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Revista / Semanal Online

Marcelo Bellini: assinatura √© sin√īnimo de qualidade e sofistica√ß√£o

Por Isabel Franson

Dizem por a√≠ que o caminho do sucesso √© fazer o que se ama. E se algu√©m tinha d√ļvida de que essa receita d√° certo, o confeiteiro e cake boss¬†Marcelo Bellini veio ao mundo para assegurar o resultado da melhor maneira: com est√©tica e sabores que s√≥ ele sabe fazer.

Aos 51 anos, Bellini j√° passou dos 30 de profiss√£o. Apaixonado por bolos, o santista come√ßou autodidata e abriu uma pequena portinha em Guaruj√°. Hoje, o cake designer transformou seu nome em marca registrada e carimba categoria em produ√ß√Ķes exclusivas para artistas e influenciadores pa√≠s afora.

Avental de família

Com heran√ßa gen√©tica de boleiros e propriet√°rios de cantinas italianas, Bellini cresceu em meio a massas e fornos. “Peguei uma receita aqui, outra ali… fui fazendo. Minhas massas n√£o eram nada especiais, algumas solavam… mas eu s√≥ tinha 9, 10 anos”.

O jovem cresceu arriscando e confeitando ainda de forma prim√°ria, com os materiais culin√°rios dispon√≠veis √† √©poca. “A confeitaria mudou muito, principalmente com os realities show. No come√ßo, a gente n√£o tinha a possibilidade de decorar com os detalhes de hoje. Era bem limitado”.

Aos 19 anos, ao sair de um emprego no varejo, o Bellini tornou-se s√≥cio de um amigo em¬† Guaruj√°. Na cozinha da casa simples em Vicente de Carvalho, os parceiros batalharam para conquistar o fornecimento de massas salgadas e bolos para hot√©is e buffets na regi√£o. “A m√£e desse meu amigo ajudou bastante. Aprimorei minhas massas com ela e me especializei em p√£o-de-l√≥ de laranja e chocolate”.

Bellini come√ßou a ficar conhecido pela criatividade e ainda mais procurado pelas casas da regi√£o. “Sempre gostei de inventar na confeitaria dos bolos. N√£o fa√ßo o mesmo design duas vezes. L√° em Guaruj√° mesmo, me pediram um bolo cheio de detalhes para o anivers√°rio do neto de um jogador famoso. N√£o me contaram quem era, s√≥ fiquei sabendo depois”.

Evolu√ß√Ķes e estudos

J√° em meados dos anos 1990, ganhou for√ßa no Brasil a cultura da pasta americana e Bellini logo correu para pegar as manhas. “Me inscrevi no curso do Centro Culin√°rio Santista para aprender novos m√©todos. Mesmo me considerando autodidata para fazer os bolos e confeitar, sempre gostei de me atualizar. Fazendo curso, voc√™ sempre tira algo de bom, aperfei√ßoa t√©cnicas… √Č uma troca incr√≠vel”.

Procurado para reproduzir um bolo de palha√ßo em tamanho real, o confeiteiro recusou. “Achei que n√£o dava conta. Depois me arrependi. Bati o olho e pensei ‘poderia ter feito. Era s√≥ usar tal t√©cnica aqui, outra ali'”.

Nas encomendas seguintes, Bellini resolveu arriscar. “Me pediram um cisne, depois um panda… Fui topando. Na √©poca n√£o tinha internet. A gente fazia as coisas de olho, rascunhava uns desenhos, tingia o a√ß√ļcar… Tamb√©m n√£o havia a√ß√ļcar colorido”, brinca.

Detalhes

Quando algu√©m viaja para fora, o normal √© pedir perfumes, roupas. Bellini pedia utens√≠lios. “Hoje em dia parece bobo e dif√≠cil de acreditar, mas aqui n√£o tinha sacos de confeiteiro descart√°veis. Algo simples. As pessoas me traziam caixas de bico, corantes pretos… Tudo do mais tecnol√≥gico“.

Uma cliente prop√īs mais um desafio: rosas em um bolo. “Fiquei meio preocupado. Queria testar primeiro. Para n√£o correr risco de come√ßar e dar errado, fiz as primeiras rosas ‘dentro de casa’, para o anivers√°rio da minha m√£e”.

Anos depois, encerrou-se a sociedade com o amigo em Guarujá e Bellini levou sua produção para São Vicente, depois Santos.

Em tempos onde a fotografia ainda era anal√≥gica, o confeiteiro n√£o sa√≠a de casa sem um √°lbum de fotografias debaixo do bra√ßo. “Volta e meia estava comprando materiais em casas especializadas e me perguntavam ‘√© para voc√™ mesmo?’ ou ‘trabalha com isso?’. Eu mostrava meus bolos. Alguns duvidavam que eram meus”.

Numa dessas ocasi√Ķes, uma surpresa: Bellini foi convidado para dar aulas. “Eu n√£o sabia o que fazer”, ri. “N√£o havia frequentado faculdade. Nem sabia todos os ‘conceitos te√≥ricos’ da massa ou da confeitaria. Pra mim, era tudo muito instintivo'”.

Compartilhando conhecimento

De jeito muito autoral, o artista passou a ministrar aulas para grupos, primeiramente em oficinas de casas comerciais e, tempos depois, no seu próprio endereço.

Hoje, Bellini n√£o consegue dizer como se realiza mais: entregando encomendas ou ensinando. “Meu neg√≥cio √© estar na cozinha. Seja criando algo ou compartilhando conhecimento. O importante √© ter as m√£os na massa”.

De portas abertas na Euclides da Cunha, 185, na Pompeia, em Santos, o designer conta com mais duas pessoas para atender a clientela do caf√© ou fazer os doces das encomendas. J√° os salgados e bolos, s√≥ com ele. “√Č dif√≠cil delegar essa parte, porque sou muito detalhista. E como a ideia est√° toda na cabe√ßa, j√° vou pensando e produzindo”, brinca.

Al√©m de bolos, a casa tamb√©m oferece aulas de confeitaria para doces pequenos, como brigadeiros e camafeus. “Cada decora√ß√£o √© √ļnica. Gostamos de entregar sofistica√ß√£o, detalhes personalizados. Mas, no curso, tornamos f√°cil o que parecia complicado”.

Atualmente, o cake boss tamb√©m ficou conhecido pelo canal no YouTube e as apresenta√ß√Ķes mensais no programa Melhor da Tarde, de Catia Fonseca, na Band. “Meus bolos foram mesmo parar na internet e as pessoas vieram me procurar. J√° fiz dois bolos para a atriz¬†Helga Nemeczyk, do Zorra Total”.

Ostentando criatividade

De bonde de Santos a tigre siberiano, Bellini n√£o cansa de inventar. “Vai do desejo da pessoa, da vontade de sonhar. J√° fiz hamb√ļrguer, c√Ęmera fotogr√°fica, o navio do pirata Jack Sparrow, o rob√ī R2D2 do Star Wars…“.

E teve at√© um bolo 3D. “Fiz um bolo do Olaf, de Frozen, cuja fotografia rodou a internet. Foi parar no Jap√£o e as pessoas ficavam comentando… A gente jogava no Google Tradutor pra entender”, ri. “Um dos coment√°rios dizia que a personagem era t√£o real que parecia saltar da tela. Ganhei meu dia”.

Recentemente, o confeiteiro participou de uma feira em S√£o Paulo onde deveria ficar num estande se apresentando, mas foi assediado pelo p√ļblico. “Acabei n√£o conseguindo sair de perto do bolo, porque todo mundo queria tirar fotos”.

Entre debutantes e casamentos, o designer transita pelos desejos da mulherada. “Vai muito de √©poca tamb√©m e influ√™ncia. √Äs vezes chega uma aqui pedindo um bolo de quatro andares, depois outra v√™ e j√° quer de cinco… Normal”, ri. “Confeitaria tem moda tamb√©m”.

E quem pensa que Bellini se sente famoso est√° muito enganado. “J√° conheci gente que tinha vergonha de falar comigo porque me achava uma ‘celebridade’. Eu n√£o sou nada disso. Quando n√£o estou aqui na frente da loja atendendo, estou l√° dentro sujo de farinha, ovos… Tenho muitos amigos e, principalmente amigas, senhoras, que a confeitaria me proporcionou. Trocamos receitas, ouvimos hist√≥rias… √Č assim que eu sou”.