1.0 // SANTOS2.0 // REGIÃO

Que em 2018 a gente se canse

O ano chega ao fim. E agora, o que será de nós em 2018? É hora de reafirmarmos nossa fé e determinação de tudo melhorar. Afinal, tudo depende de nós. De nós e de todo o resto. Depende da economia, da política de juros, do nível de desemprego, da malandragem dos políticos em vender nosso país com menos pressa, da capacidade do povo brasileiro de se fingir de morto sem reparar que já morre devagar.  
 
2018 é um ano que promete. Afinal, é ano de eleições. Mais uma oportunidade para mudarmos o Brasil elegendo pessoas melhores. Se conseguirmos encontrá-las. Quem sabe alguma se candidate? Há sempre uma chance. 
 
Mas pode ser que a gente se canse de eleger. Talvez a gente encontre algo mais interessante pra fazer. Não sei se na tevê, a safra de séries promete. Mas também cansa. No futebol algum time vai ganhar, como sempre. Todos os outros vão perder. Como sempre. 
 
Quem sabe em 2018 a gente se canse do Brasil e resolva ser outra coisa. 
 
Quem sabe a gente resolva ser outro povo. A gente já paga um pau imenso pra todo estrangeiro mesmo. Quem sabe a gente não resolve ser japonês, por exemplo. E passemos a valorizar a educação de nosso povo acima de tudo. Ou francês, alemão, australiano, coreano? Quem sabe argentino? As últimas manifestações deles foram incríveis. Conseguindo ou não pegar os bandidos deles, renovaram a vontade de serem argentinos. Quem sabe a gente decida ser cubano então? E comecemos a combinar a nossa própria revolução? É, tem que combinar. Vanguardas de boteco não adiantam. Porque revolução de verdade a gente combina, discute muito antes. E com todo mundo. Quando se faz, é porque já está feita. 
Mas, como não posso decidir nada por ninguém, faço apenas minhas humildes resoluções para o próximo ano. 
 
Em 2018 quero fazer tudo o que tenho feito. Quero continuar vivo, mesmo com o tanto de tristezas que carrego. Quero sorrir, mesmo para as pessoas que me fecham a cara. Quero estar com as pessoas que amo e cuidar delas, mesmo com o pouco que tenho a oferecer. Quero estar com minha filha e fazer o que puder e souber para que ela seja feliz. Quero continuar andar muito a pé e mais ainda de bicicleta. Quero continuar a trabalhar por toda a madrugada e acordar com o almoço na mesa. Quero estar perto de minha mãe que é alma mais generosa que conheço. Quero ouvir mais pessoas e continuar contando suas histórias, mesmo fingindo que são minhas. Quero continuar a lembrar as pessoas que seus sonhos são verdades, mesmo que nunca aconteçam. Quero tomar chuva sempre e muito vinho pra não gripar. Quero chorar o que a vida trouxer de choro e rir muito o que nos faz feliz. Quero saber o que não posso e desistir de não querer. Quero continuar escrevendo, publicar um livro e sonhar um país de leitores. Quero continuar nessa cidade que me viu nascer e, espero, me veja partir. Quero o que a vida me trouxer. E no que depender de mim, que eu esteja pronto para fazer melhor. 
 
Um bom ano novo a quem não lê minha coluna. E um excelente, maravilhoso e estupendo 2018 a você que nos lê e acompanha!

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