forma alguma,
substituir-se aos processos civis aos quais todos os cidadãos têm direito, e que pode
implicar em outras formas de penalidade. Cumpre assinalar, porém, que o inquérito policial instaurado pelo Ministério Público neste caso foi arquivado, sem oferecimento
de denúncia.

3 – Esta postura de busca da verdade e da justiça por parte da Igreja, e seu compromisso
com os deveres de seus sacerdotes e fiéis, não significa, no entanto, abdicar dos direitos
que são garantidos por justiça a todas as pessoas e instituições. Toda pessoa acusada tem
direito de defesa e não pode ser execrada, linchada publicamente, e condenada sem poder
defender-se legitimamente. Para isto existem os caminhos da justiça, tanto a Canônica,
que se rege pelo Código de Direito Canônico quanto a Civil, segundo a Constituição e o
Código Penal de cada país.

Para qualquer situação, não podemos nos esquecer a séria advertência do Senhor:
“Não julgueis, e não sereis julgados, pois com o julgamento com que julgardes, sereis
julgados, e com a medida com que medirdes se medirá para vós” (Mt 7,1). Com
humildade, reconheçamos sempre nossas faltas, e inspiremo-nos no exemplo de Cristo:
“Eu não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo” (Jo 12,47). E não nos esqueçamos
da libertação que o perdão nos traz, trazendo paz e serenidade ao coração.

Queridos irmãos e irmãs, sirva este momento de sofrimento ao nosso caminho de
conversão e purificação, para que nossa Igreja possa testemunhar de forma sempre mais
transparente a misericórdia de Deus e a alegria do Evangelho.
Nossa Senhora do Rosário continue intercedendo por nós, e o Senhor nos ilumine e abençoe sempre nos caminhos da história.

Fraternalmente,
Dom Tarcísio Scaramussa, SDB
Bispo Diocesano de Santos

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