Gastronomia 

O prof. Jorge Luís dos Santos, coordenador do curso de Ciências Biológicas – Biologia Marinha da Unisanta, mestre em Pesca e Aquicultura, afirma que aparições de baleias na baía de Santos nesta época do ano são incomuns.
“As baleias, durante o outono, inverno e início da primavera, possuem um comportamento migratório bem típico, pela costa do Atlântico, tanto nos litorais da América do Sul, como também no litoral africano”, afirmou o biólogo.
“Neste contexto, as rotas frequentemente coincidem com as embarcações que estão justamente nessas rotas. Voltado a este contexto, as observações têm se tornado cada vez mais frequentes pelo grande número de embarcações que hoje se encontram em navegação, principalmente de pequeno e médio porte nas regiões costeiras, voltadas ao esporte de recreio e pesca recreativa”, complementa.
Um filhote de baleia da espécie jubarte apareceu na baía de Santos e no estuário do Porto de Santos no domingo (16) e na segunda-feira (17). A passagem do mamífero pelos mares de Santos foi registrada em vídeo por um homem a bordo de uma embarcação de pesca no domingo.
Uma força-tarefa conjunta entre Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), Instituto Gremar, Ibama e Capitania dos Portos, acompanhou a baleia para identificá-la. As operações do Porto de Santos e a travessia de balsas Santos-Guarujá chegaram a ser interrompidas para a segurança do animal.
Quanto ao fato de se notar mais a presença desses mamíferos na baía de Santos, o professor analisa que é porque muitos pescadores, com celular, têm tido a possibilidade de fazer os registros. “Como muito dos pescadores possuem aparelho celular, tem se notado mais frequente a divulgação destas imagens, dando a nós uma certa impressão de que essas ocorrências são maiores. As ocorrências antes não eram registradas, agora são registradas”, afirma. “Entendo que não é incomum essa condição biológica. Como se observa, o animal e suas imagens são divulgadas, isso nos dá a impressão de que é algo novo, mas por muito tempo tem ocorrido. Na verdade, é algo que pode ser considerado natural para a nossa região”, diz o biólogo.
“É importante  reconhecer a fragilidade destes animais em relação à aproximação com as embarcações. Na navegação, há uma série de regras que preservam não só o animal, como também a própria embarcação e aqueles que nela estão, no sentido de evitar, de qualquer forma, a aproximação”, alerta o professor. “O Grupo de Proteção aos Cetáceos emite frequentemente recomendações para pescadores e outros navegantes em relação às regras necessárias quando se avistam um animal de grande porte. As regras possuem critérios muito rigorosos para que seja evitada a interação”, explica.
Ainda para garantir a segurança dos animais, o professor afirma que “recomenda-se que não se aproximar destes animais com motor engatado, dentro de uma proximidade de 100m, evitar perseguição na tentativa de avistar esse animal no retorno à superfície para respiração, evitar que o animal entenda que está sendo cercado por embarcações, entre outras”.
“A Capitania dos Portos realiza cursos e até informes em áreas em que é relevante a ocorrência destes animais. Em Santa Catarina, por exemplo, essas áreas já são reconhecidas, devido até aos projetos voltados à preservação destes animais, e atualmente outras áreas estão sendo incluídas, para que as pessoas, além de reconhecerem a importância destes animais, façam um serviço de educação ambiental informando as outras pessoas para evitar a aproximação”, afirma Santos.
Baía de Santos atrai muitos animais
“A Baía de Santos, que é uma área protegida, acaba sendo muito procurada no ciclo de vida de muitos animais, não só os de grande porte, como também os peixes e alguns invertebrados no ciclo reprodutivo, para alimentação e proteção”, afirma o professor. “Como temos uma cadeia bem ampla de relação entre esses grupos, as baleias também procuram essas áreas”, acrescenta.
O professor também analisa o comportamento do filhote de baleia que apareceu neste domingo no mar, na praia do Canal 4, e reapareceu no estuário do Porto de Santos, nesta segunda-feira (17). “Como foi observado nas filmagens, há uma indicação de que é uma espécie jubarte, de um indivíduo jovem, que por algum motivo procurou essas áreas mais rasas tentando se proteger de regiões mais afastadas”, afirma o prof. Jorge Luís dos Santos.
“Mais próximos da costa, esses animais se encontram mais sujeitos ao encontro com as embarcações. Na Baía de Santos, que é muito utilizada por embarcações de pequeno porte, por pescadores esportivos/amadores, é necessário ampliar essa divulgação para melhorar relação dos pescadores com os animais que ali se encontram”, concluiu.

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