Por Silvia Barreto e Ted Sartori
Da Revista Mais Santos
“A Baixada Santista tem possibilidade de eleger quatro deputados federais e cinco deputados estaduais em condições normais nas eleições gerais do PaÃs, comparando proporcionalmente os habitantes da Região com a totalidade do Estado de São Paulo”. A análise pertence ao cientista polÃtico Fernando Chagas, tendo como base os resultados registrados nos últimos pleitos referentes à região metropolitana.
Vindo para os recentes resultados das eleições, no quesito da Câmara Federal, a região avançou, passando de dois para quatro que irão ocupar as cadeiras do plenário: Rosana Valle (PL); Delegado da Cunha (PP), Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) e Alberto Mourão (MDB).
Já na Assembleia Legislativa, a Região terá Tenente Coimbra (PL), Caio França (PSB), Paulo Mansur (PL), Solange Freitas (União Brasil) e Paulo Corrêa Jr (PSD). Com isso, o número de cinco representantes foi mantido.
“Nesse contexto, a Baixada Santista preencheu significativamente as vagas da Região na Assembleia Legislativa e Câmara Federal, alcançando exatamente os referidos números na eleição de 2022, que pode possibilitar aumento de investimentos estaduais e federais com tamanha representatividade em ambos Parlamentos, notadamente em infraestrutura, tão necessária para o crescimento econômico e desenvolvimento urbano dos nossos MunicÃpios”, avalia Chagas.
A Região contabilizou aproximadamente 58 candidatos disputando vagas para deputado estadual e 35 para federal.
De acordo com dados atualizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em julho deste ano, a Baixada Santista conta com mais de 1.430.000 eleitores, sendo que apenas 49,62% têm a biometria cadastrada. Isso significa que aproximadamente 711 mil munÃcipes estão aptos para utilizar dados biométricos nas votações.
A Revista Mais Santos fez dois questionamentos aos eleitos: Quais são as prioridades a partir de 2023 para a Baixada Santista? e Quais os desafios do paÃs a partir de 2023? Dos nove, apenas o Delegado da Cunha, eleito com 181.568 votos, não respondeu à reportagem.
Confira as respostas dos deputados federais eleitos pela Baixada Santista.
Alberto Mourão
Eleito com 114.234 votos
“O parlamentar tem três frentes a trabalhar: uma é com os recursos individuais, e as outras são as ações estruturais de região e de PaÃs. É preciso ser colaborador do Governo, para que ele destrave e a economia ande. Ninguém é eleito para ser oposição, mas sim para ajudar a governar. O Executivo e o Legislativo andam em conjunto.
Tem algumas bandeiras importantes para o Brasil e Região. A questão da educação é fundamental. Não há como crescer economicamente sem mão de obra. O grande capital de uma sociedade, de um mundo desenvolvido, é a capacidade que ele tem de ter uma sociedade extremamente preparada. Precisamos ampliar as unidades de Ensino Técnico Integrado ao Médio (Etims), Escolas Técnicas (ETEC) e escolas Federais, assim formamos mão de obra qualificada para trabalhar em nossa Região. Não adianta termos o ouro se não temos os ourives para lapidar a matéria-prima. É pela educação, em todos os seus nÃveis, que se constrói um PaÃs mais competitivo e desenvolvido economicamente. Além disso, a região precisa ter uma Universidade Pública Federal, quero que os parlamentares da região lutem em conjunto para criá-la.
Na saúde é preciso viabilizar a implantação de mais 500 leitos hospitalares na Região – este é o déficit atual. É preciso abrir os hospitais de PeruÃbe e de Mongaguá, ampliar o número de leitos nos hospitais de Guarujá e São Vicente, por exemplo, tirando a fila do Cross, além da reconstrução da tabela SUS que há oito anos não é atualizada. As filas de cirurgias eletivas, que se agravaram durante o perÃodo de pandemia, também precisam de uma solução, para que este não se torne uma emergência.
Em desenvolvimento econômico é preciso fazer um rearranjo produtivo. É preciso saber como melhorar o ambiente econômico regional para gerar mais empregos, saber quais são os nós e como destravar isso. Uma de minhas bandeiras será o desenvolvimento econômico regional, mas olhando pelo ângulo de buscar a causa dessa paralisação econômica regional. É preciso discutir isso, unido a educação, para gerar mais empregos.
Além disso, a Região não pode ser apenas uma passagem de mercadorias que vão para outras regiões. Temos que ter a capacidade de receber grandes investimentos. Somos um grande celeiro de diversas atividades econômicas, umas que devem ser retomadas e outras impulsionadas. O Parque Industrial de Cubatão está subutilizado e a antiga Cosipa (atual Usiminas) não utiliza 80% de sua capacidade produtiva. Os governos Federal e Estadual devem ter interesse em um lugar que já está impactado do ponto de vista ambiental, com sete pÃeres de atracação, que recebe três navios por semana, e usar o local para novas atividades complementares, que possam alavancar a economia. É uma discussão que precisa ser feita.
Precisamos mostrar ao Governo Federal que não somos apenas esta passagem da economia do Brasil e do Estado, que são aqueles 42% do PIB que passa pelo Porto de Santos, mas mostrar a importância da Região para a economia e que queremos que devolva com ações especÃficas. Fazer a concessão do Porto e levar o dinheiro da outorga sem investir no VLT, por exemplo, é um desrespeito com a gente. Fazer a outorga da concessão da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, ligando à BR-116 também é um desrespeito. Porque não pegar esses R$ 3 bilhões e colocar na expansão do VLT e resolver os problemas da Região? O valor vai para os caixas dos governos Estadual e Federal para ser solução do déficit público deles e nós estamos vendendo nosso patrimônio regional para eles. Quero ser o deputado que cobra dos Governos que esses recursos sejam investidos na Região em diversas áreas como mobilidade e saúde. Quero ser a pessoa que vai alertar as esferas para a existência da Região e mostrar os problemas crônicos regionais para trazer soluções. Vou trabalhar no macro também.
Na mobilidade urbana, defendo um plano de expansão de transporte coletivo. É preciso criar condições de custo-benefÃcio para que toda a população usufrua de um sistema de transporte eficiente e com um custo adequado. O cidadão é metropolitano e transita em todas as cidades, e é inaceitável que uma pessoa que mora em PeruÃbe, por exemplo, demore três horas e gaste cerca de R$ 40,00 somente em transporte para passar em uma consulta médica referenciada no AME Praia Grande. Precisamos tornar a Região mais integrada, seja pelo VLT ou BRT. O VLT também deve ter mais agilidade na implantação no Valongo/Cubatão e na Ãrea Continental de São Vicente. Sou a favor também da travessia seca Santos-Guarujá por meio do túnel que é um equipamento moderno, com a possibilidade de passar o VLT pelo túnel.
Se a economia não for bem, o governo não irá bem, seja qual for o governo. É preciso fazer ajustes. Sabemos que uma crise econômica decorrente da Covid está sendo estendida, e precisamos reorganizar o mais rápido possÃvel as finanças públicas e as prioridades de investimentos, e a partir daÃ, estabelecer através da bancada da Baixada Santista um processo para a conquista de recursos para a região. Se os deputados não ajudarem o governo em uma pauta econômica, eles acabam sendo vÃtimas desta mesma ausência. Sem recursos no orçamento, não há como realizar todas essas melhoriasâ€.
Paulo Alexandre Barbosa
Eleito com 170.378 votos
“São quatro temas estruturantes e importantes para a nossa Região que serão minhas prioridades: ligação seca entre Santos e Guarujá; Aeroporto de Guarujá, Transferência do Terminal de Passageiros e Desestatização do Porto.
Vamos trabalhar para que a ligação seca Santos-Guarujá finalmente saia do papel, não dá para a gente ficar mais quatro anos ouvindo desculpas e a coisa não acontecer. Temos também que trabalhar para viabilizar o funcionamento do aeroporto metropolitano do Guarujá. Entendo que tem muita burocracia, mas queremos ver aviões pousando, decolando e passageiros desembarcando. Essas duas questões já irão ajudar a região, trazendo investidores e turistas para gastar aqui nas cidades da Baixada Santista. As outras são relativas à questão portuária. A transferência do terminal de passageiros de Santos para a região central, e com isso vamos impulsionar o desenvolvimento do Centro.
Quando fui prefeito, iniciei as obras da segunda fase do VLT, entregamos a primeira fase e deixamos tudo pronto para que a segunda fase fosse executada, e está em andamento. Essa união entre terminal e VLT vai mudar a cara do centro histórico de Santos e gerar milhares de empregos para toda Baixada Santista com impulsionamento do turismo e comércio, com restaurantes e bares. Para a desestatização do Porto é necessário que os municÃpios tenham compensações e sejam ouvidos nesse processo, prefeitos de Santos, Guarujá e Cubatão.
Além disso, eu já fui a BrasÃlia – mesmo antes de assumir meu mandato – para mostrar também a importância da manutenção do emprego do trabalhador portuário, das famÃlias que dependem do Porto. A gente sabe que o perfil de profissional no Porto está mudando, mas precisamos investir em qualificação para que esses trabalhadores tenham uma chance de se manter nesses postos de trabalho, é o justo, é o correto. Eu não sou contra a participação do setor privado na gestão pública, ao contrário, sou um incentivador, mas deve haver garantias.
Quanto aos desafios para o PaÃs, as três reformas que já estão em debate, e eu chamo de estruturantes, são fundamentais para o nosso crescimento e desenvolvimento como paÃs. São as reformas trabalhista, tributária e polÃtica. Nós todos, como brasileiros, temos a obrigação de trabalhar para fazer o paÃs dar certo e é isso que eu vou procurar fazer no congresso. Se essas reformas continuarem na gaveta nosso crescimento e desenvolvimento ficarão comprometidos.
Quando a gente fala da reforma trabalhista é para gerar empregos, para que a gente possa retomar essa questão, pois o emprego é fundamental. Nós temos mais de 30 milhões de brasileiros na linha de miséria, isso é um fato. Assim como é importante a reforma tributária, não se admite mais essa carga tributária excessiva para quem faz o Brasil andar. Quem gera emprego é a iniciativa privada, são os pequenos e médios empresários que, na sua maior parte, geram grande número de empregos no Brasil. É importante que a gente possa desburocratizar, facilitar e reduzir a carga tributária. A reforma tributária deve respeitar a diversidade brasileira, pois temos um Brasil continental com mais de 215 milhões de habitantes e cada Estado com uma caracterÃstica diferente.
E, para completar, a reforma polÃtica também deve ser feita. Se nós tivermos um congresso beligerante em constante conflito com o presidente eleito, a gente não vai ver essas reformas avançarem. Poderemos ter muita discussão teórica, ideológica, e não veremos, de fato, as coisas acontecerem. Nós temos 40 partidos polÃticos no Brasil, é uma vergonha, precisamos enxugar. Eu sempre defendi que o Brasil tenha o número de partidos polÃticos que possa caber em uma mão, esse é o limite, o tamanho adequado. Isso vai envolver menor disposição de recursos, anualmente os partidos recebem recursos para manter estruturas administrativas, polÃticas, sem nenhuma necessidade. Temos que enxugar o número de partidos, ter mais eficiência no gasto público e ter uma representação que possa, de fato, existir ideologicamente. Partidos de verdade e não aqueles que são criados para funcionar como legenda de aluguel e que servem interesses não Republicanos. Isso que vou defender em BrasÃliaâ€.
Rosana Valle
Reeleita com 216.437 votos
“Dentre as minhas prioridades estão a Ligação seca Santos-Guarujá; extensão do VLT para a Ãrea Continental de São Vicente e Litoral Sul; Duplicação do Viaduto da Curva do S; atração de investimentos para criação de empregos para a população regional: ampliação dos leitos hospitalares SUS; criação de um hospital veterinário gratuito; fim do laudêmio; abertura rápida do Aeroporto Metropolitano de Guarujá e implantação do Aeroporto de Cargas em Praia Grande; inÃcio do Transporte Hidroviário entre as cidades; expansão e integração do modal ferroviário; redução do déficit habitacional da região com construção de moradias populares; regularização fundiária em várias cidades; ampliação dos programas de assistência social e mais ajuda à s entidades beneficentes, entre outros. São lutas que já participo e que pretendo concluÃ-las, vê-las realizadas.
O Brasil precisa, a partir de 2023, ampliar os investimentos em todos os setores de interesse público, como infraestrutura, saúde, educação, assistência social, geração de empregos, saneamento, moradia, cultura, entre tantos outros.
É vital a manutenção e ampliação dos programas socais e de inclusão dos mais necessitados. Também é preciso dar continuidade ao controle da inflação, a redução dos preços dos combustÃveis e alimentos.
Como sempre, continuarei atendendo os pleitos das cidades, independentemente de quem sejam os prefeitos. Espero que todos tenham o mesmo desprendimento e utilizem os recursos que eu venha a destinar por meio de emendas ou outros procedimentos frutos das minhas gestões.
Tive a satisfação, neste primeiro mandato, de viabilizar mais de meio bilhão de reais para a nossa região, conforme já comprovei. As agendas com os prefeitos continuarão fazendo parte da rotina do meu trabalho de deputada federal, agora reeleita com 216.437 votos. Meu foco é atender a população regional, que faço questão de agradecer por ter reconhecido meu trabalho nas urnasâ€.
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil