Anderson Firmino
O novo técnico do Santos, o português Jesualdo Ferreira, foi apresentado nesta quarta-feira (8) na Vila Belmiro. Numa sala de imprensa lotada, o treinador já mostrou, de cara, suas credenciais. Muito bom humor, junto de respeito enorme ao clube e admiração ao futebol brasileiro.
“Com todas as dificuldades que podia sentir, jamais recusaria treinar o clube do Pelé, um clube mÃstico. A primeira referência do futebol brasileiro. Eu tinha 16 anos e vi o Santos contra o Benfica ser campeão do mundoâ€, disse Jesualdo.
A escassez de recursos não é algo que assuste o português, muito pelo contrario. “O treinador bom é o que é capaz de chegar num clube e se adaptar, transformar tudo o que tem dentro do clube”.
A admiração pelo Peixe é acompanhada de um conhecimento grande de sua tradição, especialmente na revelação de talentos. “A escola do Santos é famosa no mundo todo. É uma marca que precisa se valorizar. Pouca gente vai conseguir ser superior. Falamos de um mercado muito agressivo e muito competitivo. Eu tive a oportunidade de perceber, mas ainda não está completo, que essa é a atividade que o Santos desenvolve há muitos anos. É nessa que tem de estarâ€, explica Jesualdo.

Experiência e juventude
Jesualdo acredita que a mescla entre veteranos e jovens é o que faz um time forte. “Quando você junta quatro jogadores de 20 anos na mesma equipe, precisa que haja uma estrutura para sustentar esses jogadores. Quando são bons, como Neymar, Robinho e Pelé, ninguém nota que há essa diferença”.
Para ele, o equilÃbrio pode fazer a diferença. “O Santos é uma equipe que jogava ofensivamente (no ano passado), uma atitude perfeitamente clara. Um elenco com jogadores rápidos na frente e mais ou menos com a mesma envergadura. Um meio de campo muito mais experiente. E cuidava pouco de sua defesa. Foi uma equipe que me agradou. Gosto dessas equipes. Mas também é verdade que tem de existir um equilÃbrio. A minha expectativa é melhorar o que era muito bom e o que também foi menos bom.
Situação financeira
O treinador evitou falar sobre a situação financeira do clube. Para isso, citou o bom desempenho do time no ano passado, sob o comando de Jorge Sampaoli. “Santos ano passado não tinha problemas financeiros? Os jogadores não eram esses? O que posso dizer é que essa equipe que ficou em segundo lugar no campeonato me coloca um problema muito grande: fazer melhor. Isso é muito difÃcilâ€, afirmou o português.
O presidente José Carlos Peres aproveitou o momento e questionou a imprensa sobre as noticias a respeito das finanças do clube. “Os protagonistas são os jogadores, o técnico, não o financeiro. Ficamos oito dias em atraso e fizeram uma revolução. Tem clube devendo oito meses!â€, afirmou, sem citar a qual clube se referia.

Aposentadoria? Nada disso!
O português negou a ideia de que estava aposentado no momento em que aceitou o convite do Santos, aos 73 anos. “Eu não estava aposentado. Só nos aposentamos quando não há saÃda ou não reconhecem a capacidade. Por que estão falando da minha idade toda hora? Todo mundo já sabe! (risos)”.
Jesualdo Ferreira prometeu ainda ao torcedor mudanças necessárias, ate por conta do calendário apertado – o Santos estreia dia 23 no Paulistão, contra o Red Bull Bragantino “Vamos tentar melhorar o que era ruim e ainda mais o que dava certo. Mas não tem tempo. Não tem tempo para influenciar jogador, conversar. Não tem muito, mas é com isso que vamos viverâ€.
Respaldo dos Ãdolos do clube
Jesualdo Ferreira mostrou encantamento sobre o Santos em várias vezes ao longo da coletiva. Uma delas foi sobre a visita ao clube na véspera, onde esteve no memorial das Conquistas e foi recebido por Ãdolos como Dorval, Mengálvio, Lima e Edu. “Quando entrei no Memorial, me emocionei. Gostaria muito de conversar com esses Ãdolos, mostrar minha admiração. Essa que é a lenda do Santos, a historia. No vestiário, junto com os atletas atuais, tem o armário do Pelé. É algo que faz parte do clube. Uma coisa que acho na vida que nos faz evoluir é o respeito. Sempre respeitei quem fez historia nos clubes onde passeiâ€.
Força máxima no Paulistão
O português garantiu empenho total na disputa do Estadual, que o Santos não vence desde 2016. “É o estadual mais forte do Brasil. São Paulo é uma capital financeira muito forte. É o estado mais rico. Tem mais gente. Será sempre o campeonato mais difÃcil, porque vai ter Corinthians, Palmeiras. É o mais difÃcil. Vai ser uma guerra, uma luta. Vai ser duro. Para mim, é muito sério e muito importante”.
Fotos: Mais Santos