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Casos de dengue aumentam 240% em 2015

Os números de casos de dengue no Brasil em 2015 são 240% maiores em relação ao mesmo período do ano passado. O balanço do Ministério da Saúde divulgado nesta segunda-feira revela que até 28 de março foram registrados 460.500 casos da doença, ante 135.300 no ano passado. Em média, 215 brasileiros contraem dengue por dia. O número de mortes por casos graves também aumentou. Foram 132 mortes em decorrência de dengue este ano, 29% a mais que em 2014.

De acordo com o levantamento nacional, São Paulo é Estado que lidera o total de casos, com 257.809 ocorrências. Em seguida está Goiás (45.819 casos) e Minas Gerais (30. 153). Os números no Brasil vêm se multiplicando por essa ser uma doença de difícil combate. De acordo com especialistas, a dengue reúne um vírus hábil, carregado por um mosquito urbano e oportunista, a estratégias públicas de combate que não estão sendo capazes de derrubar a dupla.

“Os dados demonstram que o controle da dengue é ineficiente. A grande disseminação no país tem a ver com a descontinuidade das atividades de vigilância epidemiológica que são interrompidas nos Estados e municípios. É preciso ter um controle constante do mosquito, sem isso, a dengue continuará crescendo”, afirma o médico Expedito Luna, professor do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo da Universidade de São Paulo (USP).

dengue

Mosquito – Até hoje não há vacina e tratamento para a dengue, em nenhum lugar do mundo. O único método de combate é tentar matar o mosquito que o transmite, o Aedes aegypti. No entanto, ele foi moldado ao longo de séculos pela evolução para ser um alvo difícil. Esse mosquito é extremamente adaptado aos ambientes urbanos e, ao longo dos séculos, suas fêmeas aprenderam a colocar ovos apenas em ambientes artificiais que retêm água, como calhas, caixas d’água ou pneus. Ele jamais colocará seus ovos em poças d’água naturais, apenas se reproduz em grandes cidades.

Além disso, esses ovos adquiriam uma resistência incomum, capazes de sobreviver por meses (mesmo sem água). Essa característica faz com que eles possam viajar, espalhando-se por diversas regiões sem sofrer grande impacto, e também resistam ao tempo. Os ovos de um ano conseguem eclodir no ano seguinte, colaborando para as epidemias. Por isso, os surtos de dengue costumam acontecem em intervalos. Os ovos colocados em um verão com pouca incidência da doença podem dar origem a diversos mosquitos que infectarão um grande número de pessoas na estação do ano seguinte. Assim, o Brasil viu uma grandes epidemias em 2010, 2013 e, se os números continuarem crescendo em abril, mês historicamente preferido pelo mosquito para se reproduzir, 2015 tem tudo para ser um ano em que o país verá uma epidemia de dengue sem precedentes.

De acordo com os dados do Minist̩rio da Sa̼de, a regịo Centro-Oeste apresentou at̩ 28 de mar̤o a maior incid̻ncia de casos, com 393 por 100 000 habitantes (com 59 855 casos), seguida pelo Sudeste, com 357 por 100 000 habitantes (304 251 casos) e Norte, com 112 por 100 000 habitantes (19 402 casos) Рsegundo par̢metros internacionais, uma epidemia se caracteriza com 300 casos por 100 000 habitantes