Um jovem estudante de 18 anos, Dilan Mauricio Cruz Medina, é a primeira vÃtima fatal das manifestações que tomam as ruas da capital Bogotá desde o dia 21 de novembro. Ele foi atingido por um disparo, aparentemente de bala de borracha, feito por um agente do Esquadrão Móvel Antidistúrbios da PolÃcia colombiana (Esmad). Dilan faleceu na noite de ontem (25), dia em que se formou no ensino médio.
O estudante morreu em consequência das lesões cerebrais que sofreu, no último sábado (23), durante as marchas no centro de Bogotá, de acordo com comunicado do Hospital Universitário San Ignacio, onde ficou internado.
“Lamentamos informar que, apesar da atenção prestada durante esses dias em nossa Unidade de Terapia Intensiva (UTI), Dilan Cruz, devido à sua condição clÃnica, acabou por falecer. Nossos sentimentos de condolências à sua famÃlia e à s pessoas próximas a ele” , afirmou, em nota, o Hospital San Ignacio.
Dilan foi atingido quando participava de uma manifestação que exigia melhor acesso à educação. Ele queria estudar administração, mas precisava de um empréstimo para financiar seus estudos.
O momento do acidente foi captado em vÃdeo por diversas pessoas que estavam na marcha. Agentes do Esmad dispersavam os protestos, que tentavam chegar ao centro da cidade. Nas gravações é possÃvel ver como Dilan e outros manifestantes corriam das bombas de gás lacrimogêneo e das granadas de efeito moral.
O jovem chegou ao hospital no sábado, à s 17h, em estado crÃtico, com duas paradas cardiorrespiratórias e com um ferimento na cabeça. Segundo a imprensa colombiana, Dilan foi reanimado durante cerca de 15 minutos, ainda no local do acidente. Após ter sido encaminhado para o hospital, foi levado para a UTI, onde ficou em estado crÃtico, mas estável. Na tarde de ontem (25), o quadro de Dilan se agravou, levando-o à morte.
O presidente da Colômbia, Iván Duque, afirmou ontem que lamenta profundamente a morte do jovem. “Expressamos nossas sinceras condolências a sua mãe, seu avô e suas duas irmãs. Reitero minha solidariedade com esta famÃlia”.
O prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa, afirmou, em um vÃdeo publicado no Twitter, que lamenta a morte de Dilan. Ele disse que vai acompanhar e apoiar a famÃlia do jovem.
Na noite de ontem, perto do hospital onde estava Dilan, centenas de jovens se reuniram para expressar solidariedade à famÃlia e exigir uma investigação. Para hoje (26), estão marcadas manifestações em homenagem ao jovem.
Os conflitos deixaram, até o momento, mais de 350 manifestantes feridos e 182 policiais. Cerca de 170 pessoas foram detidas. Três mortes foram registradas no dia 21 de novembro, no departamento de Valle del Cauca, no Sudoeste da Colômbia. Dilan foi a quarta vÃtima, a primeira na capital.
O presidente Duque determinou urgência nas investigações do caso, para “que se esclareça rapidamente a situação e sejam determinadas as responsabilidades”.
A Colômbia enfrenta uma greve geral convocada por sindicalistas, estudantes, professores e indÃgenas. As manifestações nas ruas são contra as polÃticas de Iván Duque, presidente do paÃs há apenas quinze meses e com 69% de desaprovação.
*Agência Brasil
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