As portas do Cemitério Israelita, que passou para a história do Brasil como o “Cemitério das Polacas de Cubatão”, serão reabertas à visitação pública neste domingo (30). Restaurado pela Associação Israelita de São Paulo – Chevra Kadisha, em convênio com a Prefeitura, o cemitério mantém a aura de mistério no imaginário popular e o interesse de pesquisadores que garantem: “a história não está concluÃda”.
Restauro – Depois de décadas em estado de total abandono, sofrendo degradação pela ação do tempo e de vândalos, apesar de tombado em 2010 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Cubatão – Condepac, o cemitério foi totalmente restaurado, preservando a importância histórica e cultural das sepulturas feitas em cimento, granito e mármore e suas inscrições em hebraico. “Foram restaurados ainda os muros e portões que compõem o cemitério e executadas as obras civil, instalação hidráulica e drenagem”, explicou a gerente da Associação Israelita de São Paulo, Simone Sinnatore.
Atenção especial foi dada à restauração das 69 lápides onde estão enterrados os corpos de 54 mulheres (as “Polacas”) e de 15 homens, todos imigrantes do leste europeu. Do total apenas seis corpos, presumivelmente de mulheres devido à localização das sepulturas, não estão identificados.
À Prefeitura Municipal de Cubatão cabe a manutenção e preservação da infraestrutura do cemitério e de seus acessos, além da divulgação da importância histórica e cultural e do monitoramento da visitação através das secretarias de Cultura e de Turismo. Sempre que necessário, a associação contratará serviços de restauração.
História – Fundado por volta de 1924 na área onde hoje está localizada a Refinaria Presidente Bernardes para receber “as polacas” – como eram conhecidas as prostitutas judias que vinham do leste europeu, trazidas por traficantes de mulheres nos fins do século XIX e inÃcio do XX, – o cemitério foi transferido para um terreno isolado ao lado do atual  Cemitério Municipal de Cubatão. Entre os renegados pela comunidade judaica da época, além das 54 “polacas” estão enterrados também os corpos de 15 homens. O último sepultamento foi em 1966.
Lendas e mistérios –  sempre cercaram o cemitério escondido de olhares curiosos nas terras de Cubatão que, na época, pertencia ao municÃpio de Santos e era um local escassamente habitado. Aqui, em Cubatão, os “polacos” e “polacas” estariam mais escondidos da sociedade santista e, principalmente, preservando a imagem da comunidade judaica. “A questão não era racial e sim social”, adverte a professora (de Cubatão) e pesquisadora Evânia Martins Alves. Aqui, a comunidade judia podia sepultar seus renegados.
O jornalista Alberto Dines em seus estudos e traduções lembrava que as “curves” (prostitutas em iÃdiche) eram consideradas impuras, marginalizadas “abriram seus próprios cemitérios, rezaram em sinagogas próprias e congregaram-se em sociedade de assistência mútua”. E sintetizava: “Viveram e morreram judias. Mais do que esquecidas, expiaram. Abolidas, perpetuaram-se Eternas Polacas”.