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Santos / Polícia

Bebê morre espancado e mãe muda versão para beneficiar companheiro

Por Alexandre Piqui

Um casal foi preso no início da madrugada desta segunda-feira (06) após a morte de um bebê de um ano e três meses. O crime foi no bairro Trevo em Praia Grande, no litoral sul de São Paulo.

De acordo com a Polícia Civil, Ronaldo Silvestrini Junior, de 22 anos, padrasto do menino, foi detido em flagrante por homicídio com diversas qualificadoras. A mãe da criança, Giulia de Andrade Candido, de 21 anos, está presa por falso testemunho ao tentar defender o companheiro. Ela tem direito a pagar fiança no valor de dez salários mínimos, equivalente a R$ 10.390.

A vítima, Anthony Daniel de Andrade Moraes, foi levada pelo casal já sem vida à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Samambaia. A equipe médica acionou a Polícia Militar devido às várias lesões no corpo do bebê, inclusive com marcas de mordidas.

Depoimento

Em um primeiro momento, o rapaz disse aos policiais que durante o dia a criança estava bem, brincando no quintal com o irmão de cinco anos e o cachorro da raça Labrador, um filhote de três meses.

No depoimento, Ronaldo disse que a mãe da criança estava trabalhando. Ele deu mamadeira para o menino, o deitou de bruços e logo o bebê dormiu. Segundo a versão do suspeito, Giulia chegou por volta das 20 horas, à criança ainda dormia e a mãe não foi ao quarto para vê-la.  Ela, então, saiu para comprar salgados.

Ao retornar para a residência, deu o lanche para o filho de cinco anos e por volta das 23h30 foi ver o mais novo. O indiciado relata que ela deu um grito e o chamou falando que a criança estava morta.

Os dois enrolaram o menino em um cobertor e foram até à UPA Samambaia onde foi confirmado o óbito. Aos médicos, ele falou que o bebê caia muito e sempre estava tropeçando.

Mordidas

A equipe da unidade de saúde constatou mordida no rosto da criança, o padrasto falou que poderia ser do cachorro Labrador. Mas as marcas, conforme os médicos eram de mordidas humanas.

Giulia, a mãe do pequeno Anthony, foi interrogada logo em seguida. Segundo o boletim de ocorrência, ao ser questionada sobre as mordidas, informou não saber de nada e falou que os médicos deveriam dizer o que se tratava, inclusive cobrando uma resposta pela morte do filho.

Tortura

Não foram apenas as mordidas que chocaram os atendentes da UPA, a criança estava repleta de lesões. O bebê tinha secreção de sangue no ouvido direito, fraturas no crânio, no tórax e na clavícula do lado direito. Na costela tinha quatro vértebras quebradas do lado direito e quatro do lado esquerdo. Havia também lesões na mandíbula, no nariz e vários hematomas na testa e no rosto.

Já no Distrito Policial, o delegado perguntou para a indiciada na frente dos policiais sobre as múltiplas fraturas no corpo do filho que levou a morte. Ela então fez uma afirmação falsa dizendo que a criança havia rolado da escada há dois dias.

Ao ser questionada porque não levou o filho ao hospital, ela disse que trabalhava muito e não tinha tempo de levar o menino ao médico.

O companheiro voltou a afirmar que não houve queda, somente um tombo do segundo degrau, cerca de 40 centímetros. A partir daí ela mudou a versão mantendo a contada pelo indiciado e disse que as lesões não foram praticadas pelo homem. Giulia mudou de versão em alguns momentos durante o depoimento.

Participação no crime

Então, o filho dela de cinco anos foi ouvido junto com a conselheira tutelar e relatou que as mordidas foram feitas pelo “Juâ€, naquele mesmo dia. Ju é o apelido do padrasto Ronaldo Silvestrini Junior. A mulher pediu para o filho falar a verdade e ele confirmou o fato.

Com o Ronaldo ainda havia pinos de cocaína, um deles já usado. A criança de cinco anos foi encaminhada a um lar sob medida protetiva. Ele também tinha lesões na cabeça e na testa.

O casal permanece à disposição da justiça