PUBLICIDADE

Região / Saúde

Entre a proteção e a liberdade: qual a escolha certa sobre o uso da máscara?

Por Silvia Barreto e Ted Sartori
Da Revista Mais Santos

Usar ou não a máscara. Eis a dúvida de muitas pessoas, seja ao ar livre ou não. De acordo com o Governo do Estado, a flexibilização do uso de máscaras é permitida em todos os ambientes, com exceção do transporte público – e seus respectivos locais de acesso, como estações de metrô – e nos locais destinados à prestação de serviços de saúde.

Mesmo com a determinação oficial, a infectologista Elisabeth Dotti é contra a liberdade dada às pessoas. Ela destaca o aumento de casos positivos para a Covid-19 na Europa e o retorno do lockdown em alguns países.

“Nós viemos sempre na sequência. Começa uma onda lá, passa pela Europa, Estados Unidos e vem para o Brasil. Então neste momento é muito perigoso. Estamos indo tão bem com a redução do número de casos e mortes. Não é o momento para sair correndo e arrancar a máscara. Sou contra tirar a máscara em locais fechados”, destaca.

A especialista projeta o Carnaval, previsto para acontecer entre os dias 21 e 23 de abril. “Imagina se começa a subir os casos de novo e precise cortar o Carnaval outra vez. Como faz com o comércio? Todo mundo está se preparando para esta data. Imagina se houver um pico e tivermos que fechar tudo novamente. A gente pode judiar demais da nossa economia, no momento que precisamos levantar”, critica.

Ela cita a sensação de liberdade, descrita por aqueles que optam por não usar a máscara. “É libertador andar pelado. Dá para andar pelado? Transar sem camisinha. É libertador, mas pode terminar em gravidez ou HIV. Não dá para entender essa sensação distorcida que as pessoas estão vivendo. Libertador algo que te protege?”, questiona a especialista, ao ressaltar a possibilidade de andar sem o acessório em ambientes totalmente abertos e sem qualquer tipo de aglomeração.

A desobrigação do uso de máscaras em ambientes abertos e na esmagadora maioria dos lugares fechados também fez com que empresas fabricantes do acessório conjugassem o mesmo verbo. Ou seja: tiraram da produção. Lupo, Malwee e Fiber Knit fizeram isso. A 3M, no entanto, reduziu em 25%.

Por consequência, as vendas de máscaras também foram reduzidas, tanto as de grandes empresas quanto as de outros fabricantes. No auge da pandemia, era muito comum encontrar pelas ruas vendedores do produto. Aos poucos, eles foram sumindo e trocando seu foco, de acordo com a sazonalidade.

Os ambulantes de Santos – os que expõem itens variados – sentiram essa diminuição da procura pelo acessório de proteção. Em uma proporção simples, vendiam de 30 a 40 máscaras por dia e, atualmente, a comercialização chega a 10 – com muito esforço, 15. Tudo depende do ponto da cidade em que a barraca está montada, que determina o tipo e a necessidade do cliente.

Atendentes de lojas dos shoppings, por exemplo, continuam usando, assim como mães precavidas recomendam aos filhos que coloquem a proteção no rosto quando estão na escola. Por outro lado, a maciça comercialização anterior fez com que as pessoas tivessem em casa um estoque de máscaras. A variedade ultrapassou a medida profilática: fez com que ela virasse parte do visual, um acessório mesmo, mas para combinar com a roupa.

Ela usa

A analista de sistemas Juliana Cavalcante Harada segue usando a máscara em todos os locais, independentemente da liberação. Na rua, por exemplo, ela só tira o acessório de proteção se realmente não houver ninguém por perto.

“Eu acho importante usar. Não é porque foi estabelecida a liberação que a Covid acabou”, afirma. “Para mim, não custa nada. Para quem ficou dois anos (com a máscara), um pouquinho a mais não vai ser problema”, emenda.

Mesmo com tantos cuidados, Juliana testou positivo há dois meses para a doença, algo que ela considerou azar e não relaxamento. “Só quem teve sabe como é. Ainda tenho tosse e sinto catarro e pigarro”, conta. Durante a entrevista, por sinal, isso ficou nítido.

A medida não é só dela. É de toda a família, incluindo o filho Rafael, de 7 anos, na escola. “Apesar da idade, ele tem a consciência de que a doença ainda existe e que, talvez, nunca mais vá embora”, comenta. “Enquanto o índice de transmissão ainda for considerável, vale a pena usar. O ‘desmame’ da máscara vai ser gradual, aos pouquinhos, sem atropelar, embora até pudesse se tornar um hábito, como acontece no Japão”, emenda.

Não usa

“Hoje comprei um batom. Fiquei tão feliz! Fazia tempo que não usava e os meus estavam com cheiro de velhos”. A celebração de um ato, considerado simples, pertence à empresária Andréa Cordeiro Pires.

Ela se enquadra no grupo de pessoas que respeitam os protocolos de saúde em relação a Covid-19, mas sempre que pode opta por deixar o acessório de proteção facial guardado. “Hoje precisei ir a um hospital, andei de Uber, tudo de máscara! Me sinto livre em grupos que conheço o estilo de vida. Sei que todas estão vacinadas e se cuidando também”, enfatiza.

Com a carteira de vacinação pronta para preencher com a quarta dose, Andréa tem voltado à vida social “normal”. No auge da pandemia, o cuidado foi redobrado, por integrar o grupo de risco. Além da doença autoimune, recebeu o diagnóstico de câncer em 2019. “Eu brinco: ‘argasmo’ (prazer de se tirar a máscara e respirar o ar puro). Na aula de zumba, não uso, pois era pior fazer com máscara. Também retomamos o encontro mensal das mulheres. Este mês foi pizzada”, conta.

A empresária deixa um alerta: “O uso da máscara foi liberado, no entanto, a pandemia ainda não acabou! Os cuidados são necessários, principalmente para aqueles que tem doenças crônicas e autoimunes, como o meu caso”, finaliza.

Foto: Guilherme Santi/Mais Santos