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Santos / Esporte

Com o vermelho da paixão e o verde da esperança

Por Ted Sartori
Da Revista Mais Santos

Voz da Portuguesa Santista no sistema de som do Estádio Ulrico Mursa e nas ondas do rádio, o jornalista Walter Dias flagrou nos primeiros dias deste ano uma cena incomum. Principalmente para os que imaginam apenas momentos de glamour no cotidiano do presidente de um clube de futebol.

Na foto, que viralizou nas redes sociais, estava Sérgio Schlicht, eleito presidente em novembro do ano passado para o biênio 2021-2023, em substituição a Antônio Carlos de Abreu Ribeiro. Nas mãos do mandatário da Briosa, uma enxada. Ele também colocou a mão na massa para ajudar os funcionários nos últimos preparativos do estádio para a estreia no Paulista da Série A-2, marcada para dia 26, às 19 horas, diante do Rio Claro.

“Quando assumimos o clube, encontramos uma situação de aban- dono. Mas, com boa vontade e ajuda de todos da diretoria, além de alguns sócios, fomos colocando as coisas em seu devido lugar. Ainda temos muito a fazer, mas não temos tempo hábil para resolver tudo até o campeonato começar, mas vamos fazendo as melhorias de acordo com as necessidades em ordem de prioridades. Pintura e gramado eram exigências da Federação (Paulista de Futebol), uma vez que estavam em péssimo estado. Quando se trata de trabalho, enfrentamos todos juntos. Nessa hora, se preciso for, vamos de enxada e carrinho de mão. O importante é deixar tudo em ordem para o dia da estreia”, contou Schlicht.

O vice Emerson Coelho era outro que trabalhava pelo clube com o mesmo vigor. Ele era o presidente em 2018 quando a Portuguesa Santista voltou à divisão na qual se encontra atualmente. “Ele é um amigo que a Briosa me deu. É algo muito importante tê-lo nesse cargo. A experiência dele me ajuda demais nas tomadas de decisões. Isso sem falar no êxito que ele teve no futebol, com o acesso que foi importantíssimo para a Briosa”, comenta Schlicht.

Paixão e razão

A conduta de Sérgio Schlicht não chega a espantar. Com 47 anos, casado e pai de três filhos, ele é torcedor daqueles que ficavam na grade do Estádio Ulrico Mursa até perderem a voz de tanto apoiar e também provocar os adversários. Ele é sócio da Portuguesa Santista desde 1985 e, embora tenha demorado a ocupar cargos no clube, quando o fez teve ascensão meteórica. Em 2018, Schlicht passou a ocupar uma das cadeiras do Conselho Deliberativo. No ano seguinte, assumiu como primeiro secretário do órgão até que, em 2021, virou presidente.

“Eu sou, primeiramente, um torcedor apaixonado pela Portuguesa e, depois, presidente. Sempre fui do alambrado e assim permanecerei. E isso acaba se tornando um desafio ainda maior. Agora chegou a vez de me cobrar e faço isso todos os dias. Não irei medir esforços para colocar a Portuguesa no lugar que ela merece. Com relação aos demais torcedores e sócios do clube, existem as cobranças que sempre existiram. E são cobranças que, muitas vezes, eu mesmo fiz, que é por querer o melhor para a Briosa”, analisa Schlicht.

Apesar da paixão, o mandatário da Portuguesa Santista tem consciência de que a razão é o sentimento que o acompanha de perto em cada decisão no clube. “O principal desafio neste momento é honrar os compromissos rigorosamente em dia, como venho fazendo desde o dia em que assumi. E não há outra maneira se não for buscando parceiros e patrocinadores”, afirma.

Elenco e estrutura

Em tempos de crise e de contenção de despesas, a pré-temporada da Briosa está sendo feita em Santos, comandada pelo técnico Moisés Egert, trazido pela atual gestão, juntamente com o auxiliar Henrique Barcelos. “Com o auxílio deles, já trouxemos 15 jogadores que, somados aos que a Portuguesa já tinha, estão formando um elenco forte. Porém, ainda buscamos as últimas peças para fechar o grupo”, observa o presidente.

Em 2021, pouco tempo antes de Sérgio Schlicht assumir o cargo, a Portuguesa Santista perdeu boa parte de seu terreno. As áreas, pertencentes à Secretaria de Patrimônio da União, foram leiloadas e o Grupo Peralta arrematou, com intenção de construir um shopping. Como apenas o campo é de propriedade da Briosa, a empresa ofereceu projeto e construção de um novo estádio, porém em Praia Grande, o que foi rechaçado pelos conselheiros, também antes dele sentar na cadeira de presidente.

“Temos grande respeito pelo Grupo Peralta, mas entendemos que a Portuguesa precisa permanecer em Santos por sua história e raízes. São 104 anos na Avenida Pinheiro Machado, 240. Entendemos que até podemos mudar, mas desde que continuemos em Santos. Com relação ao que o Grupo irá construir, não podemos opinar. Eles adquiriram os espaços e, tendo projeto aprovado, poderão construir o que desejarem. O que faremos é conversar com o Grupo para ver a melhor forma de entregarmos as áreas por eles adquiridas”, afirma Schlicht.

Seja com a bola no pé ou com a enxada na mão, a Portuguesa Santista começa mais uma temporada projetando voltar ao status que perdeu em 2006: a elite do futebol paulista. “O projeto para a Portuguesa que eu sempre sonhei, como torcedor, é o clube na Série A-1 e com suas contas pagas em dia. Essas são as metas e objetivos a serem alcançados”.

Foto: Guilherme Santi/Mais Santos