PUBLICIDADE

2.0 - REGIÃO

“Estou decepcionado e surpresoâ€, diz Bolsonaro sobre Sérgio Moro

Por Alexandre Piqui

O presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) fez um pronunciamento às 17 horas desta sexta-feira (24) contra as declarações de Sérgio Moro, realizada horas mais cedo. “Estou decepcionado e surpresoâ€, disse. Segundo o presidente, “uma coisa é você admirar uma pessoa, a outra coisa é conviver com elaâ€, se referindo ao ex-ministro da Justiça. E disse ainda a pessoas próximas na manhã de hoje: “vocês conhecerão aquela pessoa que tem o compromisso com sigo próprio, com o seu ego e não com o Brasilâ€.

Na declaração, cercado dos ministros que compõe o Governo, Bolsonaro deu um breve relato sobre a história dele com a do ex-juiz federal Sérgio Moro, que conduziu de Curitiba a Operação Lava-Jato, no qual investigou um mega-esquema de corrupção na Petrobrás.

“No dia 30 de abril de 2017 tive o primeiro contato com Sérgio Moro. Ele praticamente me ignorou. A imprensa relatou isso e me deixou triste. Eu era um humilde deputadoâ€, conta. Depois deste episódio disse que recebeu uma ligação do ex-juiz onde tudo foi esclarecido.

Bolsonaro falou que durante a campanha eleitoral, não teve o apoio de Moro. Mas recebeu o magistrado, através de Paulo Guedes, em sua residência depois da vitória, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Disse que acertaram a composição dele no Governo, que daria autonomia, mas não soberania. O sinal verde ou não sempre seria do presidente.

Relacionamento e interferências

O rompimento dessa relação aconteceu após a exoneração de Maurício Valeixo, a pedido, conforme Diário Oficial. Valeixo era o braço direito de Moro e Diretor-chefe da Polícia Federal. “Ontem numa videoconferência o Valeixo se dirigiu a todos os superintendentes e disse que queria deixar a PF. Os superintendentes são a prova dissoâ€, disse Bolsonaro.

A indicação foi feita pelo ministro, apesar de ser uma competência da presidência da República, disse o Bolsonaro.

O chefe do executivo comentou que estranhou desde o início as indicações feitas por Moro para a pasta da Justiça. “Todos os cargos chaves são de Curitiba?â€, questionou. Inclusive da Polícia Rodoviária Federal, isso me surpreendeu! Será que todos os cargos chaves estão em Curitiba?â€, comentou.

“Desde então, começaram a falar que eu estava dificultando as operações contra corrupção. Isso [diminuição das investigações] iria acontecer por que nossas indicações, não era tão abundantemente [a corrupção] como antigamente. Isso começou a bater sobre mim, como seu fosse contrário a Lava-jatoâ€, relatou o presidente no discurso.

“Nós botamos um ponto final nisso. Poderosos ficaram contra mim. Estou lutando contra o sistema. Coisas que aconteciam no Brasil, hoje não acontecem maisâ€, acrescentou. Bolsonaro diz que pode trocar ministro, diretor ou qualquer outra pessoa que esteja na pirâmide do poder executivo.

Caso Bolsonaro e caso Marielle

Ainda sobre interferência, Bolsonaro comentou sobre dois crimes políticos de grande repercussão nacional. A tentativa de homicídio que sofreu durante a campanha e o assassinato da vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL, Marielle Franco.

“Será que interferir é pedir para Moro saber quem tentou matar Bolsonaro? Tentaram ver quem matou Marielle! Meu caso está mais fácil de resolverâ€, falou. Acredito que a vida do presidente tenha algum significado. Isso é interferir na Polícia Federal?”, disse.

Porém, Bolsonaro pediu para uma equipe da PF ir até um presídio de Mossoró, no Rio Grande do Norte, onde está preso um dos suspeitos na morte de Marielle. Lá queria saber do ex-sargento preso se a filha namorou com filho do presidente, Renan Bolsonaro, chamado de número quatro.

“Ele disse: a minha filha nunca namorou o filho do Bolsonaro. Ela mora nos Estados Unidos. Não era para eu ver isso, era para a Polícia Federalâ€. E reforçou que nunca pediu para blindar a família.

Moro no STF

Bolsonaro revelou que durante a conversa com Moro, o ex-ministro fez um pedido; trocar Valeixo e em novembro nomeá-lo como ministro do Supremo Tribunal Federal. “Me desculpe, mas não é por aí. Eu não troco. É desmoralizante para um presidente ouvir isso. Mais ainda, externarâ€.

Moro respondeu pelo Twitter logo depois o pronunciamento do presidente. “A permanência do Diretor Geral da PF, Maurício Valeixo, nunca foi utilizada como moeda de troca para minha nomeação para o STF. Aliás, se fosse esse o meu objetivo, teria concordado ontem com a substituição do Diretor Geral da PFâ€.

Foto: Reprodução/ TV Brasil