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Santos / Cotidiano

Filósofo santista explica o manifesto do ‘blackout’ que tomou conta das redes sociais

Por Alexandre Piqui

O assassinato de George Floyd pela polícia de Minneapolis gerou protestos nos Estados Unidos. Floyd foi sufocado pelo policial Derek Chauvin ajoelhado em seu corpo. O crime foi filmado e repercutiu em diversos países.

Nesta terça-feira (02), as redes sociais foram tomadas por uma onda contra o racismo no ‘Blackout Day 2020’.  Várias pessoas trocaram as fotos do perfil por uma imagem preta. A proposta iniciada pela indústria fonográfica visa reforçar que vidas negras importam e não há espaço para o racismo estrutural.

O professor e filósofo Thiago dos Santos, conhecido como Thiago Mancha, explica que o racismo estrutural remete a escravização de africanos que, no século XVI, foram tirados como mercadoria e obrigados a trabalhar em um regime escravista. “Desde a abolição de 1888, não houve oportunidade de real inserção dos pretos na sociedade. Assim, além da condição de sub-humanidade que foram submetidos, também mantivemos no ideário nacional as convicções racistas que tínhamos antes de 1888”.

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Diversas pessoas trocaram a foto do perfil nas redes sociais por uma imagem preta.

 

Para ele, o manifesto nas redes sociais é importante na medida em que se alastram com grande velocidade e pelo fato da sociedade estar limitada de deslocamento por conta da pandemia. “O fundamental é que quanto mais o racismo é abordado, mais as pessoas têm oportunidades de repensar suas práticas cotidianas, revisar sua história e a história do país onde vivem e, o principal, desenvolver olhar empático em relação ao outro, no caso específico as pessoas pretas, que formam junto com os miscigenados a maioria desse país”, comenta Mancha.

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Thiago dos Santos, professor e filósofo.

Mudança de comportamento

O professor acredita que para mudar o comportamento racista é necessário realizar uma análise histórica e da conjuntura social do país. “Os altos índices de pretos mortos pela Polícia, a baixa inserção em carreiras de boa remuneração, marginalização social, o feminicídio e o preconceito com as mulheres pretas e outros fatores precisam ser debatidos nas escolas, pelos veículos de comunicação com as vozes dos pretos que são especialistas e tem muito a contribuir para o debate. Nenhuma sociedade pode superar seus problemas varrendo seu passado e suas mazelas contemporâneas para debaixo do tapete”, concluí.