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As pancadas de chuva à tarde, típicas do verão, fazem parte da previsão para os próximos dias na Cidade, segundo a Defesa Civil. O alerta para os cuidados preventivos e sinais de perigo vai, principalmente, para moradores das áreas de risco alto (3.096 moradias) e muito alto (1.104) dos 17 morros – alvo principal do Plano Preventivo de Defesa Civil (PPDC) em Santos. O plano segue até 30 de abril de 2019, período de grande incidência de chuvas intensas e mais frequentes.

A qualquer sinal de mudança no cenário da moradia ou do entorno como surgimento de água barrenta, trinca em parede ou no piso, árvore e poste inclinados, o munícipe deve ligar imediatamente para 199, número de emergência da Defesa Civil que funciona 24 horas.

Mas os cuidados preventivos também merecem destaque e começam com a não ocupação de áreas impróprias, preservando a vegetação da encosta, que auxilia na contenção dos morros e da água. “Antes de pensar em ocupar área, procure a Defesa Civil para consultas pelo telefone 3208-1000”, orienta o geólogo Victor Valleele, da Defesa Civil, destacando que as ocorrências de deslizamento causadas ultimamente têm origem na ação humana e não em acidentes naturais.

“Querem aumentar a área da casa, por exemplo, cortando barranco para fazer escavação e retirando parte da vegetação. Isso desestabiliza a encosta. Outra situação comum é construir ou ampliar a casa mais próxima da encosta. Desta forma, se cai algum material, e a chance disso acontecer aumenta, a casa será afetada”. Os moradores devem evitar cortar os taludes, jogar entulho ou água da chuva direto na encosta. Conforme orienta o órgão, a distância mínima na área dos morros, entre uma casa e encosta é de 20 metros, para deixar uma margem de segurança. O espaçamento pode até diminuir, desde que haja um laudo assinado por um geólogo ou engenheiro.

Moradora antiga

A dona de casa Aliete Lacerda da Silva, mora com a família há 40 anos na encosta da Nova Cintra, ponto de alto risco, e sabe o que é conviver com o medo. “Procuro fazer minha parte e retiro os bambus caídos do mato para não fazerem peso no restante da vegetação; acho que assim ajudo a evitar deslizamento”, explica a moradora.

Considerada pelos agentes da Defesa Civil uma parceira do órgão e exemplo de cidadania para a vizinhança, a mulher conta que, além de não descartar lixo em locais errados, solicita lixeiras novas para a Prefeitura quando as antigas se deterioram e mantém contato regular com os agentes da Defesa Civil.

Plano Preventivo

O PPDC é avaliado como um plano de convivência com o risco e prevê vistorias mais frequentes. Para evitar acidentes, as áreas de risco são mapeadas e é preciso acompanhar a previsão da chuva – o principal causador de deslizamento. Com as informações sobre o local de risco, acúmulo de chuvas e previsão, a equipe consegue ter uma ideia se o deslizamento está para acontecer ou não.

Quando o acumulado de chuva ultrapassa os 80 mm em três dias, os morros são colocados em estado de atenção pela Defesa Civil, uma vez que o solo perde resistência devido à umidade. E nos casos de sinais de alerta dados pelos munícipes, uma equipe vai ao local procurar evidências de que um deslizamento pode ocorrer. Se constatado, os moradores são removidos preventivamente.

Vegetação é uma aliada na segurança

Um dos aspectos mais importantes para evitar o deslizamento é a consciência sobre a conservação do ambiente e importância da vegetação dos morros. São várias as funções, começando pela copa das árvores que ‘seguram’ parte da chuva. “Parte da água fica presa nas folhas e nos galhos. Às vezes, a água nem consegue chegar à superfície pois acaba evaporando para a atmosfera”, explica o geólogo Victor Valle.

E ele continua, lembrando de algo que a grande maioria nem se dá conta: as folhas mortas no chão formam um espécie de cama sobre o solo, que também retém a água que demora mais para infiltrar e, mais uma vez, às vezes, isso nem chega a ocorrer porque a água evapora. “As raízes ajudam a segurar o solo e os furos feitos por elas também absorvem a água. É um sistema complexo e a vegetação tem vários jeitos para colaborar”.

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