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1.0 - SANTOS

Ajuda à moradores de rua enfrenta barreiras

As prefeituras da Região tentam resolver o problema do alto número de moradores de rua que vivem nas cidades da Baixada Santista. De acordo com o levantamento feito pela reportagem, do MAIS SANTOS, são 1500 pessoas em todo o Litoral. Agora, por trás desses números alarmantes, há a rejeição deles em receberem a assistência, sem falar nas histórias de vidas que acabam sendo esquecidas pela fome, miséria e o abandono.

Para amenizar o impacto do desalento, a equipe de abordagem social dentro do Programa Novo Olhar, ligado à Secretaria de Desenvolvimento Social (Seds) de Santos, tem atendido várias destas pessoas. Por volta de vinte profissionais (entre psicólogos, operadores e assistentes sociais) estão se revezando, semanalmente, em busca de oferecer condições para mudança de comportamento deles.

O chefe da equipe de abordagem social, Maurício Jordão, relatou que durante a ação feita na orla, na última segunda-feira (28), à noite, os profissionais receberam muitas negativas dos desabrigados. Maurício falou que é comum se deparar diariamente com o ‘não’.

“Quanto mais tempo na rua, mais a pessoa desenvolve comportamentos, vamos dizer, de sobrevivência, o que chamamos de ‘crônicos de rua’. Ele vai se distanciando cada vez mais do mercado de trabalho formal e se acostuma a uma vida sem perspectivas. Aí é que está o delicado do trabalho da Assistência Social. Se tivermos a expectativa de que o processo será lógico, ou seja, que ele será acolhido hoje, amanhã irá arrumar um emprego e logo estará em casa, iremos nos frustrar. Não é tão simples assimâ€, disse.

Segundo Maurício, muitas vezes, a população tem o desejo de ajudar, mas faz da maneira errada. “Santos é a terra da caridade, mas a caridade deve acontecer de outras formas. A forma tradicional de ajudar dando dinheiro ou comida, muitas vezes acaba fortalecendo o processo de permanência na rua.

“A saída desse cenário depende de a pessoa estar se sentindo incomodada ali. Acabei de conversar com um rapaz que me disse ‘estou há três dias comendo coisas do lixo’. Ele me pediu para ser acolhido, naquele momento, e disse que está cansado da ruaâ€, relatou.

A orientação da Prefeitura é que o auxílio da população é ao identificar qualquer pessoa em situação de rua, deve ligar para o 0800-177766. “Nossa equipe irá realizar a abordagem, orientar e convidar a pessoa a aderir aos serviços socioassistenciais da cidadeâ€, explicou Maurício.

É muito é importante, caso a pessoa esteja passando mal, o chamado dever ser direcionado ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que irá encaminhar a vítima aos cuidados da Administração após prestar socorro.

Fotos: Raimundo Rosa/PMS