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Livro de colorir vira mania entre adultos

Um estojo repleto de lápis de cor, estampado com uma flor sorridente, acompanha um livro de quase cem páginas. Poucas são as palavras, mas linhas pretas intrincadas em oposição ao fundo branco formam desenhos complexos. Páginas e páginas de desenhos esperando por cores. E quem carrega o material não é uma criança.

Livros de colorir para adultos foram uma das maiores novidades editoriais do ano na Europa. Somente na editora britânica Michael O’Mara, que conta com 19 títulos do gênero em seu catálogo, foram vendidos 250 mil exemplares até agora no Reino Unido. Segundo o gerente de vendas internacionais da editora, Pinelopi Pourpoutidou, 35 países já adquiriram direitos para reproduzir os livros. “Eles estão até vendendo mais do que livros de culinária na França!”, afirma empolgado.

Segundo Pourpoutidou, a ideia de publicar produtos para adultos surgiu com os seguidos elogios dos pais que aproveitavam a gama de livros para crianças que a casa editorial publica sob o selo Buster Books. Decidiram então, publicar algo para eles com algumas modificações.  “Os desenhos têm de ser mais complexos do que os livros para as crianças e os livros são projetados para serem bonitos e desejáveis.”

Antiestresse

Mais do que adultos interessados em arte ou em reviver a infância, os livros passaram a atender um público ainda maior: adultos estressados. Para isso, a grande sacada parece ter sido colocar as palavras “antiestresse” e “arte terapia” na capa.

O maior hit da Michael O’Mara, o livro The creative colouring book for grown-ups, foi  traduzido para o português e lançado em Portugal em junho (Arte-terapia Anti-Stress), na esperança de repetir, no sexto maior consumidor de antidepressivos do mundo, o sucesso já alcançado em outros mercados europeus. “Apesar de a moda ter se firmado em vários países, em Portugal ainda não obtivemos os resultados desejados”, afirmou Sara Nabais, do departamento de internacional da Editorial Presença, a editora portuguesa responsável pela tradução. A expectativa é que as vendas aumentem à medida que mais editoras lancem títulos e o gênero se torne mais comum.

Pourpoutidou aposta nisso. “Colorir é tão relaxante que, uma vez que as pessoas experimentam, elas são fisgadas.” Foi o que aconteceu com a estudante de letras e blogueira de literatura Camille Labanca, de 22 anos. Ela recebeu o livro Jardim secreto (Editora Sextante), que acaba de ser publicado no Brasil. Foi cativada pelo “antiestresse” estampado e se entregou à pintura. “Recebi numa sexta. Na segunda, metade do livro já estava pintada. Não sei se pintar é sempre uma técnica antiestresse, mas definitivamente funciona”, disse a carioca que está sempre buscando formas saudáveis de lidar com a ansiedade.