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2.0 - REGIÃO

EXCLUSIVO: Grupo paralelo aborda sem-teto na madrugada de São Vicente. Saiba quem são os “Corujões da Noiteâ€

Por Alexandre Piqui

Exclusivo – Eles se definem como equipe de abordagem noturna. Não estão ligados a Secretaria de Assistência Social, grupos ou entidades. São homens vestindo coletes verdes e com uma missão: percorrer toda a extensão da Praia do Itararé em São Vicente para retirar sem-teto ou qualquer pessoa em atitude suspeita, da região dos quiosques. O grupo autointitulado ‘Corujões da Noite’ é financiado por 34 permissionários, no qual cada um paga R$ 100 mensalmente.

A ponte entre comerciantes e a equipe se chama Wallans Jardenis Cordeiro Oliveira. Ele diz trabalhar na zeladoria da orla da cidade em um cargo comissionado da Prefeitura de São Vicente. Em entrevista ao MAIS SANTOS, alega não receber nada com os Corujões .

–   “Não, não. Entenda bem! Parceria existe em todo lugar. Correto? O prefeito [Pedro Gouvêa] disponibilizou uma pessoa para ficar à noite [na praia]. Só que uma pessoa não tem condições. Daí buscamos uma parceria com os quiosqueirosâ€, alega.

Ele afirma ter ido pessoalmente conversar com os permissionários e fazer uma proposta. “Vocês tem condições de ajudar numa quantia mensal de R$ 100 para contratar três pessoas? Seria para um salário de mil reais para cada umâ€, conta.

Wallans é quem orienta o pessoal para agir durante as abordagens na madrugada. “Essa equipe precisa ser treinada. Entendeu? Como lidar com as pessoas, como lidar com a Polícia Militar, com a Guarda Civil Municipalâ€, acrescenta.

Os Corujões da Noite atuam das 22 às 6 horas e deixam claro; ninguém anda armado. Fazem o que chamam de combate a situações fora do normal na região dos quiosques como: sexo ao ar livre e presença de sem-teto. Esse último caso é o principal motivo da criação deste grupo.

Em vídeo público na internet (veja logo abaixo), o zelador denuncia cerca de nove pessoas desembarcando de um veículo utilitário às 4 horas da manhã da última terça-feira (02). Segundo consta, eram moradores de rua de uma cidade da região Metropolitana de São Paulo.

– Chegou uma Van branca. A ronda verificou que esse veículo dispensou um pessoal, perto da Ilha Porchat. Saindo dali, o motorista parou em um quiosque para comer um lanche. Quando ele estava lá, se comunicou com alguém de uma prefeituraâ€, relata Wallans.

Ele disse que um funcionário do quiosque ouviu a conversa. “O rapaz dizia ainda que não dava mais para fazer esse tipo de trabalho, pois já não era como antesâ€, acrescenta.

Segundo relato do comissionado, o motorista buscou o pessoal que havia deixado momentos antes e voltou para cidade de origem. “A determinação agora é segurar a Van e fazer um boletim de ocorrência, conta.

Reclamação antiga dos permissionários

Não é de hoje que os quiosqueiros se queixam da falta de segurança na região da orla do Itararé. Ao todo, são 90 quiosques construídos; apenas 70 funcionam. É o que aponta a Associação de Permissionários, Ambulantes e Lanchonetes de São Vicente.

Para o presidente Marllon Campos de Oliveira, o ‘Corujões da Noite’ até ajudou a diminuir o número de sem-teto na praia, mas não é a solução. “É preciso ter mais policiamento, isso é o essencial. Pagamos um imposto caro. Enquanto em Santos o Alvará tem um custo de R$ 1.290 aqui em São Vicente pagamos R$ 5.800â€, comenta.

João Batista é dono de quiosque há 22 anos. No mês de maio foi vítima do descaso da segurança no Itararé. Teve 20 cadeiras furtadas durante a madrugada. Mesmo assim não sabe se vai colaborar com a equipe de abordagem. “Para mim interessaria se pudesse deixar as cadeiras para o lado de fora. Não adianta pagar o segurança e colocar 80 cadeiras todos os dias dentro do quiosqueâ€, alega.

Um outro permissionário reclama do valor cobrado pelo serviço. “O preço para mim é um pouco alto, mas notei a diferença na praiaâ€, diz Eduardo Garcia.

Polêmica em relação ao “Corujões da Noiteâ€

A reportagem do MAIS SANTOS recebeu a informação que há um outro grupo tentando dominar à área. Questionado, Wallans comenta. “Eu sou o representante deste trabalho. Agora, existe um grupo que tenta destruir esse trabalho. Já teve gente que passou nos quiosques dizendo que não era pra dar dinheiro para o Wallansâ€, afirma.

Repórter: – Quem é esse outro grupo que tenta destruir?

Wallans: – É o próprio pessoal da Assistência Social. É triste, mas é verdade! Eles tentam destruir por uma questão política, eles tem um trabalho que não consegue dar fim ao problema.

Mas diz que vai largar a responsabilidade. “Nesse primeiro mês eu que fiquei responsável de receber o dinheiro, de fazer o pagamento dos meninos. A partir do mês que vem já não sou mais eu. Minha função não é essa aqui. Entendeu? A gente só abriu o caminho para poder solucionar um problemaâ€, conta.

– Nós temos prestação de contas. Esse é o primeiro mês e deu certo! Nós temos fotos de que isso era um horror. Eram mais de cem moradores [sem-teto]. E hoje você anda na praia e não vai encontrar um morador de rua, conclui

Resposta da Prefeitura de São Vicente

O MAIS SANTOS solicitou uma entrevista com a secretária de Assistência Social da cidade. Mas foi encaminhada uma nota.

A Prefeitura de São Vicente, por meio da Secretaria de Assistência Social (Seas), informa que a equipe de abordagem, responsável pelo encaminhamento de pessoas em situação de rua aos serviços sociais disponibilizados pelo Município, tem feito intervenções na Cidade, inclusive na região da Praia do Itararé e no entorno dos comércios.

A ação, fruto da Força Tarefa instituída pelo Município, conta com o apoio da Guarda Civil Municipal (GCM), da Polícia Militar (PM) e técnicos da Seas, identificados com colete azul, para a abordagem social.

Um trecho do texto esclarece que não há parceria entre a Prefeitura e o grupo que age no Itararé.

“A Seas informa, ainda, que desconhece qualquer outra equipe de abordagem que atue no local”.

Assistência – O Município conta com uma rede socioassistencial ampla para a população em situação de rua. Há aproximadamente 100 vagas de acolhimento institucional entre as redes privadas e pública.

Para acessar uma dessas vagas, a pessoa em situação de rua passa pelo Centro Pop (Centro de Referência Especializado para pessoas em situação de rua). Neste equipamento, os usuários recebem alimentação, atendimento com psicólogos e assistentes sociais, realizam atividades recreativas e tem espaço para a auto-higienização.