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Santos / Cotidiano

Cassinos no Brasil: Santos e a história do luxo e sofisticação nas décadas de 1930 e 1940

Horácio Oliveira

Em meio à evolução do debate sobre o retorno dos jogos de azar no Brasil, a história que envolve a prática da modalidade no país também começa gerar curiosidade para quem é mais novo. Se engana quem acha que o país nunca teve cassinos, bingos e locais específicos para os jogos de azar. Era um momento distinto do atual, quando a oferta desse tipo de modalidade encontra terreno fértil na internet, com casino online grátis ganhar dinheiro.

Atualmente, muitos cassinos migraram suas atividades para a rede mundial dos computadores. Ainda assim, a chance de liberação da atividade física tem causado furor entre empresários e investidores que atuam no ramo do turismo. Em meio à crise econômica brasileira, esta seria uma oportunidade de incrementar o turismo, aumentar o emprego e o consumo no setor de serviços, o que pode ser decisivo para o futuro do país nos próximos meses.

Enquanto a liberação sobre os jogos de azar não avança no Congresso Nacional — há um projeto de lei estagnado no Senado — as lembranças em torno dos cassinos começa a ganhar fama entre os brasileiros. Entre as décadas de 1930 e 1940, locais como Rio de Janeiro e Santos tiveram amplo destaque nacional por oferecer espaços cheios de glamour e luxo, ostentando a presença de estrelas da era do rádio e das artes.

Se no Rio de Janeiro cassinos como Copacabana Palace e da Tijuca reuniam nomes como Carmen Miranda e Ary Barroso, em Santos, a nata da elite paulista descia a Serra para curtir a jogatina proporcionada em ambientes cheios de requinte, boa comida e música de ótima qualidade.

Um desses ambientes era o Parque Balneário Hotel, localizado na Av. Costa. O local era conhecido por reunir a elite cafeeira, artistas renomados e políticos. O ambiente construído em 1912 foi ampliado dez anos depois, com uma área de quase 2 mil metros quadrados, em frente ao mar. O hotel tinha cerca de 200 quartos e itens de luxo para a época, como telefone e sala de banho. Os luxos eram preparados por um grupo de quase 150 funcionários, todos extremamente cuidadosos com o mármore italiano, as peças sanitárias inglesas e os lustres vindo da Europa oriental.

O local, de propriedade de Giovani Fracarolli, entrou para história como palco do lançamento da candidatura de Washington Luiz à presidência da República. Outros personagens ilustres também frequentaram o hotel, como Getúlio Vargas e Juscelino Kubitscheck.

Outro destino importante da época era o Hotel Atlântico, onde a jogatina também corria solta. Inaugurado em 1928, um dos seus marcos era a porta giratória de madeira, que servia de acesso ao ambiente interno do local.  Atlântico era rival do Parque Balneário não só pelo luxo que oferecia, mas também por sua localização privilegiada, já que estava instalado em frente à praia do Gonzaga.

Por fim, mas não menos importante, temos o Cassino Monte Serrat. A 147 metros de altitude, o que lhe proporcionava uma visão completa da cidade, o Cassino Monte Serrat era, na época em que os cassinos podiam funcionar, um dos locais mais interessantes para a elite brasileiro. Para quem chegava ao Porto de Santos, era possível ver ao longe suas luzes, que realçavam a exuberância do cassino, localizado na Praça Correia de Mello.

Foto: Pixabay