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Até 17 de dezembro, 4.346 crianças nasceram em Santos em 2018. Destas, 1.025 foram classificadas como recém-nascidas de risco, o que representa 23,5% do total de nascidos vivos residentes na Cidade. A preocupação dos pais e familiares com o desenvolvimento do bebê encontra conforto nos profissionais de saúde que fazem parte do Programa Recém-Nascido de Risco, que acompanha a criança do nascimento até a idade que o pediatra identificar que não há mais necessidade de intenso acompanhamento, variando entre os 6 meses e 2 anos.

Todos os dias, equipes da Secretaria de Saúde percorrem as maternidades públicas e privadas do Município para captar bebês. Todos são cadastrados, inclusive os que não são considerados de risco, já que pode ocorrer alguma intercorrência tempos após o nascimento e ele vir a ser reclassificado e necessitar de acompanhamento.

“Existem critérios isolados e associados que tornam o bebê de risco. Bastam 1 isolado ou 2 associados para que a criança seja considerada de risco”, explica a chefe da Seção de Vigilância à Mortalidade Materno Infantil de Santos, Franciele Garcia Sartori.

Os critérios isolados são prematuridade (idade gestacional menor ou igual a 36 semanas); peso menor ou igual a 2,5 kg; ausência de pré-natal; malformação congênita; mãe ou pai presidiário; mãe com diagnóstico confirmado de hepatite B ou C, HIV, sífilis, toxoplasmose; mãe usuária de drogas; criança claramente indesejada; internação da criança.

Os critérios associados são chefe de família desempregado, irmão menor de 2 anos de idade e mãe sem companheiro.

Todos os bebês cujas mães aceitam seguir o acompanhamento na rede pública já saem com a primeira consulta com o pediatra agendada na policlínica de referência do bairro em que reside (de 7 a 10 dias após a alta da criança): as mães de bebês de risco recebem um cartão amarelo com agendamento. A cor indica a condição da criança.

No caso dos bebês considerados de risco, as consultas são semanais em um primeiro momento, depois passam para quinzenais, e por fim, mensais como as dos bebês que não apresentam essa particularidade.

Além de passar pelo médico, as mães são orientadas quanto ao aleitamento durante o momento de espera pela consulta, além de receberem orientações em relação a medicações e cumprimento do calendário de vacinas.

Caso o bebê não seja levado à consulta, um agente comunitário de saúde vai à residência da pessoa convocá-la a comparecer.  O recém-nascido é vulnerável a diversas doenças, e a busca dos faltosos é uma estratégia para evitar o rompimento do vínculo com a rede de saúde.

Conforme critério do pediatra, o bebê pode ser encaminhado ainda para o Centro Especializado em Reabilitação (CER) e para a Seção Centro de Referência em Saúde Auditiva (Secresa).

Uma nova vida

Reychel de Los Angeles. Este é um nome incomum para uma criança nascida em Santos, mas essa menina, nascida em 12 de dezembro, após 35 semanas de gestação, é filha de um casal de venezuelanos que encontrou refúgio na Cidade, a terra da caridade e da liberdade, como expõe o brasão.

O parto, normal, ocorreu no Complexo Hospitalar dos Estivadores. A criança nasceu com 3,246 quilos e 50 centímetros de comprimento, considerada grande para a idade gestacional.  Mesmo assim, foi inserida no Programa de Assistência Integral ao Recém-Nascido de Risco e a primeira consulta com o pediatra ocorrerá na Policlínica da Vila Mathias, bairro em que vai morar junto aos pais e a irmã mais velha.

“Estamos há 6 meses no Brasil. Fugimos da crise na Venezuela e eu não sabia que estava grávida. Vendemos o ateliê de costura que eu tinha e viemos para o Brasil”, afirma Angela Pita Gonzalez.

O pai da criança, Jose Omar Coronado Anare, trabalha como pedreiro e já tratou de adquirir uma máquina de costura para que Angela volte a ajudar no orçamento familiar. “Ainda estamos pagando, mas quando chegamos aqui, tínhamos apenas uma marmita ao dia para alimentar três pessoas”, conta ele, emocionado.

Fotos: Susan Hortas

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