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3.0 - BRASIL

Reinauguração da estação brasileira na Antártica é adiada para amanhã

Por Pedro Rafael Vilela e Maurício de Almeida РRepórteres da EBC 

O vice-presidente da Rep√ļblica, Hamilton Mour√£o, reinaugura amanh√£ (15) a Esta√ß√£o Comandante Ferraz, base de pesquisa do Brasil na Ant√°rtica. O mau tempo impediu a chegada de Mour√£o e das autoridades que v√£o participar da cerim√īnia, inicialmente prevista para hoje (14), √†s 17h. A informa√ß√£o foi confirmada pela Marinha.

O novo prédio, que fica na ilha Rei George, na Baía do Almirantado, e foi erguido ao lado da atual base, que tem estrutura provisória. O evento vai ser transmitido ao vivo pela TV Brasil e pelas redes sociais da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

A Esta√ß√£o Comandante Ferraz foi criada em 1984, mas em 2012 sofreu um inc√™ndio de grande propor√ß√Ķes. Na ocasi√£o, dois militares morreram e 70% das suas instala√ß√Ķes foram perdidas. O governo federal investiu cerca de US$ 100 milh√Ķes na obra, e a unidade recebeu os equipamentos mais avan√ßados do mundo. No local, pesquisadores v√£o realizar estudos nas √°reas de biologia, oceanografia, glaciologia, meteorologia e antropologia.

“[A esta√ß√£o]¬† vai dar melhores condi√ß√Ķes de trabalho aos nossos pesquisadores, vai manter nossa presen√ßa no trabalho que est√° sendo feito pela comunidade cient√≠fica internacional, de buscar respostas e avan√ßos no conhecimento, na tecnologia, outras √°reas que s√£o pesquisadas l√°. Ao mesmo tempo, permite que a Marinha fa√ßa um adestramento em termos de log√≠stica, em termos de deslocamento em √°guas, que n√£o s√£o t√£o tranquilas assim. N√≥s, do governo Bolsonaro, vemos com extrema satisfa√ß√£o este momento de reinaugurarmos a Esta√ß√£o Comandante Ferraz e darmos uma nova roupagem ao trabalho de pesquisa que est√° sendo realizado l√°”, afirmou o vice-presidente, em entrevista exclusiva √†¬†EBC.

Estação Antártica

Ocupando uma √°rea de 4,5 mil metros quadrados, a esta√ß√£o poder√° hospedar 64 pessoas, segundo a Marinha. O novo centro de pesquisas vai contar com 17 laborat√≥rios. Cientistas da Fiocruz, por exemplo, est√£o entre os primeiros a trabalhar na nova esta√ß√£o, desenvolvendo pesquisas na √°rea de microbiologia, a partir da an√°lise de fungos que s√≥ existem na Ant√°rtica, e no poder medicinal desses micro-organismos. A Ag√™ncia Internacional de Energia At√īmica (Aeia) tamb√©m j√° confirmou que vai desenvolver projetos meteorol√≥gicos na base brasileira.

Para ficar acima da densa camada de neve que se forma no inverno, o pr√©dio recebeu uma estrutura elevada. Os pilares de sustenta√ß√£o pesam at√© 70 toneladas e deixam o centro de pesquisa a mais de tr√™s metros do solo. Os quartos da base, com duas camas e banheiros, abrigar√£o pesquisadores e militares. A esta√ß√£o tamb√©m tem uma sala de v√≠deo, locais para reuni√Ķes, academia de gin√°stica, cozinha e um ambulat√≥rio para emerg√™ncias.

Em todas as unidades da base foram instaladas portas corta-fogo e colocados sensores de fumaça e alarmes de incêndio. Nas salas onde ficam máquinas e geradores, as paredes são feitas de material ultrarresistente. No caso de um incêndio, elas conseguem suportar o fogo durante duas horas e não permitem que ele se espalhe por outros locais antes da chegada do esquadrão anti-incêndio.

A estação tem ainda uma usina eólica que aproveita os ventos antárticos. Placas para captar energia solar também foram instaladas na base e vão gerar energia, principalmente no verão, quando o sol na Antártica brilha mais de 20 horas por dia.

Ant√°rtica
O projeto de reconstru√ß√£o da esta√ß√£o √© todo brasileiro e come√ßou a ser executado em 2017 pela empresa China Electronics Import and Export Corporation, que venceu a licita√ß√£o do governo. A companhia de engenharia precisou dividir a obra em tr√™s etapas, porque entre os meses de abril e outubro √© imposs√≠vel realizar qualquer atividade externa na Ant√°rtica devido ao frio intenso, √†s tempestades de neve e aos ventos fortes. Por causa disso, os chineses constru√≠ram os m√≥dulos na China durante o inverno e transportaram para a Ant√°rtica nos ver√Ķes de 2017, 2018 e 2019, a fim de fazer a instala√ß√£o.

O Brasil faz parte de um seleto grupo de 29 pa√≠ses que possuem esta√ß√Ķes cient√≠ficas na Ant√°rtica. Esta presen√ßa √© muito importante porque, de acordo com o tratado ant√°rtico, s√≥ quem desenvolve pesquisas na regi√£o poder√° definir o futuro do continente gelado.

(Fotos: Mauricio de Almeida РTV Brasil)