SANTOS 

Por Alexandre Piqui

A denúncia foi feita pela autônoma Alessandra de Freitas Lacerda Tavares. Ela contou a reportagem do MAIS SANTOS que o caso aconteceu na noite da última terça-feira (9) por volta das 20 horas. Segundo ela, um homem em situação de rua dormia na calçada da Rua Dom Duarte Leopoldo e Silva, quase de esquina com a Avenida Pinheiro Machado no bairro do Marapé em Santos. Ela disse que o filho foi quem notou algo estranho com a pessoa. “Eu saí para ir ao mercado. Quando volto vejo meu filho me chamando dizendo que um morador de rua passava mal”, relata. 

Uma outra mulher já havia chamado o SAMU. Quando a Alessandra se aproximou viu o homem sem blusa, com a calça molhada e muito suja. Logo em seguida chegaram os socorristas. De acordo com a testemunha, o atendimento da equipe foi bem superficial. “A mulher do SAMU encostou na barriga dele e perguntou:

– Vamos para o hospital?”, conta Alessandra que acompanhava os trabalhos.

O homem respondeu balbuciando:

– Quero ficar em paz!, explica.

Com isso, a socorrista disse que não poderia levar o paciente contra a própria vontade. 

Alessandra relata que a enfermeira constatou um hematoma roxo na região da barriga do paciente, e, comentou sobre a possibilidade de ser por conta do frio. Mesmo assim, a equipe foi embora. 

O filho da autônoma que trabalha em um comércio ao lado disse a mãe ter ido até o homem horas depois da saída dos socorristas. Mas o morador de rua não apresentava sinais vitais. A Polícia Militar foi chamada e com a chegada dos peritos da Polícia Científica foi confirmada a morte. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) enviou a seguinte nota;

O Samu recebeu chamado na terça-feira (9), por volta das 19h30 e seguiu para o atendimento. Porém,  o morador de rua disse que não queria ser removido para unidade hospitalar. Ele estava consciente e orientado. Importante salientar que não se pode obrigar a retirada do local se a pessoa não quiser (direito constitucional de ir e vir). O óbito foi constatado às 21h49.     

Para quem viu toda a situação o sentimento é de tristeza. “É muito ruim ver a pessoa não ter o mínimo de dignidade. A única coisa que acalma meu coração é saber que o sofrimento desse senhor terminou”, desabafa Alessandra que faz trabalho voluntário com pessoas necessitadas há dois anos. 

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