Da Redação
Visando a manutenção de um espaƧo para o funcionamento do cais pĆŗblico na Cidade, os empregos, interesses da população e impactos sociais e ambientais na Cidade, a Prefeitura enviou ofĆcio ao Tribunal de Contas da UniĆ£o (TCU) questionando os termos da desestatização do Porto e dos leilƵes de terminais portuĆ”rios em andamento.
O documento, assinado pelo prefeito Rogério Santos, foi encaminhado para a presidente do TCU, Ministra Ana Arraes, e inclui a solicitação para que as demandas e a realidade municipal sejam apreciadas pelo Governo Federal em todo processo de desestatização.
A intenção é alertar o tribunal sobre as preocupações da Prefeitura antes dos termos de desestatização e leilões de terminais serem submetidos a esse colegiado.
A preocupação diz respeito à relação Porto-Cidade, que não estaria sendo adequadamente considerada, afinal o Porto de Santos é a principal atividade econÓmica da Cidade e região. Conforme indica o documento, a Administração Municipal não obteve retorno sobre seus apontamentos quanto aos impactos sobre empresas, empregos e a qualidade de vida da população.
RogĆ©rio Santos deixa claro que Ć© favorĆ”vel ao processo de desestatização, mas solicita maior tempo de estudos e cuidado com os impactos locais. āO Porto de Santos Ć© o maior equipamento de logĆstica do Brasil, mas ele tambĆ©m cumpre papel social importante, com questƵes relacionadas ao turismo de passageiros, aos trabalhadores avulsos, os acessos que podem ser impactados com a desestatizaçãoā.
Empregos
A Administração defende a manutenção de um cais público e que sejam disponibilizados berços em quantidade adequada às operações de carga por eles realizadas, o que possibilitarÔ a manutenção dos empregos e a viabilidade das empresas operadoras locais que estariam em risco com o processo de desestatização, colocando milhares de empregos diretos e indiretos em risco.
Risco ambiental e ao turismo
Outro ponto abordado diz respeito à preocupação com o terminal de passageiros (Concais) que poderia se tornar inviÔvel com o leilão de um dos trechos do porto para alocação de um grande terminal de fertilizantes.
O terminal nesta localidade, representa preocupação do ponto de vista ambiental, devido ao armazenamento e movimentação de componentes quĆmicos como o nitrato de amĆ“nia. Caso seja mantido no local, Ć© posicionamento da Prefeitura de Santos que apenas entre em operação após a transferĆŖncia do terminal de passageiros para a regiĆ£o do Valongo.
Infraestrutura viƔria
As necessidades de investimentos em infraestrutura viÔria também estão em pauta no documento. à cobrada a conclusão do novo acesso rodoviÔrio à margem direita do Porto de Santos, sob responsabilidade do Governo Federal, recentemente definido como compromisso de investimento da futura Ferrovia Interna do Porto de Santos (Fips).
Em outras oportunidades, o prefeito jÔ salientou essa necessidade, afinal, apenas o Governo Federal ainda não investiu na entrada da Cidade e o funcionamento de um novo terminal (de grande porte), como o previsto, aumentaria em 20% o fluxo de caminhões.
NegociaƧƵes
No Ćŗltimo dia 24, o diretor geral da AgĆŖncia Nacional de Transportes AquaviĆ”rios (Antaq), Eduardo Nery, esteve em Santos, oportunidade em que o chefe do Executivo expĆ“s novamente as preocupaƧƵes relativas ao processo. Na ocasiĆ£o Eduardo prometeu mais reuniƵes para ouvir as necessidades e preocupaƧƵes do MunicĆpio.
Tanto no documento entregue ao TCU quanto na reunião com a Antaq o prefeito destacou que a importância do Porto de Santos para a economia nacional é inegÔvel, mas não se pode esquecer que ele impacta diretamente a economia local e a qualidade de vida da Cidade e da Região Metropolitana da Baixada Santista, sendo assim necessÔrio mais tempo para poder estudar todos os impactos e buscar soluções que tornem viÔvel a desestatização.
Foto: Arquivo PMS
